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‘Ajuricaba’ além-mar: Peça teve última sessão antes de ir para a França

Em sua terceira montagem, peça foi realizada no Sesc, por atores do Tesc. As apresentações foram gratuitas e atraíram bastante público, que saudaram Márcio Souza ao término do espetáculo 09/01/2012 às 15:16
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Apresentação do espetáculo "A paixão de Ajuricaba" no Teatro do Sesc
vanessabayma@acritica.com.br ---

Os integrantes do Teatro Experimental do Sesc do Amazonas (Tesc) apresentaram na noite de sábado, dia 7, a última apresentação do espetáculo “A Paixão de Ajuricaba” em Manaus, antes de embarcarem, ontem, para uma turnê na França. Com duas sessões lotadas, ambas na sexta e sábado, o público compareceu em peso ao Teatro Oficina, no Sesc, na rua Henrique Martins, no Centro.

As apresentações foram gratuitas e atraíram bastante público, que saudaram Márcio Souza ao término do espetáculo. Ontem, atores e equipe embarcaram para a França, onde iniciam uma turnê com uma apresentação na ADEC Maison du Théâtre Amateur, em Rennes, no dia 11, e segue outras récitas no Théâtre Jules Julien, em Toulouse, no dia 15; o Théâtre Antoine Vitez, em Aix- en-Provence, no dia 19; e no auditório da Embaixada do Brasil na França, em Paris, no dia 21 - esta última somente para convidados. As encenações serão realizadas em português, com legendas eletrônicas em francês.

Essa é a terceira montagem do Tesc para “A Paixão de Ajuricaba”, que tem como autor do texto e diretor o escritor Márcio Souza. A peça foi encenada pela primeira vez em 1974 e a segunda, em 2003. Diferente dessa última, o espetáculo estava mais leve e uma das principais mudanças foi em relação ao figurino, mais contemporâneo.

 Mudanças

Os trajes de época, perucas, móveis entre outros adereços foram resumidos a figurinos de cor preta (blusa e calça), chapéus (para o comandante e padre), além de cocares de índio e outros acessórios indígenas, além de uma cenografia bem mais “clean”. Além disso, foi abordada mais a questão do drama e da ironia no texto. Nas outras montagens, era ressaltado um Ajuricaba mais herói, não que nesta ele também não fosse trabalhado assim, mas seu lado humano e até mesmo romântico foi evidenciado.


A história se passa no século 17, em um dos episódios das guerras dos índios contra os portugueses, a ocupação lusitana. A guerra resistiu por longos 8 anos, mas em 1978 os indígenas foram derrotados por grande força militar. O líder Ajuricaba, então prisioneiro, começa sua história. Apaixonado por Inhambu, que de início resistiu, os dois vivem um romance conturbado e tudo piora quando o líder se torna escravo.

De forte personalidade, Inhambu se mantém fiel ao homem que ama mesmo com a proposta de tê-lo em liberdade, caso aceitasse deitar-se com o comandante português.

Durante aproximadamente 1h20 de apresentação, muitos ficaram “vidrados” na sala do teatro, bem pequena, com muitas pessoas sentadas nas escadas. Os atores, especialmente Efrain Mourão, que interpretava Ajuricaba, mantinha diálogos com a plateia e fixava os olhos em cada um.

Sua morte, quando viajava a caminho de Belém, onde seria vendido como escravo, também “coroou” a noite, com a forte encenação de Ajuricaba atirando-se nas águas da baía do rio Negro, em frente ao forte de São José da Barra, origem da cidade de Manaus. Barulhos da mata, sonorização feita pelos próprios atores, a partir de instrumentos indígenas afinadíssimos, fecharam com chave de ouro a última apresentação na capital.

Saiba mais

O elenco do espetáculo é formado pelos atores Efrain Mourão (Ajuricaba), Carla Menezes (Inhambu), Daniely Peinado (pajé), Robson Ney Costa (guerreiro Manau), Emerson Nascimento (irmão carmelita) e Dimas Mendonça (comandante português). Os objetos de cena, como esculturas de peixes e bichos foram feitos por Nonato Tavares. O texto rico de Márcio Souza também se destaca como em momentos que Ajuricaba fala de seu amor por Inhambu.

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