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A força de uma mastigação correta

20/04/2016 às 15:09
Show rapido

Na minha vida (antiga) de gordinho convicto, sempre que possível eu almoçava ou lanchava num drive-thru, pela questão de comodismo e otimização de tempo, e comer enquanto dirigia se tornou uma das minhas melhoras habilidades. O mínimo que se pode esperar de alguém que cresceu com o hábito de comer na frente da televisão, prestando mais atenção no desenho que era transmitido do que no que colocava na boca. E assim fui levando... até iniciar este desafio. Uma das mudanças que implementei no início, após conversa com a endocrinologista, e pude logo notar a diferença foi a velocidade com a qual mastigo os alimentos. Antes, praticamente engolia a comida, com pressa tanto pela correria diária quanto pela fome avassaladora. Mas foi justamente essa minha paixão por uma "explosão de sabores" na boca que me fez perceber a real importância de comer mais lentamente - seguindo aquela velha reclamação de mães/tias sobre comer mais devagar. 

Mastigando com mais calma, sabores e texturas antes ocultos se revelaram (nem sempre fica mais gostoso, mas OK). Nem preciso dizer o quanto me surpreendi ao sentir gostos até então desconhecidos. Também fico satisfeito mais rápido e por mais tempo, fazendo com que eu coma menos. A sensação recorrente de "empachado" também não incomoda mais. Mas os benefícios vão muito além.

É pura ciência, na verdade: o cérebro precisa de cerca de 15 minutos para receber as mensagens do hormônio relacionado à saciedade e para nos informar quando já recebemos uma quantidade satisfatória de alimento. A sensação do sabor implica diretamente na saciedade e participa da regulação do apetite, já que existem conexões neurais entre os receptores de sabor na língua e no tubo digestivo e as regiões que regulam o equilíbrio calórico no cérebro. 

Quando se presta mais atenção no que estamos ingerindo, fica mais fácil perceber a hora certa de engolir, de dar uma pequena pausa e, principalmente, de parar de comer. A mastigação é a primeira parte do processo de digestão e é a enzima da saliva a responsável pela degradação do alimento, mas ela precisa de um tempo em contato com ele para exercer sua função. Mastigando muito rápido, eu não permitia que isso acontecesse.

Comer apressadamente, além de favorecer a má digestão, ainda pode levar a uma série de problemas como gastrite, úlcera e até mesmo as mais rotineiras como azia, refluxo e gases. Isso porque quando engolimos pedaços grandes e mal mastigados, o estômago tem que fazer um maior esforço para digeri-los. Já a mastigação certa beneficia os músculos da boca e língua. Ou seja, vamos com calma - literalmente!