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Crônica de Domingo - 29 de Outubro de 2015 29/10/2017 às 09:39
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Desde junho me envolvi em um novo projeto profissional. Um convite para algo que pareceria ser uma atividade simples, num segundo expediente, acabou se configurando em um desafio profissional de grandes proporções e consequências. E para alguém como eu, que já passou da curva dos 50, desafios devem ser sempre considerados e bem vindos. Sair da zona de conforto, da mesmice e da acomodação sempre dão novo ritmo e proporcionam nova dinâmica à rotina. Acabam de transformando em uma espécie de fonte da juventude, nos mostrando que estamos vivos e produtivos.

O grande problema é quebrar paradigmas, padrões que repetimos há muito para imprimir uma nova forma de ver aquilo que sempre fizemos. E assim eu sigo, me adaptando a um novo padrão jornalístico para ir ao ar. Não tem sido nada fácil. Mas outro dia, numa discussão de linha editorial, me vi gostando do novo e satisfeito. Discutíamos quem tem a prioridade das sonoras – aqueles áudios de alguém falando sobre o assunto da matéria. E o exemplo foi sobre greve no transporte coletivo – só em 2017 já tivemos 62 paralisações de janeiro a setembro, segundo dados do Sinetram.

Os profissionais que vieram nos treinar, questionados sobre a questão, fizeram a seguinte pergunta: “vocês tem uma greve de ônibus em Manaus, e tem que fazer uma matéria ou uma entrada ao vivo sobre o assunto, com espaço para apenas uma sonora, quem vocês colocam no ar?”. Nos entreolhamos e nos perguntamos em silêncio e eles continuaram: “quem é o principal prejudicado com a greve?”. “O povo”, respondemos em coro. E eles concluíram “então é a população que tem que ter direito à voz, seja aquela que não conseguiu pegar o coletivo, aquela que ficou pelo meio do caminho ou aquela que, de carro, ficou parada no engarrafamento provocado pela greve”.

Não é que não devamos ouvir os sindicalistas e o poder público, para compor a matéria. É obrigatório fazê-lo e colocar os argumentos de ambos. Mas a prioridade é abordar a matéria pela ótica do cidadão, daquele que vive o problema. Acabamos fazendo o mesmo exercício em diversas outras pautas e percebemos o quão importante é fazer essa inversão: focar no cidadão, a quem se destina a notícia, a informação, sem perder os princípios do jornalismo. Ouvir aquilo só colocou mais combustível no motor do meu desafio, que nem de longe me estressa, mas só me alimenta.

Sou informação 24 horas por dia. Os assaltos a coletivos, que totalizaram 2.900 de janeiro a setembro, com uma média de 12 por dia no último mês. Os 25 mil gatos de energia registrados somente este em ano na cidade. As dificuldades em doenças medievais, como a sífilis. O drama dos imigrantes e refugiados. Tanta coisa que precisa ser vista pela ótica do cidadão, que no fim é sempre o maior atingido e o que menos tem direito a voz. Talvez precisemos fazer exatamente isso, em todas as áreas, ouvir quem interessa. Estamos tão cheios de coachs e especialistas que perdemos o link com aquilo que é mais essencial: a base. A resposta está nela. Simples assim! #Pensa