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Pesquisa inédita revela percepção dos brasileiros sobre o câncer

14/11/2017 às 14:06 - Atualizado em 14/11/2017 às 14:10
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Fé um fator importante para a população, aponta pesquisa (Divulgação)

Rosiel Mendonça*
rosiel@acritica.com

RIO DE JANEIRO - Hoje o câncer é a segunda maior causa de mortalidade no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e acredita-se que até 2030 ele será a primeira, superando as doenças cardiovasculares. Diante desse cenário, médicos e especialistas concordam que educar e orientar as pessoas sobre a importância da prevenção pode salvar vidas. É para planejar melhor ações desse tipo que a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) realizou uma pesquisa inédita para mapear a percepção dos brasileiros sobre o câncer.

Mil e quinhentas pessoas foram entrevistadas em todos os Estados do País, e dentre os fatores observados estão o conhecimento, o comportamento e as crenças da população em relação à doença.“Com o envelhecimento médio do brasileiro, que já tem expectativa de vida superior a 75 anos, tem se tornado cada vez mais importante entender a sua relação com o câncer e avaliar de que maneira os hábitos e estilo de vida do nosso povo são transformados em atitudes proativas para o combate da doença”, comentou o presidente da SBOC, Gustavo Fernandes, durante a apresentação da pesquisa no I Workshop de Jornalismo sobre o Câncer no Brasil.

De modo geral, o estudo revelou que o brasileiro ainda não está profundamente familiarizado com o câncer. No Amazonas, os dados mostram que 13% da população admite não conhecer nada sobre a doença, enquanto 17% diz conhecer muito (quase 1 a cada 5 amazonenses). Em contrapartida, mais da metade (53%) da população local declarou ter muito medo da doença, embora 1 a cada 4 amazonenses (27%) não realize exames preventivos.

No panorama nacional, a televisão, os amigos e familiares surgem como as principais fontes de informação sobre o câncer no Brasil, gerando mobilização em torno das variações da doença mais divulgadas: câncer de mama, próstata e pulmão. Segundo o diretor de comunicação da SBOC, Dr. Cláudio Ferrari, a falta de informação maciça sobre outros tipos gera um desconhecimento sobre sintomas importantes da doença, que permitiram sua identificação precoce, como sangue nas fezes e na urina, perda de peso ou dor no estômago.

“Essa estatística reforça a importância da realização de grandes campanhas informativas e educacionais, uma vez que os tipos de câncer mais reconhecidos são aqueles alvos de ações como o Outubro Rosa e o Novembro Azul. Mas é preciso desenvolver estratégias similares para os outros tipos da doença que têm alta incidência no País, como o câncer colorretal e colo uterino”, afirma.

Hábitos e crenças

Outra questão levantada pela pesquisa está relacionada à percepção quanto às mudanças de hábitos que podem evitar o câncer. Nessa categoria, os amazonenses acreditam que evitar o consumo de produtos industrializados (90%), evitar o cigarro (87%) e praticar exercícios físicos (77%) ajudam a reduzir os riscos de aparecimento da doença. Mas, quando perguntados sobre o que efetivamente colocam em prática, apenas 60% dos entrevistados evita a ingestão de industrializados, 77% evita o cigarro e 57% pratica exercícios físicos.

Em relação às crenças, 80% dos brasileiros acreditam ser possível vencer o câncer – a maioria atribui a cura à medicina, mas a fé também tem participação importante para a maioria da população (78%). No entanto, é motivo de preocupação para os especialistas a porcentagem de pessoas que diz acreditar nas terapias alternativas como caminho para a cura. “Não dá para ter uma postura de enfrentamento completo às terapias alternativas. Hoje o médico é resignado quanto a isso. Temos que manter uma postura acolhedora ao paciente e perguntar se o que ele está procurando por fora conversa de alguma forma com o tratamento da medicina”, afirma o Dr. Gustavo Fernandes.

Por outro lado, o Dr. Eduardo Weltman, presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia, reconhece o papel da fé como promotora da qualidade de vida entre os pacientes em tratamento. “Alguns hospitais já adotam serviços como acupuntura e relaxamento, que não interferem no transcurso da doença, mas trazem bem-estar”.

* O jornalista viajou a convite da organização do evento