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Cotidiano
CAFEZINHO

ALE compra 3,5 toneladas de café para servir deputados, servidores e público em 2018

É tanto café que cada deputado poderia beber 160 xícaras por dia durante os 365 dias do ano. A previsão da Assembleia Legislativa é gastar R$ 80,7 mil com a compra de 7 mil pacotes de 500g 02/04/2018 às 06:25
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Foto: Reprodução/Internet
Larissa Cavalcante Manaus (AM)

A Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM) começou 2018 prevendo gastar R$ 80,7 mil na compra de 4,6 toneladas de café torrado e moído para atender os parlamentares, servidores e convidados. Mais da metade desse valor - R$ 61,4 mil - já foi empenhado pela direção da Casa Legislativa, o equivalente a 3,5 toneladas de café que corresponde a sete mil pacotes de 500 gramas.

A ata de registro de preços de nº 0020/2017, da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), que contém a previsão dos gastos com café foi publicada no Diário Oficial da ALE-AM de 24 de novembro. O documento especifica a compra de 9.200 pacotes de café torrado e moído de 500 gramas. Para cada unidade do produto, a Casa Legislativa vai pagar R$ 8,78 à Indústria de Café Manaus Ltda. no período de 12 meses.

No dia 23 de março, a ALE-AM empenhou (primeira fase de pagamento de uma obrigação no setor público) R$ 61,4 mil para a empresa pela compra de sete mil pacotes com 500 gramas de café cada, o que representa 3,5 toneladas. A informação está disponível no Portal da Transparência do Governo do Amazonas.

Considerando que um pacote de 500 gramas de café dá para preparar 10 litros da bebida, os sete mil pacotes que a ALE-AM prevê consumir em 2018 darão para fazer 70 mil litros de café. A quantidade de café que a ALE-AM pretende beber nos próximos meses dará para servir 1,4 milhão de xícaras de café de 50 ml cada uma. Dividindo essa quantidade de café entre os 24 deputados, daria 58,3 mil litros por parlamentar.

Se o produto se destina apenas aos deputados, pelo período de um ano (365 dias) cada parlamentar poderia beber 160 xícaras de 50 ml por dia. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), em média, o brasileiro bebe por dia 3,7 xícaras de café, o equivalente a 84 litros por ano.

Em outra ata de registro de preços, a ALE-AM pretende adquirir 50 coadores de café, tamanho grande com 200mm, tecido em algodão cabo de aço revestido com PVC, ao valor de R$13,35. Em outro item, pretende adquirir 200 garrafas térmicas em plástico e cilindro em vidro espelhado com capacidade para 1 litro. Cada garrafa deve custar R$18,50. 

A assessoria de comunicação da presidência da Casa informou, por meio de nota, que a projeção é uma estimativa de gastos para o período de 12 meses. “O café é feito na própria ALE-AM e servido para os públicos internos e externos da Casa”, explicou. A reportagem tentou ouvir o diretor geral Wander Motta por meio do telefone 999xx-xx01, mas não obteve retorno.

Em 2014, a ALE-AM empenhou R$ 197,6 mil com café, leite e chá para os deputados. Mais da metade desse valor - R$ 102 mil - somente com leite em pó integral. A ata de registro de preços com a previsão de gastos com café, leite e chá foi publicada no Diário Oficial da ALE-AM de 27 de dezembro. No final de 2012, a casa registrou ata de R$ 214,4 mil para compra de 6,5 toneladas de café, leite e açucar.

Qual avaliação sobre 3,5 toneladas de café?

“Por dia eu acho que tomo umas quatro xícaras de café. Me parece um valor muito alto e uma quantidade exagerada para uma Assembleia”, avaliou a deputada Alessandra Campêlo (MDB).

“Tomo muito café. Nem sabia desse valor todo. É preciso ver quantas pessoas tomam café com frequência na casa. Todo controle de gastos é bem vindo”, afirmou o deputado Dermilson Chagas (sem partido).

