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Bestialidade humana e barbárie.

09/06/2016 às 10:17

“Não se cogita a repressão total das tendências agressivas do homem: o que podemos tentar é canalizar essas tendências para outra atividade que não seja a guerra”. (Sigmund Frued, neuropsiquiatra austríaco, 1856-1939, em frasesfamosa.com.br).

O fato ocorrido esta semana no Rio de janeiro envolvendo uma jovem de 16 anos estuprada por 33 homens causou repercussão mundial tanto para as entidades envolvidas com a questão, junto à imprensa e, principalmente, junto às pessoas ditas normais que ficam a se questionar como um ato bárbaro destes ainda acontece numa sociedade nominada de civilizada. Pergunta-se: isto é fruto da concupiscência humana, do excesso de progesterona animado pelas drogas, ou da degenerescência de nossa raça? Independente da tentativa de qualquer resposta, a verdade, se é que esta existe, é que nada justifica um ato insano destes. Lamentavelmente ocorrido em nosso país, já tão assolado por notícias ruins.
Os chamados crimes sexuais sempre foram tabus em nosso meio, pois a vítima de estupro ou assédio sexual, por exemplo, sempre se constrangeu em denunciar por ter sido vítima desses atos, até por que a sociedade machista e estratificada sempre admitiu intramuros a existência da chamada dicotomia: “Casa Grande e Senzala”, onde, segundo Gilberto Freire, o patrão vivia na Grande Casa com a família – constituída da mulher branca e família e utilizava a senzala para se refestelar sexualmente com a negra sensual, sem nenhum compromisso de ordem moral.
No Brasil muito já se avançou com a incriminação das condutas consideradas ilícitas neste campo, entretanto, como noutras situações, ainda há uma sensação e constatação de impunidade quando se trata da imposição de pena para o combate deste tipo e de outros ilícitos, havendo estatísticas que apontam uma não punição em torno de 94% dos casos. Neste, como noutros campos, há necessidade de instrumentação dos meios policiais – seja federal ou estadual, a fim de um melhor desempenho investigativo, assim como de persecução penal através do Ministério Público e do Poder Judiciário, até porque muitos crimes relacionados aos costumes, hoje, são cometidos pela rede mundial de computadores, como a divulgação de imagens de menores, por exemplo.
Neste caso específico tem se visto o envolvimento da sociedade e da mídia na discussão do ocorrido, com um clamor público justificado pela barbaridade cometida, merecendo, sem sombra de dúvidas, uma reprimenda exemplar pelo sofrimento físico e moral infligido à vítima menor, que teve sua condição feminina violada de forma brutal por aqueles meliantes que dela abusaram, não importando seu comportamento anterior ou o local onde encontrava-se, pois todos nós temos o direito dentro de nossa autonomia, desde que não estejamos cometendo ilícitos, de percorrer e frequentar lugares que nos agradem.
Talvez seja o momento de se buscar mudanças legislativas e estruturais para o enfrentamento deste fenômeno nefasto, porém, o que parece decisivo é a conscientização da necessidade de se combater com todas as forças esse malefício humano. Todos os movimentos até aqui postos em prática têm mostrado claramente a vontade coletiva de dar um basta nesta mazela humana.
Até o próximo.

Otávio Gomes.