Publicidade
Blogs

Exercite o corpo e a mente com a Mahamudra

Em entrevista exclusiva ao VIDA & ESTILO, o criador da modalidade fala sobre lançamento do livro 'Mahamudra 360' e como ela pode mudar seu estilo de vida 30/10/2017 às 17:28 - Atualizado em 30/10/2017 às 17:39
Show mahamudra
As atividades da Mahamudra são feitas ao ar livre e podem queimar até 1000 calorias por treino (Foto: Divulgação)

Aliar corpo e mente através da prática de atividades físicas ao ar-livre. Esse é um dos conceitos por trás da Mahamudra, prática inspirada no oriente e que ganha cada vez mais adeptos no Brasil. O responsável pela modalidade é o coach César Curti, que lançou recentemente o livro “Mahamudra 360”, disponivel gratuitamente no site mahamudrabrasil.com.br, onde explica os valores da prática e esclarece dúvidas sobre uma das tendências mais fortes do mundo fitness nos últimos anos. Em entrevista ao VIDA & ESTILO, Curti fala sobre os pilares da modalidade, sua experiência de anos em países asiáticos e até como a Mahamudra pode se tornar aliada para quem busca um estilo de vida saudável, sem restrições de idade.

1.    Os três pilares da Mahamudra são: corpo, mente e espírito. É preciso encontrar o equilíbrio entre os três. Na sua vivência, qual desses três pilares é mais difícil de fortalecer no ser humano? Por quê? É indicado, antes de se aprofundar no método, fortalecer primeiro um deles?

Todos são extremamente importantes para o desenvolvimento de cada um de nós. Eu diria que o mais fácil de ver transformações é no físico por que nele você vê se mudou o corpo, se consegue correr mais que antes. O mais difícil é o espiritual, se reconectar com sua essência, com o invisível. Envolve o trabalho com meditação, ouvir o que seu coração ta dizendo, então é algo muito sutil. Se a pessoa é presa ao material tem mais dificuldades. É difícil escrever um método de A-Z que funcione pra todos, por isso que eu tento instruir os coachs a fazer esse trabalho da forma mais personalizada possível.

2.     Pela passagem de anos em países asiáticos, o que você aponta como principal ponto de diferença entre nós e os orientais, no sentido de conseguir levar uma vida mais plena? Eles também devem lidar com o estresse, com pressão por resultados, mas como conseguem driblar as dificuldades e conseguir uma qualidade de vida?

No oriente, as pessoas dão muito mais valor ao movimento, a se sentir livre, se movimentar com naturalidade. Existe uma preocupação em fazer algo, pescar, jogar xadrez que seja e isso está enraizado na cultura deles. Na Ásia, as cadeiras são mais baixas, eles ficam mais agachados, enquanto aqui as cadeiras e sofás, por serem mais altos, nos deixam mais rígido. Com 15 anos você não sente, com 30 você já começa ter mais dores e mesmo assim não faz nada, ai quando chega aos 60 é que vem as complicações. Lá eles se movimentam mais sozinhos.

3.    Como surgiu a ideia de lançar e distribuir o livro da Mahamudra por meio de download gratuito? Você diz no livro que tem muita demanda e esta seria uma maneira de atingir mais pessoas, mas gostaria de saber se há um objetivo mais específico em relação a expansão do método no Brasil e no mundo e como ele se daria?

A ideia de distribuir o livro de forma gratuita se dá por que o conteúdo da Mahamudra é extremamente profundo e denso, então eu quis começar do começo nivelando as explicações da Mahamudra Brasil por que vejo muita gente perguntando se é crossfit, se só se pratica em lugar aberto, se é yoga, achei melhor lançar esse livro de forma mais sucinta para que as pessoas saibam o que é a Mahamudra Brasil, onde a gente quer chegar, quais os nossos valores, eu carrego isso comigo como meu propósito de vida e quero mudar o mundo. Já tive várias profissões e nada me satisfez tanto quanto isso.

4.    Os exercícios são praticados ao ar livre. Qual a maior diferença (e vantagem) em relação a fazer os mesmos em ambientes fechados? Hoje com a correria do dia a dia, muitas pessoas têm optado por praticar exercícios em casa mesmo, por meio de aulas no Youtube e outras redes sociais, como Facebook e Instagram. Você acredita que isso será uma tendência? As academias precisarão se adequar a uma nova realidade?

