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Adail Filho afirma que o pai ter recebido salário mesmo preso e afastado não foi irregular

Aliados do atual prefeito de Coari, Raimundo Magalhães, temem que haja uma nova onda de violência no município 28/04/2015 às 19:39
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Adail Filho (à direita) afirma que pagamentos ao pai, o ex-prefeito Adail Pinheiro (à esquerda), foram legais
Maria Derzi Manaus (AM)

O empresário Adail Filho afirmou, nesta terça-feira (28), que "não há nada de irregular" no pagamento dos salários, por parte da Prefeitura de Coari para seu pai, o ex-prefeito Adail Pinheiro (PRP), que permanece preso em Manaus acusado de crimes de exploração sexual infantil.

Adail foi afastado do cargo em fevereiro de 2014 e cassado em dezembro de 2014. “Quando o meu pai foi afastado, a decisão judicial indicou que era para manter o salário dele, manter o status de prefeito. Ele estava apenas afastado. Está bem claro na decisão judicial que ele continuaria a receber os vencimentos. E, depois que ele foi cassado,  ele teria o direito de manter o recebimento dos vencimentos até que um novo prefeito assumisse”, afirmou Adail Filho.

A declaração do empresário veio em resposta às denúncias de que Adail Pinheiro continuou a receber o salário bruto de R$26 mil (líquido de R$19 mil). Após averiguações, a atual administração municipal encaminhou para o Ministério Público do Estado (MP-AM) o levantamento da folha de pagamento municipal, constatando o pagamento.

Segundo o levantamento expedido pela Casa Civil da Prefeitura de Coari no dia 23 de abril, Adail Pinheiro só deixou de receber os vencimentos nos meses de setembro e outubro de 2014.

Violência

A preocupação das autoridades é que denúncias sobre o pagamento irregular realizado a Adail Pinheiro podem gerar novos episódios de violência na cidade, que fica localizada a 362,84 quilômetros de Manaus. 

“Já temos informações de há pessoas preparando novas ações violentas sob a desculpa de serem oposição a atual administração. Mas, na verdade, temos conhecimento que são agitadores ligados ao Adail, que continua ditando ordens mesmo dentro da prisão”, afirmou o deputado estadual Luiz Castro (PPS). 

Para Luiz Castro, novas ações de violência na cidade, a exemplo do que aconteceu no início do ano, podem causar danos à população e transtornos reais para a segurança pública, apenas para encobrir as irregularidades do pagamento realizado ao prefeito cassado. “Essa situação demonstra que o quanto esse grupo criminoso ainda mantém poder e influência. Precisamos  com combater esse grupo criminoso, esse tumor perigosos na nossa sociedade”, disse.

Folha de março

Segundo o Secretário de Cultura do Município de Coari, Archipo Góes, que acompanhou a vistoria da folha, juntamente com os secretários de Comunicação e de Finanças do município, ainda há indícios de que o vencimento do mês de março foi parar no bolso de Adail Pinheiro.

“As investigações continuam. A gente ainda não tem como comprovar se ele recebeu o salário do mês de março, porque antes deles saírem, eles apagaram a folha integralmente. Os técnicos de informática estão fazendo o levantamento, mas só esse ‘ sumiço da folha’ já configura crime contra o patrimônio público”, disse o secretário, indicando que já foi aberto um inquérito policial para proceder as investigações. 

O secretário municipal de Comunicação, José Alberto Rocha, afirmou que já há conhecimento de novas articulações sobre possíveis atos de violência na cidade, gerados a partir de membros do grupo político de Adail Pinheiro.

"Na verdade ontem (27) já teve uma tentativa frustrada deles de começar uma confusão. Não somos contra o ato de se manifestar, desde que seja pacificamente.  Nós tivemos acesso a uma gravação de uma reunião de articulação em que, cerca de 30 a 40 pessoas, motivados pelo grupo político dele estavam combinando de atear fogo em postos de gasolina e em casas. Nós registramos um boletim de ocorrência sobre isso”, disse o secretário.

José Roberto disse ainda que o fato da administração anterior ter apagado a folha de pagamento de março do funcionalismo municipal causou atrasos no pagamento da folha de abril.

“Os arquivos com a folha do mês de março foram deletados do sistema e quando conseguimos recuperar, o arquivo estava corrompido. Isso causou um entrave, mas já conseguimos regularizar a situação e a folha de abril já está pronta. Estamos apenas aguardando a liberação dos recursos no Banco do Brasil para proceder o pagamento. Assim que o banco liberar, vamos começar a pagar pela secretaria de educação do município”, disse.