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Vazios

Artigos de Domingo - 1º de Outubro de 2017 01/10/2017 às 00:00 - Atualizado em 01/10/2017 às 08:05
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Num papo dominical despretensioso em família, comentávamos a quantidade de imóveis desocupados no Vieiralves. Centros comerciais inteiros, em excelentes condições de uso, repletos de faixas de “aluga-se”. Os minishoppings, pelo próprio formato, evidenciam claramente a desocupação. Mas, com um pouco mais de atenção, esse vazio imobiliário no bairro também aparece em terrenos abandonados entre prédios e casas que nunca abrem suas portas.

A conversa prossegue e um de nós argumenta: “não é só no Vieiralves, é na cidade inteira ou, pelo menos, em muitos bairros; veja o centro, por exemplo”. Lembro de imediato que moro a uma quadra do Teatro Amazonas e que o entorno é uma tragédia: imóveis, os mais diversos, vazios, abandonados, invadidos, subocupados. Uma realidade presente em todo o centro, próximo ou não às áreas mais nobres.

Perto de casa há um imóvel que o proprietário pactuou com os moradores uma espécie de ocupação alternativa. Quem passa e olha a fachada diz que o imóvel está abandonado. Mas se você entrar, perceberá que ele tem quase todos os seis andares repletos de inquilinos, Aliás, numa localização que estou certo muita gente gostaria de morar. Nunca estive ali, mas um amigo me contou. E vejo de minha janela as luzes noturnas, os varais na varanda.

Começo a percorrer mentalmente a cidade e suas ruas, em outros trechos bem longe de minha moradia, e constato um vazio, até mesmo na Djalma Batista. Vocês já perceberam? Engraçado notar essa realidade e saber que Manaus possui um déficit habitacional expressivo. Entre nós, na reunião dominical de família, ficamos nos perguntando se a crise é a razão principal ou exclusiva dessa desocupação imobiliária, ao que concluímos que não. A cidade já dá sinais disso bem anteriores aos atuais indicadores econômicos.

Em nossa conversa sobre a cidade, chegamos à Cachoeirinha, um bairro bem localizado, próximo de quase tudo, mas que acabou perdendo seu vigor urbano. Já foi um corredor cultural. Hoje é também repleto de vazios. Um lugar bem propício à expansão imobiliária, uma possível zona de renovação urbana para a verticalização da moradia, mas onde nada acontece. Entre morar longe, num limite extremo da cidade, e morar mais próximo dos corredores comerciais e culturais, tenho certeza que as pessoas preferem a proximidade. Talvez fosse até mesmo uma solução para alguns problemas de mobilidade urbana e transporte público.

Continuamos nossas reflexões sobre a cidade, lamentando muitas coisas e buscando soluções. Concluímos que faltam políticas públicas que estimulem a renovação urbana desses bairros. Incentivo à ocupação com moradia, com dispositivos legais, descontos no IPTU, obras de melhoria nas áreas comuns. Há muito a ser feito. A cidade está vazia, vazia de políticas públicas! #Pensa