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Brincar como antigamente ainda traz benefícios

Cada vez mais esquecidos, jogos como bolinha de gude e amarelinha são fundamentais para o desenvolvimento cognitivo dos pequenos; Psicóloga e psicopedagoga orientam 06/11/2017 às 14:50
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O espaço administrado pela psicóloga Thais Tapajós valoriza atividades que estimulem habilidades (Foto: Antônio Lima)

Por Juan Gabriel

Faça um teste rápido: Pergunte para uma criança qual a última vez que ela brincou de bolinha de gude com os amigos. Se ela ficar confusa, não estranhe. O fato é que com o passar das gerações, algumas brincadeiras foram esquecidas e se mantém quase unicamente no imaginário dos pais. Mas se faltava um bom motivo para acender o espírito de Peter Pan e resgatar as brincadeiras do passado com os filhos, saiba que elas podem ser fundamentais para o desenvolvimento cognitivo dos pequenos.

Correr, pular, cantar, tudo isso faz parte de uma rotina de atividades ideal na infância. É importante que dos seis meses até os seis anos de idade, a criança desfrute experiências tanto sociais, quanto imaginativas. É nesse tempo que o cérebro absorve e assimila grande parte do que vai ser usado na vida dali em diante e a interação através de brincadeiras como amarelinha, peteca e elástico é uma aliada nesse papel.

A psicóloga infantil Thais Tapajós, junto com a prima  Mariana Tapajós, é sócia da Yupi – Casa de Brincar, local destinado a crianças de até seis anos e que promove atividades estimulantes para o desenvolvimento dos sentidos e habilidades dos pequenos. A profissional afirma que inserir brincadeiras de antigamente na vida da criança pode ser determinante para o papel social dela como adulta e ainda ressalta a importância de realizar essas brincadeiras coletivamente.

“Brincadeiras coletivas ajudam a desempenhar o papel que a criança vai exercer no futuro. Ela observa aquilo, aprende e a partir dali traz pro mundo dela. Além disso, esses tipos de brincadeiras têm o papel de inserir as crianças em um grupo. Elas passam a ter contato com outras e é fundamental para o desenvolvimento social”, explica Tapajós.

Brincadeira x tecnologia

A psicóloga ainda chama atenção para uma realidade encarada pelos pais contemporâneos. Despertar o interesse dos filhos para brincadeiras lúdicas ao ar livre ao mesmo tempo em que disputa a atenção contra tablets e smartphones não é tarefa fácil. O caso aqui não é proibir, mas segundo Tapájos, o excesso de tecnologia nessa fase da vida é nocivo e merece supervisão.   

“É preciso ter cuidado e mais importante ainda, sempre supervisione enquanto a criança brinca com o celular ou tablet. É recomendado o mínimo de tempo para atividades desse tipo, o ideal até os seis anos é que a criança brinque por no máximo vinte minutos ao dia”, ressalta a psicóloga.

O que brincar

A psicopedagoga Ana Regina Braga é especialista em educação e educação especial. Defensora da bandeira de  que a criança precisa experimentar, ousar, tentar e conviver com as mais diversas situações, ela lista três brincadeiras de antigamente e explica a importância de cada uma delas no desenvolvimento infantil. 
A primeira delas é ‘Stop’. Em uma folha de papel os participantes desenham uma tabela com categorias como nome, animal e cor e então escolhem uma letra do alfabeto. Depois precisam preencher a tabela usando apenas palavras que iniciem com a letra escolhida. Quem preencher primeiro grita “stop”. Ganha quem usou menos palavras repetidas. “Brincando você trabalha a interação e a comunicação. Você ajuda a criança a desenvolver habilidades como raciocínio, memória, agilidade, espírito de competição e liderança”, explica a profissional.

Outra brincadeira é com bolinhas de gude. Para brincar, primeiro, cava-se um buraquinho. Ao acertar a bolinha dentro do buraco, o participante ganha o direito de lançar sua bolinha contra as dos adversários. As bolinhas atingidas são conquistadas. Se errar, a vez passa para o próximo. Ganha quem conseguir pegar todas as bolinhas. “Aqui a criança aborda questões de lateralidade já que o objetivo do jogo é acertar as bolinhas no buraquinho, envolve um pouco das habilidades matemáticas para somar ou subtrair as bolas. Conhecer o momento em que ganhou e perdeu no jogo”, diz Braga.

A terceira e última brincadeira é a de pular elástico. Para jogar, duas crianças ficam afastadas, uma de frente pra outra segurando o elástico na altura do calcanhar. Outra criança se posiciona no centro para fazer os movimentos da cantinga. Se errar, ela troca de lugar com outra. Conforme o jogo avança, a altura do elástico vai aumentando. Vence quem conseguir pular mais alto. “Essa brincadeira ajuda os pequenos a trabalhar com os movimentos do corpo, mobilidade e flexibilidade, além de servir como um exercício”, explica psicopedagoga.