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Artigos de Domingo - 03 de Setembro de 2017 02/09/2017 às 00:00 - Atualizado em 02/09/2017 às 22:08
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Essa semana um assunto me chamou atenção. Os taxistas decidiram instituir um novo serviço: o Taxi Compartilhado. Com rotas pré-estabelecidas e tarifa fixa por pessoa, para o percurso, os taxistas fariam viagens entre pontos estratégicos da cidade, com até quatro passageiros na viatura. É uma releitura do antigo “taxi-lotação”, agora ampliado em seus trechos e com equipamentos melhor qualificados. Pelo projeto, uma corrida entre a Cidade Nova e o Centro, por exemplo, custaria R$ 10,00, enquanto outros trechos, mais próximos, sairiam por R$ 5,00.

A ideia é ótima e só agrega valor ao serviço de transporte coletivo. O preço é acessível, é mais seguro que andar de coletivo, que sofre constantes assaltos e, sem sombra de dúvida, mais confortável e rápido. Também não deixa de ser uma forma correta de enfrentar a concorrência dos aplicativos de transporte em carro particular. Entretanto, a SMTU, que regula o transporte coletivo em Manaus, já se adiantou em dizer que essa modalidade é proibida por lei, que fará fiscalização e que apreenderá os veículos que estiverem nessa situação.

O que a SMTU talvez devesse lembrar é que, por exemplo, o Uber, que não foi regulamentado por lei municipal, coisa que já aconteceu em várias capitais do País, admite corridas compartilhadas. Se pro Uber pode, porque os taxis não têm esse mesmo direito? Baseado no tamanho da população, a própria SMTU limitava o número de placas de taxi em 4 mil – também era lei. E eu pergunto: quantos carros particulares estão fazendo transporte de passageiros por aplicativo? Aposto que ninguém sabe dizer! Pois é, pra se ver que é preciso encarar a cidade sob uma nova ótica, menos burocrática e legalista, mais atual e equânime para todos.

Há quem aposte que a pressão contra o Taxi Compartilhado venha dos empresários do transporte coletivo, justamente pelo valor das tarifas, que chegam a ameaçar seus serviços. Os ônibus tiveram dois aumentos de passagem bem recentemente, isso sem falar na quantidade de paralisações totais e parciais que assombraram, em menos de um ano, seus usuários. Sim, o Executivo Municipal precisa se preocupar com o transporte coletivo, mas com foco na melhoria de sua qualidade. Basta ir a uma parada ou a um terminal para constatar que a situação não é nada boa para o cidadão.

Com todo esse cenário confuso, vimos uma campanha desenvolvida no final do mês pela Prefeitura, para celebrar o dia 25 de Agosto, que parece ser uma data municipal instituída para celebrar o uso de bicicletas. Nos comerciais de rádio e televisão, largamente veiculados nas emissoras locais, o locutor dizia “várias pessoas estão trocando o transporte tradicional pela bicicleta”. Fiquei imaginando Manaus, uma cidade com condições adversas de conforto ambiental, onde seis meses chove torrencialmente, e outros seis o sol é causticante. Uma cidade em que as ciclofaixas não passam de uma pintura no asfalto – algumas delas coincidindo com a pista direita, justamente onde acontece o tráfego de ônibus. Mas naquela cidade, “várias pessoas estão trocando o transporte tradicional pelo uso da bicicleta”! Imaginei as pessoas chegando ensopadas, de suor ou de chuva, em seus locais de trabalho, que não possuem, boa parte, sequer vestiário. De que cidade aquela propaganda estaria falando mesmo? Por que de Manaus eu acho difícil! #Pensa