As academias já estão se adaptando a uma nova realidade. Você pode perceber que máquinas estão saindo para dar espaço a atividades funcionais, aulas individuais no espaço de aulas em grupo. A Mahamudra chegou pra revolucionar tudo isso. Pode ver que há 5 anos atrás não tinha pessoas levando seus personais pro parque ou os personais levando seus alunos para o ar livre e hoje você vê várias atividades no parque. Nós tivemos um papel importante nessa revolução. A ideia é mostrar pras pessoas que ela são auto-suficientes, que se elas não estão na aula, elas podem fazer no parque, na praia, convidar amigos pra fazer em casa e aproveitar pra bater papo, dar risada. No Brasil só se encontra os amigos na balada, no bar, bebendo cerveja e comendo coisas nocivas. Atividade ao ar-livre é isso, trazer esse contato com a natureza, com o eu e tirar as pessoas da caixa, principalmente em São Paulo onde tudo começou.

5.    Há uma discussão em que muitos defendem a ideia de que cada vez mais as pessoas sofrem com a pressão estampada nas redes sociais, principalmente, de corpos sarados e perfeitos. A busca pelo corpo perfeito tem levado muitas pessoas a buscarem dietas milagrosas e um cotidiano de exercícios pesado ou mesmo a ficarem mais deprimidas, com o pensamento ‘Eu não vou conseguir nunca ficar assim’. Como vocês têm trabalhado para que seus seguidores fujam desses dois extremos? Há uma preocupação dos praticantes em propagar por meio de suas redes sociais, por exemplo, o método?

A ideia do livro foi um pouco isso. Eu percebi que pelas pessoas terem bons resultados com o físico, elas postam nas redes sociais e ai cria essa idealização de que para o sucesso existe um corpo perfeito por trás, é algo que acontece no mundo inteiro. Se você posta foto de um projeto social ninguém curte, se posta uma coisa superficial todo mundo curte. As pessoas tinham uma ideia errada do Mahamudra. Se postam seus resultados é por vontade delas, mas o livro ta ai pra esclarecer o que é Mahamudra, os conceitos, são trinta páginas e se alguém falar que não sabe o que é, é por que teve preguiça de ler.

6.    Qual a sua dieta atual? Pode contar um pouco da sua rotina, como faz para praticar os exercícios, alimentar-se direito e cuidar dos afazeres diários?

Eu sou um cara que testo as coisas que eu aprendo, testo diferentes ciclos de sonos, de dietas, de tudo isso. Eu não acredito em radicalismo, em dietas que sirvam para todo mundo. Inclusive agora eu to testando ficar sem fazer dieta alguma, só mantendo com exercícios físicos. Eu usei uma estratégia em que eu comia 80% de coisas que prestam e 20% de coisas não saudáveis e deu super certo. A dieta é de acordo com meus objetivos no momento. Se eu vou fazer uma prova de triatlo eu faço uma dieta que me prepare para a competição. Se eu vou fazer alguma campanha publicitária, eu diminuo os carboidratos pra ficar com um corpo legal. Existem diversas que funcionam, mas precisam ser combinadas com um estilo de vida saudável e uma rotina de exercícios.

7.    Todos os dias somos bombardeados por informações a respeito de dietas milagrosas, famosas (os) que emagreceram rapidamente por meio delas. Você poderia dar alguma dica do que não pode faltar no nosso prato no dia a dia e o que deveria ser banido imediatamente?

Tudo aquilo que é artificial, que é meio que de plástico, que você sabe que não é natural, você deve banir. Coisas muito industrializadas, artificiais, isso tudo vai fazer mal pro nosso corpo. Existem pesquisas e pesquisas que mostram que quando esse tipo de comida surgiu no mercado, aumentaram os indicies de colesterol, HDL. É voltar no tempo, a gente sempre viveu comendo frutas, verduras, grãos e do nada pela pressa e praticidade a gente passou a comer um monte de porcaria. Então é isso, cortar fritura, excesso de doces, coisas oleosas, isso ai já vai fazer um bem danado.

8.    Você cita no livro que a mente é a ferramenta mais poderosa do mundo. Muito das nossas conquistas e fracassos partem da nossa cabeça. Na sua avaliação, o que mais contribui para que nossa mente se torne um obstáculo em nossas vidas?

O que mais contribui pra isso é a falta de consciência. No ocidente a gente não aprende sobre a mente, sobre meditação, sobre o que é consciência, como trabalhar nossos campos energéticos, vibracionais. O grande obstáculo é isso, a falta de consciência. Uma vez que você lê meu livro, vai a uma palestra, faz uma aula de yoga, é nítido esse ganho de consciência. Você vai começar a trabalhar as emoções, se perguntar por que você ta tendo esse tipo de pensamento, por que essa vontade se é coisa sua ou imposição da sociedade.