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Fingimento!

Artigos de Domingo - 17 de setembro de 2017 16/09/2017 às 00:00 - Atualizado em 16/09/2017 às 22:53
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Manaus, 14 de setembro de 2017, 14 h 45. Estou chegando no Centro da Cidade, mais precisamente na Avenida Eduardo Ribeiro, esquina com a Vinte e Quatro de Maio, no Edifício Palácio do Comércio. Em frente, um fato inusitado: pelo menos umas quinze pessoas empurram rapidamente, na mesma direção, carrinhos de supermercado e carrinhos de mão, repletos dos mais diversos tipos de mercadorias – meias e cuecas, verduras, salgados. Pela aparência, a grande maioria parecia migrante haitiano.

Na sequência, logo atrás, cerca de dez pessoas, de colete, andavam solenemente na mesma direção, pausadamente, como que fiscalizando e ameaçando, “pero-no-mucho” aqueles vendedores ambulantes. Uma cena de filme de comédia, de pastelão italiano sobre uma republiqueta empoeirada em algum lugar das Américas. Tudo isso, a uma quadra do Teatro Amazonas. Aliás, outro dia passei por lá, por volta das 13 h, e havia uma trabalhadora, bem em frente a uma banca de revistas, naquele mesmo trecho, exercendo seu ofício: “- Oi amor, quer namorar, quer fazer amor?”.

Fui ao prédio fazer o que eu tinha que fazer, desci depois de umas duas horas e meia, e a cena havia voltado ao normal: o vendedor latino de saltenhas, o moço da melancia e do abacaxi gelado, um carrinho de supermercado com café. Não vi mais os haitianos, mas não sei se eles costumam ficar ali nos finais de tarde, ou se se deslocam para outro ponto da cidade. Os carrinhos de mão deveriam estar todos na parada de ônibus do Colégio Militar, na Epaminondas, perfilados, como se fosse uma feira livre – esse costuma ser o procedimento. Mas não me dei ao trabalho de conferir.

Como tudo havia se normalizado, sinal que aquela fiscalização de nada adiantou – já não adianta há muito! Essa ocupação indevida do espaço – que já foi bem pior, é verdade, e dá ares de que volta a se agravar – aponta para um problema social que precisa ser encarado seriamente. Mas estamos naquele jogo: o poder público finge que faz alguma coisa e a gente finge que acredita que é sério. É certo que a simples repressão não resolverá, é preciso envolver serviço social e uma série de outras providências. Entretanto, às vésperas de um ano supereleitoral, com presidência, senado, câmara federal, executivo e parlamento estaduais na berlinda, tenho a séria impressão de que nada acontecerá, a não ser o fingimento.

Dizer o que? Que tenho vergonha daquilo estar acontecendo num dos espaços de maior interesse turístico da cidade? Sim, tenho e muita. Dizer que não sei como resolver, mas que existem pessoas que precisam ser tratadas como cidadãos? É verdade. Dizer o que mais? Não sei! Talvez precisemos parar de fingir que acreditamos naquilo que o executivo municipal finge fazer! Talvez adiante, afinal eles vivem de voto! #Pensa