"Já virou um costume oferecer um cafezinho a toda pessoa que chega no gabinete. Esse volume precisa ser avaliado para saber se precisa de tudo isso”, sugere o deputado José Ricardo (PT).

“Tomo café todos os dias. Não tenho como opinar sobre a quantidade e o valor destinado, mas sei que todos os dias vai café para o meu gabinete”, disse o deputado Orlando Cidade (Podemos).

Passagens de avião somam R$ 600 mil

A Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM) também estima gastar R$ 600 mil com passagens aéreas domésticas (nacionais e regionais) e internacionais, rodoviárias e fluviais até setembro de 2018, um mês antes das eleições gerais deste ano. O contrato nº18/2012 com sétimo termo aditivo é com a empresa Oca Viagens e Turismo da Amazônia Ltda. O extrato do termo de contrato foi publicado no Diário Oficial da ALE-AM de 23  de março. O serviço de fornecimento de passagens foi prorrogado por seis meses, a contar de 11 de março a 10 de setembro de 2018. O pagamento mensal estimado é de R$ 100 mil.

O presidente da ALE-AM, David Almeida (PSB) informou que o valor é apenas uma estimativa. “No exercício de 2017, esse mesmo valor ficou disponível, mas a ALE-AM gastou o valor de R$ 218.466,66 para essas finalidades. O valor não utilizado até o final do ano é anulado, do mesmo modo se faz com o café e outras despesas”, explicou.

Deputados consome 53 mil quilos de café

O cafezinho da Câmara dos Deputados, em Brasília, custa exatos R$ 663.484,50 aos cofres públicos por ano. No final de janeiro, a Casa fechou um contrato nesse valor com a empresa “Odebrecht - Comércio e Indústria de Café Ltda”. O valor atende ao período de 23 de janeiro de 2018 a 22 de janeiro de 2019, segundo matéria da organização não governamental Contas Abertas.

De acordo com a Câmara, a aquisição tem como objetivo suprir o estoque de material de uso contínuo, distribuído pelo almoxarifado às copas da casa. O cafezinho é distribuído para o atendimento da demanda de autoridades, de servidores, de terceirizados, de estagiários e de visitantes.

A quantidade total do café em pó soma 53 toneladas. O volume necessário para a bebida foi definida com base no consumo dos produtos nos exercícios de 2012 a 2016, aplicando-se a fórmula de cálculo constante no Manual de Gestão da Câmara dos Deputados, nos termos da Portaria n. 96/2010. A Câmara específica as marcas Melitta, Café do Sítio e Fino Sabor sendo de moagem fina, para filtragem em papel ou pano e a embalagem a vácuo total.

Custo de R$ 28 milhões por dia​

O Congresso brasileiro é um dos mais caros do mundo, com o custo de R$ 28 milhões por dia, o que ajuda a explicar o tamanho do déficit público brasileiro. A informação é do secretário-geral da ONG Contas Abertas, Gil Castello Branco. Ele destacou que a folha salarial, além de ser pesada, é pouco transparente. Entre 2012 e 2016, as despesas com salários tiveram aumento real de 3,2%. Com gratificações, a alta no período foi de 23%. 

"Vários desses 'penduricalhos’ não pagam impostos. Seria até melhor que os benefícios estivessem dentro do salário, para que pagassem impostos sobre a remuneração que recebem. Isso foi distorcendo completamente o plano de salários da administração pública de modo geral", comentou. 

Cerca de 90% das despesas primárias no orçamento da União são obrigatórias. Servidores, ativos e inativos e benefícios previdenciários representam 70% das despesas totais.

Cada deputado custa R$ 2,1 milhões por ano

Levantamento do Congresso em Foco mostrou que cada deputado federal custa R$ 2,14 milhões por ano ou R$ 179 mil por mês. Esse valor inclui salário, verba de gabinete, gastos mensais com alimentação, aluguel de veículo e escritório, divulgação do mandato, entre outras despesas.

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