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Preguiçosos, Burros e Imediatistas

Artigo de Domingo - 05 de Junho de 2016 04/06/2016 às 00:00 - Atualizado em 04/06/2016 às 23:02
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Temos a maior fauna ictiológica do Planeta!!!!

Uma lei de autoria do Executivo Estadual, Lei Ordinária 79/2016, que disciplina a atividade de aquicultura no estado do Amazonas e dá outras providências, causou polêmica na área de Meio Ambiente. O dispositivo, que já está em vigor, libera o cultivo de espécies exóticas, a possibilidade de barramento de igarapés, autoriza empreendimentos em Áreas de Preservação Permanente (APPs), quando de “interesse público”, entre outras coisas.

A confusão foi tão grande a ponto do Ministério do Meio Ambiente emitir nota à imprensa, afirmando que a legislação “traz a iminência de mais um episódio de retrocesso na área ambiental do país”. O MMA esclareceu ainda “que a introdução de espécies não-nativas tem induzido a um complexo processo de degradação dos ecossistemas, de forma comprovada, com vários exemplos ao redor do mundo, sendo os casos de introdução de espécies de peixes para aquicultura alguns dos mais emblemáticos”.

E tudo isso aconteceu às vésperas de hoje, 5 de Junho, Dia Mundial do Meio Ambiente. A data merece uma reflexão de como estamos tratando nosso patrimônio, logo nós que adoramos arrotar o título de maior porção de floresta tropical úmida do planeta, com um índice de desflorestamento de apenas 2%, detentores da principal bacia de água doce do planeta, blá blá blá. Adoramos ser os maiores, inclusive muitas vezes em fazer besteiras.

Fico me perguntando o porquê da necessidade de introduzir peixes não nativos nos rios do estado, se já temos a maior fauna ictiológica da terra. Precisa? Não, né? Existem estudos sobre os peixes de fora, permitindo uma reprodução mais rápida e maior, com melhor produtividade. Aí, preferimos colocar nossas espécies nativas em risco, a realizar esses estudos. Uma ganância imediatista e burra, além de destrutiva.

A questão é grave a ponto da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) considerar que até a manutenção de espécies exóticas em tanques e outros sistemas fechados deva ser considerada como uma introdução intencional na natureza, devido à facilidade e à frequência de escapes. Traremos doenças desconhecidas e possíveis predadores aos nossos peixes nativos, e os colocaremos em risco de extinção.

Mas essa atitude tem sido historicamente costumeira por aqui. Basta olhar à nossa volta e perceber o que aconteceu com nossos igarapés. Se o Prosamim é um sucesso em termos urbanísticos – e ele o é, não se pode dizer o mesmo em termos ambientais, quanto ao saneamento de igarapés. A preocupação com a paisagem urbana superou infinitas vezes a vontade de recuperar a qualidade dos cursos dágua. Convivem, lado a lado, a beleza e o fedor.

Na Manaus dos rios Negro e Amazonas, dois dos maiores em volume dágua do mundo, milhares de pessoas ainda sofrem com a falta de abastecimento de água. Na capital da Amazônia, ostentamos um triste título, somos o segundo pior índice de arborização entre as cidades brasileiras com mais de 1 milhão de habitantes, de acordo com o IBGE. O pior é o de Belém! Dia 5 de Junho, Dia Mundial do Meio Ambiente! Temos algo a comemorar? #Pensa