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Alunos de escola municipal em rodovia do Amazonas sofrem com falta de estrutura

Escola Professora Joana Vieira entrou em reforma em 2011, mas até hoje os 300 alunos sofrem num galpão improvisado 13/06/2012 às 07:39
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Galpão cedido por uma igreja evangélica é a sede da escola Joana Vieira. Semed diz que mobiliário é novo, mas no local não há nem cadeiras para todos os alunos
Milton de Oliveira Manaus

Estudantes da escola municipal Professora Joana Vieira, no ramal Água Branca, km 32 da rodovia AM-010, a Manaus-Itacoatiara, estão há quatro meses estudando em um galpão precário da comunidade Bandeirante, situada no mesmo ramal. A merenda escolar é custeada pelos próprios pais dos alunos, que temem que as crianças percam o ano letivo.

Iluminação precária, animais circulando entre os alunos, salas sem paredes, dividindo espaço com cozinha são aspectos que ajudam aumentar a lista de precariedades. “Hoje (ontem) os pais dos alunos tiveram que comprar frango e ovos na minha taberna porque as crianças não têm merenda escolar. Isso acontece todos os dias”, contou a moradora Maria Gorete Farias, 54.

O espaço que é usado como escola foi cedido por uma igreja evangélica, mas é insuficiente porque durante alguns dias da semana é usado como local para reuniões. “Às vezes, apenas há aulas de segunda a quarta-feira porque o espaço é improvisado”, disse o caseiro Tiago Valente, 54. Ele disse também que as atividades didáticas são improvisadas porque a escola municipal está totalmente abandonada no km 9 do ramal.

Em fevereiro deste ano, depois de denúncias dos moradores do ramal, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), informou que a reforma foi paralisada por conta do difícil acesso e que a previsão da conclusão da obra era para o final do mês de março.

Os moradores disseram que nada foi feito desde então. “Até a placa de identificação da obra, com prazos e valor foi arrancada daqui”, desabafou Valente.

A placa retirada informava que as reformas seriam concluídas em 180 dias. O início da reforma estava marcado para março do ano passado e valor foi orçado em R$ 714,5 mil, acrescentaram os moradores.

Para a Secretaria Municipal de Educação (Semed) os alunos estão estudando em espaço “equipado com mobiliário novo” e não terão o ano escolar prejudicado. No lugar, contudo, não há nenhum móvel novo.

Além dos problemas de falta de estrutura, os estudantes do 5º ao 9º ano encontram dificuldades de acesso ao galpão improvisado. “Os alunos que moram a partir do km 11 não conseguem chegar pontualmente às aulas. O transporte escolar não consegue chegar nesses trechos porque o ramal está cheio de buracos e com areiais, onde o ônibus pode ficar atolado. A saída é caminhar mais de seis quilômetros”, disse Gorete Farias.

A má condição do ramal, dificulta também, o escoamento de frutas e outros alimentos produzidos por agricultores da área.

Ramal esquecido
A Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror), encarregada de recuperar o ramal, informou que “houve atraso no repasse de recursos” e o convênio de mais de 4 milhões  com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para recuperar 70 quilômetros de vicinais,  expirou em março de 2012”.