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São Paulo Fashion Week: tendências na moda e no mundo digital

20/03/2017 às 18:11 - Atualizado em 20/03/2017 às 18:25
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O tempo das marcas para apresentar suas coleções nesta edição parece ter o mesmo dinamismo que levam os produtores de conteúdos de redes sociais, em busca de atender o chamado da instantaneidade (Fotos: Agência Fotosite)

Por Lucy Rodrigues

As redes sociais vieram mesmo para quebrar as barreiras de tempo e espaço, transformando a maneira como as pessoas se relacionam, comunicam e compram. Foi de olho nessas constantes mudanças globais, de relacionamento e comportamento, que a São Paulo Fashion Week iniciou sua edição de número 43.

É a vez do “see now, buy now”, em que as peças apresentadas têm de estar disponíveis logo após ou, pelo menos, dias depois dos desfiles. Por conta disso, algumas marcas importantes como Ronaldo Fraga, Helô Rocha, Reinaldo Lourenço, Iódice e Glória Coelho, não desfilaram nesta temporada, causando burburinho na imprensa especializada.

As apresentações das marcas e coleções  acontecem no mesmo ritmo de trabalho dos profissionais de imprensa que cobrem o evento. Criatividade e imediatismo são fundamentais para atender ao chamado e adesão do público. Nas palavras do produtor e idealizador do evento Paulo Borges "Os desfilles são hoje mais importantes do que nunca porque além de serem uma fonte direta de conteúdo e informação, são uma comunicação poderosíssima para gerar desejo e recall imediato da marca". 

Durante cinco dias, 31 marcas apresentaram suas coleções para o Inverno 2017 na bienal e em locações da capital paulista.  Acompanhamos quatro dias de evento e destacamos alguns looks e tendências:

 

Bem mais comercial, a Animale apresentou uma coleção inspirada na Itália, trazendo para o dia-a-dia da mulher brasileira referências de Florença, Veneza, Roma, Costa Amalfitana e Milão, a cidade mais explorada pelo estilista Vitorino Campos. As peças têm recortes geométricos, assimétricos e despojados, com estampa de cobra (nas bolsas e em detalhes em paletós e barras de calça de alfaiataria), maxijoias, transparências e bordados em tweed. Muitas peças que casam, inclusive, com o clima amazônico.

 

Os volumes assimétricos, com uma cintura marcada, brilhos, transparêcias e veludo, em uma pegada anos 80 foram as apostas de Lilly Sarti para a sua coleção. Os tons de rosa, vermelho, vinho, cobre e dourado compuseram a cartela de cores das peças, nada minimalistas.

 

Apesar das cores frias como azul, cinza mescla, roxo e grafite predominarem na cartela de cores de todas as coleções de inverno, outros tons mais quentes como vermelho, laranja, amarelo e verde apareceram, trazendo constrastes interessantes e inusitados. Foi o caso a Osklen  que apostou em moletons,  parkas e anoraks oversized nos  tons cinza mescla, preto, contrastando com bolsas, sapatos e  acessórios em  amarelo, azul royal e laranja. 

 

Também com inspiração oitentista, no segundo dia, o desfile de Vitorino Campos foi muito elogiado e, entre as tendências marcantes o decote profundo em "V", as meias-calças com sandálias abertas, bastante cortes assimétricos, além de xadrez coloridos e listras.  

  

A Ellus em seu desfile de 45 anos fez um resgate dos clássicos de sua trajetória e ícones como a jaqueta de couro, o coturno e o jeans. A eles somaram-se peças com ares românticos, a exemplo dos vestidos e blusas vitorianas, estampas florais e animal print em vermelho. Nos acessórios, o clima fetichista e rocker, DNA da marca, com chockers de couro, acessórios com correntes e detalhes com franja de metal.

Ainda na pegada streetstyle, Patbo apresentou coleção que teve forte influência do grafite e do hip hop norte-americano, com moletons, bonés macacões e outras peças esportivas, mescladas às pedrarias, veludo, transparência e lindos bordados que são marcas da estilista Patricia Bonaldi.

Em seu ateliê, a experiente “estreante” Alessandra Affonso Ferreira (ex-Isolda) apresentou a primeira coleção da Sissa, intitulada Mombassa Dendê e inspirada no casamento de seus pais na África. Em vez de desfile, uma apresentação dos modelos, a maioria longos, com tecidos finos e belas estampas florais. Cerca de 16 mil biscoitos de polvilho fizeram parte da decoração do espaço.

Conhecido por seu trabalho minucioso e conceitual, Lino Villaventura encerrou a noite do segundo dia de desfiles levando para a passarela uma mistura do grunge e do luxo, em peças que brincaram com o visual dark e a desconstrução. Os primeiros looks apresentaram um mix de alfaiataria com shapes esportivos, em peças de visual mais simplificado. 

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Seja na moda, na imprensa, ou em qualquer outro setor, precisamos buscar um “caminho do meio”, conciliando a rapidez e a agilidade com a necessidade de reflexão, de parar para respirar e contemplar a beleza do Parque do Ibirapuera, por exemplo, onde a maior parte dos desfiles da SPFW foi realizada. Por aqui seguimos na correria dos posts e matérias, mas sempre lembrando de que quem faz o tempo e quem cria o futuro somos nós.