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Remédio para quem Precisa!

16/04/2017 às 00:00 - Atualizado em 16/04/2017 às 22:11
Show show vigilancia
Aquivo A Critica

Comecei a semana às voltas com uma denúncia, que me foi encaminhada pelas redes sociais: a venda de medicamentos sem receita médica e sem comprovação da procedência da mercadoria, feita por ambulantes no centro de Manaus. A pauta parecia desafiadora e decidi apurá-la, na TV em que trabalho. Equipe completa – repórter, produtora, cinegrafista e motorista – seguiram ao centro, na tentativa do flagrante da atividade. Não tínhamos certeza se conseguiríamos, já que se tratava de algo obscuro, uma prática comercial absolutamente inusitada, que põe em risco a saúde da população.

Para nossa surpresa, após vinte minutos parados na Praça dos Remédios – não é um trocadilho não, é “dos vera” – surgiu o vendedor que se autointitulava “a drogaria ambulante falada”. E anunciava Torsilax, Amoxilina, Ass infantil, Sulfadiazina... E com garantia de validade da medicação. Tudo isso em sua caixinha de plástico transparente, que ele ostentava sem a menor necessidade de esconder. Nossa produtora perguntou se ele vendia inibidores de apetite, a grande maioria rotulado com tarja preta. Ele disse que não dispunha, mas que poderia encomendar.

Dado o flagrante, o repórter comprou uma cartela de Amoxilina, por R$ 5,00, para comprovar a transação. E o vendedor se gabava de que na farmácia só seria possível com receita médica, e a R$ 12, mais que o dobro. Como todo antibiótico, a medicação só poderia ser vendida sob estrita prescrição médica. Encerrada a abordagem, nossa equipe se deslocou até a Praça da Matriz, para ver se conseguia algumas outras imagens dessa relação de compra e venda nada tradicional. E lá, no dito popular, foi “o cachorro amarrado e o pau comendo”. Vários ambulantes praticavam a “marretagem”, com todo tipo de medicação.

A matéria redeu, pautou vários outros veículos e fomos até pra rede nacional. Ao longo da semana, acabamos indo dar umas “incertas” nos terminais de ônibus – choveu de denúncias que lá também seria comum a venda. Infelizmente, não flagramos ninguém, mas a população entrevistada garantiu que a prática era corriqueira. Houve até relatos em mercadinhos de bairro. Na sexta-feira, a Vigilância Sanitária fez uma blitz e prendeu apenas uma pessoa e se deu por satisfeita.

Fico pensando em quão absurda é a situação. Nos riscos que ela oferece à população – não sabemos se é veneno de rato, se é medicação vencida, ou se é fruto de desvios proporcionados pela corrupção. Mas ficamos sabendo, ao longo do trabalho, que é comum e feita há muito tempo. Todo mundo sabia. Mas ninguém fazia nada! Imagino que um dia encontraremos uma situação semelhante a essa, com venda de drogas ilícitas. E que também ninguém fará nada! #Pensa