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Ai de ti...

Artigos de Domingo - 8 de Outubro de 2017 07/10/2017 às 00:00 - Atualizado em 07/10/2017 às 17:16
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Estamos em Outubro, mês de aniversário de Manaus, que completa 348 anos em 2017. Tudo começou em 1669, com a criação do forte de São José da Barra do Rio Negro, sede da Capitania e que deu origem à Capital. Como não existem registros históricos sobre a data correta da edificação da fortaleza, convencionou-se o dia 24 de Outubro como aniversário da cidade mas, na verdade, o dia faz alusão à sua elevação à categoria de Vila, em 1848. Acaba sendo tudo um grande arranjo histórico.

Celebrar aniversário pressupõe festa, comemoração, entretanto talvez tenhamos muito mais motivos para refletir, que para comemorar. A começar pela situação dos imóveis de interesse histórico e suas cercanias – a maioria, uma lástima. Até mesmo a possível muralha do forte que nos deu origem, encontrada há anos numa escavação realizada pela Zanettini Arqueologia, acabou sendo soterrada pelas obras do porto privatizado de Manaus. E não se fala mais nisso. Nem nas relíquias supostamente descobertas, nem na situação do Porto, uma eterna briga judicial, onde só quem perde são os cidadãos.

Já falamos aqui dos vazios imobiliários facilmente visíveis em diversas zonas da cidade e da necessidade de políticas públicas para renovação urbana e estímulo à moradia. Mas o vazio talvez seja muito mais de cidadania. Durante a semana, caminhando pela Eduardo Ribeiro, à luz do dia, dava pra ver de tudo: rede armada ao lado do Teatro Amazonas, gato em poste de iluminação para abastecer os carregadores de celulares dos flanelinhas… Flanelinhas que comandam o tráfego de veículos e os estacionamentos em espaços públicos, tanto no centro, quanto nas áreas de grande concentração comercial nos bairros.

Trânsito, transporte coletivo e mobilidade urbana caminham na mesma direção do muro das lamentações. Os cidadãos estão insatisfeitos, há muito, mas sequer se fala nisso. A cidade com o sexto produto interno bruto do País – sim, é Manaus, a sétima em população, centro da Amazônia, ainda procura onde está a riqueza produzida aqui. Em que mãos ela tem parado? Porque ela não se espelha em nossa rotina urbana, muito menos em nossa qualidade de vida. Falamos de uma cidade no centro da maior concentração de floresta tropical úmida do Planeta. E olhamos à nossa volta e pouco podemos reconhecer isso.

Aí de ti, Manaus, como diz o poeta, estamos em teu mês de aniversário, mas o que temos mesmo para celebrar? Que presentes tens ganho? Que tratamento estão dando para o teu povo? Comemoraremos o que? É tempo de reflexão e atitude! Não quero ser pessimista, mas tenho a impressão que ainda te tratam como vila! Nas palavras de Levi Strauss: “Aqui tudo parece que ainda é construção e já é ruína”. É o que temos pra hoje! #Pensa

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