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O Velho e o Novo

Crônicas de Domingo - 22 de Outubro de 2017 22/10/2017 às 00:00 - Atualizado em 22/10/2017 às 09:32
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Não bastasse a corja que temos que enfrentar em nossa rotina, parece que andamos saudosos de bandidos do passado! Explico: conversando com dois jornalistas de outro estado, eles me falaram de uma modalidade criminosa muito comum em pequenas cidades do Nordeste e do interior de São Paulo: o “Novo Cangaço”. Numa alusão aos cangaçeiros que povoaram a caatinga nordestina e que amedrontaram as populações daquela área, novos bandos se formam para assaltos ao estilo daqueles antigos, mas numa roupagem contemporânea.
Em grandes grupos, armados de fuzis e outras preciosidades bélicas até os dentes, vestidos com roupas militares e coletes à prova de balas, eles invadem pequenos povoados, saem atirando para todos os lados, invadem a delegacia, fazem reféns os poucos policiais e alguns moradores e assaltam as agências bancárias e outros pontos lucrativos. Há casos em que eles derrubam toda forma de comunicação da cidade antes de a tomarem. Transportados em comboios de caminhões e carros de grande porte, eles são o terror daquelas regiões!
Assustador de se ouvir falar! Para se livrarem de qualquer ação policial, os novos cangaçeiros fazem verdadeiros cordões humanos para se protegerem durante a fuga. Um retrato do momento atual do Brasil, que romantiza bandidos de antigamente, cobre de valores e cultua como ícones de resistência figuras do tipo de Lampião, Maria Bonita e Courisco, ou mesmo os traficantes que ditam a justiça nos morros cariocas. Mas isso não deve soar estranho para quem resolve votar em bandidos conhecidos, reincidentes, publicamente declarados... mas ainda assim eleitos e reeleitos, capazes de comover multidões e até mesmo de se converter em sacerdotes religiosos e fenômenos de mídia! Entre Lampião e seu bando, essa gente “respeitável” e bem vestida e o “Novo Cangaço”, é difícil saber quem é mais nocivo!?
De qualquer forma, aquilo que desconhecemos sempre assusta mais! Num bate papo com o Mauro Sposito, uma das maiores autoridades em segurança pública da região, falei para ele sobre a tal nova modalidade e me declarei tranquilo por essa ser uma realidade distante de nós! Qual não foi a surpresa quando ele me disse: “Você é que pensa, não lembra daquele assalto a uma agência bancária na Compensa, em que os bandidos fecharam a Avenida Brasil com caminhões?”. Lembrei na hora das notícias publicadas em toda a mídia! E ele continuou: “pois é, aquilo já é um reflexo, aquilo e muitos outros episódios”. Pelo visto, estamos cercados! Os inimigos estão na sala de visitas! #Pensa