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Acusado de manter trabalho escravo em Barcelos, empresário nega, mas reponde na Justiça

Empresário Luiz Cláudio Morais Rocha, o 'Carioca', dono da Irajá Fibras Naturais da Amazônia, negou qualquer ligação direta com os piaçabeiros resgatados, em situação degradante, durante uma 'força-tarefa' 27/04/2015 às 10:15
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Segundo a procuradora do Trabalho Geisekelly Santana, o MPT ajuizou uma medida cautelar contra o empresário
Kelly Melo Manaus (AM)

Apontado como um dos responsáveis por manter um grupo de trabalhadores da extração de piaçava, em Barcelos, em condições análagas às de escravo, o empresário Luiz Cláudio Morais Rocha, o “Carioca”, dono da Irajá Fibras Naturais da Amazônia, negou qualquer ligação direta com os piaçabeiros resgatados em maio do ano passado, durante uma “força-tarefa” do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Ministério Público do Trabalho no Amazonas (MPT-AM) e Ministério Público Federal (MPF). O assunto foi destaque na edição deste domingo de A CRÍTICA.

De acordo com o MPT e MPF, as 13 pessoas resgatadas foram encontradas em situação degradante, pois não possuíam alojamento apropriado, alimentação adequeada nem pagamentos de salários regulares, além de outros indícios de trabalho análogo ao de escravo. Ao A CRÍTICA, o empresário alegou que não manteve nenhum vínculo empregatício com os trabalhadores e afirmou que apenas “vendia fiado” para eles. “Eu não sou dono daquelas terras nem eles eram meus empregados. Eles me forneciam a piaçava e eu vendia mercadorias fiado para eles. Estou sendo injustiçado”, disse o empresário.

Atualmente, Luiz Cláudio responde a duas ações, uma na Justiça do Trabalho e outra na Justiça Federal. Segundo a procuradora do trabalho, Geisekelly Bonfim de Santana, o MPT ajuizou uma medida cautelar contra o empresário para bloquear os bens dele, além de indenização por dano moral por todos os trabalhadores resgatados. No total, a dívida contraída pelo empresário, somando o pagamentos das verbas rescisórias e indenizatórias, chega a R$ 5,2 milhões. Mas o valor ainda não foi pago, visto que o processo ainda está em andamento.

“Ele não reconheceu os trabalhadores porque não queria se responsabilizar. O primeiro argumento sempre é dizer que não tem vínculo empregatício”, afirmou a procuradora.

No âmbito criminal, Carioca responde a uma ação penal, ajuizada pelo MPF, que também está em curso. A última movimentação no processo registra a apresentação de uma contestação por parte da defesa do empresário. Ainda não houve julgameno da ação, que tramita na 4ª Vara Federal. “A maioria da famílias de Barcelos dependem da cadeia produtiva da piaçava. No entanto, a dependência dessas famílias acaba financiando o enriquecimento de poucos que se beneficiam das condições precárias de exploração”, finalizou a procuradora Geisekelly Bonfim.