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Cotidiano
SAÚDE

Alerta: caiu o número de mamografias realizadas no Brasil

Os números do Distrito Federal foram os que mais surpreenderam os pesquisadores da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) por conta da queda de 13% na cobertura mamográfica. No Amazonas, a redução foi de apenas 1,6%. 20/03/2017 às 18:21
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No Amazonas o número de exames realizados vem crescendo. Foto: Reprodução/ Internet
Antônio Paulo Brasília

Pesquisa da Sociedade Brasileira de Mastologia revela uma queda acentuada do número de mamografias realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em vários estados do Brasil, principalmente em mulheres da faixa etária entre 50 e 69 anos. Os números do Distrito Federal foram os que mais surpreenderam os pesquisadores, já que nos últimos anos apresentavam uma curva de crescimento na cobertura mamográfica: 14,2% em 2013; e 16% em 2014. Já em 2015 esse número caiu para 1,7%, situação pior do que os estados do Acre (6,1%) e Amapá (3,9%).

No Estado do Amazonas, embora tenha havido uma queda de 1,6% na cobertura mamográfica, segundo a pesquisa da SBM, o número de exames realizados vem crescendo. Em 2013, foram 24.764 mulheres examinadas (21,8%); 25.215 (20,2%) em 2015 e 26.642 exames de mamografia foram realizados, em 2016, pela rede estadual de saúde na capital Manaus e 6.958 nos municípios do interior de acordo com informações da Secretaria de Estado da Saúde (Susam).

Análise dos dados
Segundo o levantamento da Sociedade Brasileira de Mastologia, em parceria com a Rede Goiana de Pesquisa em Mastologia, das 52 mil mamografias realizadas em 2014, apenas 7,6 mil foram feitas em 2015. O baixo número de exames pode ser atribuído a alguns fatores. No caso do Distrito Federal, existem 12 mamógrafos que seriam suficientes para realizar 120 mil mamografias por ano pelo SUS, caso funcionassem com técnicos e médicos radiologistas suficientes. No entanto, há carência de profissionais que priorizam as emergências com tomografias e ressonâncias e cortam a agenda de mamografias durante o ano, deixando os mamógrafos ficaram praticamente parados em 2015.

 O rastreamento praticamente zero ainda se depara com a situação caótica enfrentada pelas pacientes que já apresentam algum tipo de patologia. Não tem radioterapia, a fila da quimioterapia é enorme e seriam necessários hoje cerca de 28 mil exames de mamografia diagnóstica, porém o Distrito Federal só produziu 7,5 mil ao todo.

 “A Sociedade Brasileira de Mastologia defende um tratamento digno e rápido para mulheres com queixas mamárias e, de uma forma muito especial, para aquelas que têm suspeita ou diagnóstico de câncer e que sofrem nas filas ou por falta de acesso. Também defende o rastreamento digno para todas as mulheres, com serviço próprio para mamografias, biopsia e diagnóstico, além de um corpo clínico de profissionais específicos para trabalhar com mama. Somente desta forma será possível reduzir o número de casos avançados e da mortalidade”, afirma o presidente da SBN, Antônio Luiz Frasson.

Mamográfos no Amazonas
Em Manaus, há 13 aparelhos de mamografia atendendo pacientes da rede estadual de saúde. São aparelhos instalados nas unidades da própria rede e também da rede privada que mantém convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS) para atendimento de pacientes da rede estadual de saúde.

 A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) informa que a capital Manaus conta com nove mamógrafos. Os equipamentos são distribuídos na rede municipal em Unidades Básicas de Saúde (UBS), policlínicas e em quatro unidades móveis (carretas) do Programa Saúde Manaus Itinerante (PSMI). Em 2016, foram realizadas 5.257 mamografias na cidade.

No interior do estado há 24 mamógrafos em funcionamento atendendo pacientes da rede estadual de saúde. Esses números se referem ao atendimento na rede estadual de saúde. Há mamógrafos na rede municipal de saúde e também na rede privada que não prestam serviços para a rede estadual e, portanto, não temos como informar sobre eles, informa a assessoria da Susam.

 Os municípios do Amazonas que possuem mamógrafos instalados e funcionando normalmente de acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Susam) são: Anori, Autazes, Apuí, Barcelos, Barreirinha, Borba, Carauari, Coari, Codajás, Envira, Guajará, Humaitá, Iranduba, Itacoatiara, Manicoré, Nova Olinda do Norte, Novo Airão, Novo Aripuanã, Pauini, Presidente Figueiredo, São Gabriel da Cachoeira, São Paulo de Olivença e Tabatinga (2).