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'A igreja está lutando', afirma Arcebispo de Manaus em entrevista

Durante 21 anos à frente da Arquidiocese de Manaus, dom Luiz Soares Vieira conquistou o coração dos fiéis, denunciou injustiças, incentivou a igualdade e agora se prepara para ser lembrado com carinho pelos amazonenses 14/12/2012 às 09:17
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Dom Luiz passará o “cajado” de pastor a dom Sérgio
ana celia ossame ---

O Arcebispo de Manaus, dom Luiz Soares Vieira, prepara-se para novas caminhadas ao deixar o cargo após renúncia obrigatória por conta da idade de 75 anos, que foram completados em maio. Com a nomeação do novo arcebispo, dom Luiz Sérgio Castriani, dom Luiz torna-se Arcebispo Emérito, mas promete não abdicar do trabalho pastoral de discutir, denunciar e trabalhar em defesa de uma sociedade mais justa e igualitária. A razão é simples. Nos 21 anos em Manaus, observou o crescimento do número de pessoas da cidade, que também cresceu economicamente, tornando-se a 6º com maior Produto Interno Bruto (PIB) do País, sem, no entanto, distribuir essa riqueza.

Dom Luiz passará o “cajado” de pastor a dom Sérgio em uma celebração marcada para 23 de fevereiro do próximo ano. Leia a entrevista:

Como era a cidade de Manaus quando o senhor foi nomeado arcebispo e que Manaus o senhor deixa após esses 21 anos?

Quando cheguei aqui, a Zona Leste era pequena, nem se compara com o que é hoje. Acho que existem ganhos e perdas com o crescimento, e posso dizer que houve mais ganhos com melhoria de vida das pessoas nos últimos anos. Mas isso poderia ser melhor se a riqueza da cidade, que é o 6º PIB do País, fosse distribuída com a população, mas temos grandes bolsões de miséria. Vejo a questão da violência e da droga como as mais preocupantes atualmente, assim como o tráfico humano, que naquela época, 1992, nem se falava.

Como o senhor avalia o crescimento da violência em Manaus?

O problema da violência não será resolvido com polícia. O povo se engana com isso porque dentro da polícia tem muita corrupção. Ela é fruto da sociedade, assim como as forças armadas. A polícia é só um componente. Temos que envolver toda a sociedade e todos os poderes para mudar a lei que solta os presos no dia seguinte. Os três poderes precisam falar a mesma linguagem, precisamos fazer um trabalho nas escolas, onde a violência já entrou por conta da droga.

O senhor acha que a corrupção é maior hoje?

Hoje os escândalos aparecem mais e devemos isso à imprensa investigativa, que se firmou no Brasil democrático, mas essa chaga sempre existiu. Vejo como importante o julgamento do caso do mensalão, pois achava que ia acabar sem punição aos culpados.

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