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Pitaco

Artigos de Domingo - 26 de Novembro de 2017 26/11/2017 às 00:00 - Atualizado em 26/11/2017 às 07:36
Show eg pcia

Durante a semana, o Banco Mundial entregou aos ministros brasileiros da Fazenda e do Planejamento um relatório sobre o atual quadro da economia nacional. O documento de 15 páginas, que tem o nome de “Um Ajuste Justo”, declara que o país gasta mais do que arrecada e emprega recursos de maneira pouco eficiente. Entre as conclusões dos especialistas daquela instituição financeira, uma em especial merece a atenção de nós, amazonenses.

Em determinado trecho, a Zona Franca de Manaus é listada, junto com o Simples Nacional, o  programa de desoneração da folha de pagamentos, o Inovar Auto e o Programa de Sustentação do Investimento como estratégias que não aumentaram a eficiência da economia brasileira e, portanto, sua eliminação não traria prejuízos e poderia trazer uma economia de 2,03% do PIB para o governo federal. Numa tradução mais objetiva, isso significaria dizer: “Acaba logo com esse troço que ele não serve pra nada, só dá prejuízo”. Exatamente assim.

A surpresa que o relatório me causou foi tão grande quanto o espanto que tive com a repercussão dele, em termos locais: quase nenhuma! Estão mandando acabar com o Polo Industrial de Manaus e assunto pouco foi comentado, tanto pelas mídias, quanto pelas autoridades e lideranças representativas. Não sei dizer se é uma estratégia do tipo “a gente finge que ele não existe, que passa”!? Mas se for, não tenho dúvida de que estamos errados em ignorá-lo e não o contraditar.

Ficar com “o rabinho entre as pernas”, ou “fazer a egípcia”, fingindo que não é conosco, não nos ajuda em nada e nos rouba a oportunidades de sermos protagonistas de um assunto que é de nosso interesse. Manaus e o Amazonas respondem, sozinhos, por aproximadamente 60% de tudo que é arrecadado em impostos federais na Região.

Somos, das 27 unidades da Federação, uma das doze que são pagadoras de impostos federais, ou seja, pagam muito mais do que recebem de volta. E essa proporção aqui é alta – recebemos 50% a manos do que enviamos aos cofres da União. O vizinho Pará, por exemplo, recebeu 70% a mais daquilo que arrecadou ao Governo Federal. Aliás, na Região Norte, somos o único em que essa relação é desfavorável.

Não fosse a ZFM um projeto lucrativo e superavitário, Manaus não seria o sexto Produto Interno Bruto do país e o Amazonas não ostentaria os melhores índices de preservação ambiental da Amazônia. O modelo Zona Franca é um investimento no desenvolvimento da Região e no meio ambiente. Mas o Banco Mundial acha que não. Assim também como considera o Simples Nacional outro desperdício. Com a palavra, os pequenos empreendedores!

Não sou economista – minha formação acadêmica é em Direito e em Comunicação Social. Minhas especializações também estão bem distantes da área – gestão, projetos e comunicação de marketing. Mas sei ler e escrever. E sou daqui. Acho que está mais do que na hora de partirmos pra uma batalha saudável com esses argumentos contrários à ZFM. E mais do que isso: já passou da hora de encontrarmos alternativas sustentáveis ao modelo! “Fazer a egipcia” ou ter uma atitude “avestruz”, e enfiar a cabeça no chão, não resolverá nada! #Pensa