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Cotidiano
POLÍTICA

Alfredo Nascimento renuncia à presidência do PR após voto a favor do impeachment

Alfredo Nascimento era presidente nacional do PR desde 2010 e, em 2015, assumiu o mandato como deputado federal para a legislatura até 2019 17/04/2016 às 19:40 - Atualizado em 18/04/2016 às 10:54
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Alfredo Nascimento
Carolina Gonçalves e Karine Melo - Agência Brasil

Ministro dos Transportes no governo Luiz Inácio Lula da Silva, o deputado Alfredo Nascimento (PR-AM), anunciou seu voto a favor do processo do impeachment da presidente Dilma Rousseff e, ao mesmo tempo, renunciou ao mandato de presidente nacional do partido que decidiu apoiar a presidenta. “Meu voto pertence ao povo do Amazonas e, majoritariamente, o povo do meu estado vota pelo impeachment”, afirmou.

Nascimento afirmou que tomou a decisão em respeito ao partido. "Por ter uma posição diferente, renuncio ao meu cargo na presidência do PR. Voto sim."

Alfredo Nascimento era presidente nacional do PR desde 2010 e, em 2015, assumiu o mandato como deputado federal para a legislatura até 2019.

Faxina ética

Alfredo Nascimento foi um dos primeiros aliados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ex-ministro dos Transportes do governo da presidente Dilma Rousseff (PT). Nascimento deixou o ministério em 2011, cerca de sete meses após Dilma tomar posse.

O deputado foi acusado de participar de um esquema de corrupção dentro do Ministério dos Transportes. Alfredo Nascimento negou as acusações. À época, a saída dele e de outros ministros também suspeitos de corrupção foi chamada pela presidente de "faxina ética".

O Amazonas foi o oitavo estado a ser chamado para que os deputados de todos os partidos com representação informassem individualmente suas posições sobre o pedido e votou em peso, com oito deputados, no sim ao impeachment. A votação começou pouco depois das 17h. Antes do Amazonas, pelo Mato Grosso do Sul, cinco deputados foram favoráveis ao processo contra três contra o impeachment.

Crime

A aprovação depende do voto de 342 deputados (2/3 dos 513) a favor do parecer do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), que recomenda a abertura de processo contra Dilma. O relator considerou que houve crime de responsabilidade da petista por editar decretos de crédito suplementares sem autorização do Congresso e pelo atraso de pagamentos que ficou conhecido como pedaladas fiscais. Se o processo for admitido, o julgamento da presidente será conduzido pelo Senado.

A votação está ocorrendo individualmente. Conforme determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) em sessão na última sexta-feira (15), a votação seguirá conforme o regimento interno da Câmara, com chamada alternada de deputados da Região Norte para a Sul.

Em cada estado, ela será nominal e por ordem alfabética. O último a votar será o deputado Ronaldo Lessa (PDT-AL). O PDT fechou questão no apoio à presidenta Dilma e já anunciou que irá expulsar os infiéis.

O primeiro voto foi de Washington Reis (PMDB-RJ), que estava doente, e teve prioridade na votação, dando o primeiro aval à continuidade do processo. Abel Mesquita Jr (DEM-RR), conhecido como Abel Galinha, abriu a votação por Roraima, primeiro estado da lista. O parlamentar, que já tinha se declarado favorável ao processo, confirmou sua posição. Foram sete votos a favor e o único voto contrário pelo estado foi o de Édio Lopes (PR).

O Rio Grande do Sul fechou com placar de 22 votos a favor, oito contra e a abstenção do deputado Pompeo de Matos (PDT). Pompeo esclareceu que não poderia votar a favor do processo por determinação do partido. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), informou que fará a primeira chamada imediatamente depois da primeira. Se o parlamentar não estiver presente não poderá mais se manifestar.

Santa Catarina fechou com 14 votos favoráveis e dois contrários. No Amapá, o governo teve maior apoio com três votos pelo impeachment, quatro contra e uma abstenção. Pelo Pará, dez parlamentares votaram a favor do impeachment, contra seis e uma abstenção.