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Jovem cria blog sobre música erudita no Norte

Blog 'Concerto Amazônico' é criação do universitário Lucas Vítor Sena e visa divulgar programação erudita da região 06/09/2017 às 14:05 - Atualizado em 06/09/2017 às 14:05
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Orquestra Amazonas Filarmônica em apresentação da série 'Guaraná', um dos destaques apontados por Lucas (Foto: Divulgação)

Por Juan Gabriel

Manaus abriga há longos 120 anos o Teatro Amazonas. A célebre construção renascentista, cartão postal da cidade e parada obrigatória de quem passa pela capital, traz na história incontáveis apresentações, grande parte delas formadas por óperas. Por trás do palco, o universitário Lucas Vítor Sena tinha ali o seu escritório. Estudante de Jornalismo, estagiou por quase dois anos no local. 

De lá, assistiu a concertos como “Médée”, de Luigi Cherubini e percebeu o quanto a música erudita pode ser apaixonante. Percebeu também que boa parte da imprensa fora da região sequer sabia o que se passava lá, e foi então que em agosto deste ano decidiu criar o blog “Concerto Amazônico”, disposto a divulgar o cenário da música erudita não só de Manaus, mas de toda a região Norte.

Segundo Lucas, a origem do blog veio do inconformismo ao perceber que seus sites favoritos sobre o tema abrangiam pouca coisa além do eixo Rio-São Paulo. Até então, o fato não passaria de uma simples reclamação no Twitter. Porém, um amigo, ao ler o comentário, resolveu instigar a ideia: “Pensei, a gente tem uma casa onde se faz ópera, temos três orquestras, vários grupos locais, corpo de balé e não isso não é visto fora daqui. Fui desabafar no Twitter e um amigo respondeu ‘tô esperando tu criar o teu’, aí eu me senti desafiado e criei”, conta Lucas.

O projeto ainda é recente e conta - até o fechamento desta edição - com três publicações. Junto ao blog, Lucas também criou uma página no Facebook, onde pretende fazer uma extensão do que publica no site. Por conta do pouco tempo de funcionamento, ainda não há uma periodicidade definida. “Quando eu tenho tempo e me dá na cabeça eu coloco. Ando sempre com uma agenda do que vai rolar e isso me ajuda muito”, ressalta o jovem.

“Quando você fala de música de concerto, é preciso abranger tudo. Eu falo sobre Manaus, Belém, dos teatros, orquestras, mas acredito que existam outras coisas. Se chegar coisa de Porto Velho eu vou falar, de Boa Vista, Macapá, Rio Branco, Palmas, eu vou falar por que falta valorizar isso aqui no Norte e é papel nosso, de quem trabalha com cultura, o de divulgar. E ninguém melhor pra falar da nossa música que nós que estamos aqui”, salienta o escritor.

Paixão pelo erudito

Pianista desde a infância, Lucas é atualmente regente do coral da Igreja Adventista Central de Manaus. Apesar disso, as portas da música erudita eram até então algo indiferente. Viu no jornalismo cultural uma forma de aliar o amor pela profissão com o hobby que o acompanha desde cedo, e foi então que viu o gênero ganhar espaço no seu gosto. 

“Quando comecei a trabalhar com cultura de fato, acho que um mundo novo se abriu pra mim, ouvi músicas que nunca havia ouvido, como Rossini, Belini e vários outros compositores. A música erudita me acompanhou e passei a gostar mais de um tempo pra cá, me apaixonei”, conta.

Destaques do Norte

A riqueza cultural da Amazônia tem na ópera um fator primordial. Por anos, durante a Belle Époque, o Teatro Amazonas e o erudito andaram lado a lado. O resultado se reflete no presente e se mantém relevante. “Aqui no Amazonas, há 20 anos, fazemos o Festival Amazonas de Ópera. Somos o único teatro do Brasil que fez a trilogia completa do ‘Anel do Nibelungo’, em 2005. Foram quatro óperas, 16 horas de músicas, então é relevante”, frisa Lucas.

Entre os destaques da região, Lucas cita três. “A priori, eu posso destacar os festivais de ópera, inclusive o do Theatro da Paz que está rolando. Eles já apresentaram várias óperas de peso na música sinfônica mundial. Temos a série ‘Encontro das Águas’, que não é musica erudita, mas um diálogo entre linguagens diferentes da música, e a ‘Série Guaraná’, um projeto da Amazonas Filarmônica com a Orquestra de Câmara e outros corpos artísticos, que faz música de concerto o ano inteiro, toda quinta-feira”, pontua.