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Cotidiano
centenário comemora

A celebração de 100 anos de história em família

A história de Raimundo Lopes Ferreira se mistura com a história do Amazonas na capital e no interior do Estado 16/01/2012 às 07:56
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Netos, filhos e amigos homenagearam seo Raimundo com 59 contos escritos por eles sobre fatos da vida dele
Jornal A Crítica Manaus

Ele trabalhou no telégrafo, foi gerente de seringal e no sábado, 14, completou 100 anos. Raimundo Lopes Ferreira é um dos poucos amazonenses que atingem o centenário com a lucidez própria da idade. Em comemoração à data, familiares e amigos escreveram um livro com histórias que registram fatos da vida de Raimundo e que se mistura com a história do Amazonas.

Raimundo nasceu em 1912, na Vila Floriano Peixoto, no município de Boca do Acre (a 1.028 quilômetros de Manaus). Filho de cearense, ele e a única irmã foram criados em Tefé ( 525 quilômetros de Manaus). Ainda jovem, perdeu o pai e teve que interromper os estudos para assumir a responsabilidade de mantenedor da família.

Trabalhou como fiscal da prefeitura em Tefé e no período noturno, praticava o código Morse, o que lhe proporcionou o emprego de rádio-telegrafista dos Correios e Telégrafos. É por isso, segundo a neta Camila Assayag, que até hoje, o “vovô centenário” utiliza as siglas aprendidas no trabalho, no dia-a-dia.

 “QRU, por exemplo, ele utiliza quando quer dizer falta de dinheiro”. Ainda como telegrafista, “seo” Raimudo foi transferido de Tefé para São Felipe, hoje chamado de Eirunepé (a 1.245 quilômetros de Manaus).

Foi em São Felipe que Raimundo conheceu Maria Alves Ferreira, com quem teve nove filhos. Já casado, assumiu a gerência do seringal Bom Jardim, pertencente ao seu sogro, no rio Juruá. Depois de três anos, voltou à profissão de rádio-telegrafista, no Serviço de Navegação da Amazônia e Administração do Porto do Pará (SNAAPP), vinculado ao Ministério dos Transportes, onde foi aposentado por tempo de serviço.

O segundo filho de seu Raimundo, Raimundo Lopes Filho, explica que o pai é um exemplo, pois, durante todos estes anos, solidificou sua existência no amor como base de uma boa relação com a mulher, filhos e netos. “O papai é encantador com essa idade. Lembra de fatos históricos, de como foi sua infância e, por isso, decidimos homenageá-lo juntando esse fatos, escritos por 59 familiares e amigos”, disse.

A vitalidade de seu Raimundo, segundo o sobrinho Sérgio Conceição, é proveniente de uma vida regada de alegria, mansidão e temperança. “O titio é prova do que está escrito no livro de Mateus: ‘bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra’. Ele chegou a essa idade porque soube aproveitar a vida e tirar dos momentos tristes, esperança para viver. Em todos estes anos nunca vi o tio Raimundo triste”.