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Cotidiano
ADVOGADOS RECORREM

Advogados da família de prefeito assassinado em Maraã contestam ação do TJ-AM

Para os advogados da família de Lopes, o processo foi prejudicado e eles pretendem recorrer da decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) nos próximos dias. Para os familiares, Magno é o verdadeiro mandante da morte Lopes, mas para a justiça, a família não tem legitimidade pedir a prisão dele 18/04/2016 às 11:11
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Cícero Lopes foi assassinado no momento em que entrava na sua casa (Foto: Reprodução)
Kelly Melo Manaus (AM)

Os advogados da família do prefeito de Maraã (distante 615 quilômetros), Cícero Lopes da Silva (Pros), assassinado em fevereiro deste ano, pretendem recorrer da decisão do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), que não reconheceu o pedido de prisão preventiva feito pela filha da vítima, Gleiciane da Silva, para o atual prefeito do município, Luiz Magno Praiano Moraes, no mês passado.

Para os familiares, Magno é o verdadeiro mandante da morte Lopes, mas para a justiça, a família não tem legitimidade pedir a prisão dele.

O pedido de prisão foi feito por Gleiciane, sob orientação de seus advogados, no dia 28 de março. No documento, a filha da vítima alega que Luis Magno é o mandante do crime e que os quatro suspeitos envolvidos, três deles já presos, são parentes do atual prefeito do município. Brigas políticas, segundo ela, teriam motivado o assassinato. Inicialmente, a representação foi interposta na comarca de Maraã, mas como o Luiz Magno possui foro privilegiado, o processo declinou para o 2º grau do TJAM. No início deste mês, o relator do caso, o desembargador João Mauro Bessa, analisou o pedido da família, mas entendeu que a filha do prefeito não tem legimitidade para fazer o pedido.

“No caso dos autos, a requerente não demonstrou nenhuma das qualificações que a legitime a formular o pedido em questão”, explicou o desembargador em sua decisão.

Para os advogados da família de Lopes, o processo foi prejudicado e eles pretendem recorrer da decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) nos próximos dias. “Ele está na prefeitura por força de liminar e isso deu a ele foro privilegiado. Mas vamos recorrer porque a policia fez uma investigação maquiada e o principal suspeito continua solto”, explicou o advogado Allan Johnny Feitosa.

Depoimentos

De acordo com a delegada de Maraã, Alessandra Trigueiro, mais de setenta pessoas já foram ouvidas no inquérito policial que apura o assassinato do prefeito Cícero Lopes.

Ela explicou que o atual prefeito é um dos investigados, mas não há provas técnicas que o coloquem na semana do crime. “Ouvimos uma testemunha que citou o prefeito e estamos levantando cada informação. Também aguardo pelo resultado da perícia no celular da vítima e quebra de sigilos bancários”, explicou a delegada Alessandra Trigueiro, ao afirmar se tratar de um caso complexo, cujas investigações permanecem em andamento.

De acordo com a polícia, Cícero Lopes teria sido assassinado por causa de uma dívida de R$ 40 mil que ele teria com um dos suspeitos, dono de um posto de combustível da cidade. Lázaro Moraes de Assis, 40, 40, Marcos Aleksandro Praiano da Silva, 25, e Aldemir Alves de Freitas, 40, foram transferidos para a Capital, “por uma questão de segurança”.

Suspeitos foram presos dias depois

Cícero Lopes foi assassinado com um tiro pelas costas em frente a casa dele, em Maraã, no dia 28 de março. Os criminosos conseguiram escapar e policiais militares civis bloquearam o rio que banha a cidade para tentar localizar os suspeitos.

Quatro dias depois, a polícia conseguiu identificar os envolvidos e prendeu três deles, Marcos Aleksandro Praiano da Silva, Aldemir de Freitas, e Lázaro Moraes. Todos foram transferidos para Manaus. Adimilton Gomes de Souza, o “Zé da Irene” é o único que permanece foragido, que possui mandado de prisão.

De acordo com a Polícia Civil, todas as pessoas citadas nas investigações estão sendo ouvidas. Ao todo, mais de 70 estiveram na delegacia de Maraã para prestar depoimento. “É um caso complexo e infelizmente não dá para ter tantas respostas rápidas. Aguardamos que os resultados as perícias solicitadas porque elas podem ajudar bastante a nossa linha de investigação”, afirmou a delegada Alessandra Trigueiro.