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Alunos de escolas públicas contam como conseguiram ser aprovados no vestibular da UEA

Eles abdicaram do tempo livre para alcançar um sonho: ser aprovado no vestibular de uma universidade pública. Assim, Loyana, Armando, Clara e Luís Felipe que vão ingressar no Ensino Superior este ano, falam da expectativa de iniciar a nova etapa e o que precisaram fazer para chegar lá 22/01/2016 às 19:12
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Loyana Cunha, 18, que concluiu os estudos no Colégio Militar da Polícia Militar (CMPM 1) de Petrópolis, vai cursar Direito na UEA
Luana Carvalho Manaus - AM

Eles abdicaram de tardes e noites livres em que poderiam estar dormindo, assistindo séries ou se divertindo com os amigos. Dedicaram-se durante três anos por um único objetivo: passar no vestibular. Loyana, Armando, Clara e Luís Felipe representam centenas de alunos de escolas públicas do Amazonas que conseguiram uma   vaga no tão sonhado ensino superior.

Em 5º lugar no ranking de aprovados para o curso de direito pelo Sistema de Ingresso Seriado (SIS) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Loyana Cunha Alfaia, 18, agora comemora o ingresso na faculdade. A rotina nunca foi das mais tranquilas, mas foi recompensada por todo o esforço.

“Eu ficava na escola das 7h às 12h. Chegava em casa por volta das 13h, almoçava, fazia meus deveres e em seguida estudava por pelo menos uma hora todos os dias. Quando chegava à noite, eu ia para o cursinho pré-vestibular”, relata a ex-aluna do Colégio Militar da Polícia Militar (CMPM) de Petrópolis, na Zona Sul.

Além dos livros e inúmeros resumos preparados por ela, a Internet também foi uma boa aliada no processo  de preparação. “Assisti muitos vídeos pela Internet que me renderam boas anotações. Até mesmo quando eu estava lavando louça, ligava o computador e colocava um vídeo de uma aula de biologia”, relata.

O mesmo sentimento de vitória é compartilhado por Luís Felipe Araújo, 17, que passou para o mesmo curso e estudava na mesma escola que Loyana. “Para mim foi uma emoção única, pois foi a coroação de um ano de intensa dedicação aos estudos. O sonho dos meus pais era me ver em uma universidade pública e além de estar feliz por dar um grande passo, estou feliz também por retribuir a eles o apoio”.

O calouro de engenharia Armando Farias da Luz Júnior, 18, admite que nunca foi o ‘CDF’ da turma. Ex-aluno da Escola Estadual Francisco Albuquerque, no Centro de Manaus, ele conta que o segredo está em revisar os assuntos em casa.  “Na sala de aula muitos colegas me chamavam de preguiçoso. Quando me dava sono, eu dormia. Mas eles não sabiam que, todos os dias, quando eu chegava em casa, revisava todo o assunto por pelo menos duas horas”.

Júnior mora no quilômetro 1 da BR-174 e todos os dias acordava às 4h30. Para chegar até a escola ele gastava quase duas horas, sendo uma na espera do ônibus, e uma hora no trajeto. Mesmo com o cansaço físico, ele aproveitava o tempo livre em casa para estudar. “A televisão  me ajudou muito. Eu assistia conteúdos que podiam me acrescentar conhecimento, como documentários de história”.

Outro exemplo que vem do ensino público é a jovem Clara Cristina Fonseca de Oliveira, 17, estudante do Colégio Amazonense D. Pedro II, na avenida Sete de Setembro, também no Centro.  Ela foi aprovada em Odontologia na Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e encara o resultado obtido como uma merecida conquista.  “Quando o resultado foi divulgado, chorei bastante. Foi um choro de alegria pela recompensa por dias e noites de intenso estudo. O choro, acredito, representa também a felicidade por iniciar uma trajetória que antes era um sonho distante, mas que hoje se concretiza”, finalizou”.

Referências

O Colégio Militar da Polícia Militar (CMPM1), onde Loyana e Luís Felipe estudaram, foi uma das unidades públicas de ensino com o maior número de aprovados nos sistemas de seleção da UEA em 2015, somando 56 alunos aprovados para ingresso no ensino superior, sendo 24 aprovados no vestibular macro e 32 no SIS, na primeira chamada. 

O Colégio Amazonense Dom Pedro II, no Centro de Manaus, onde Clara Cristina concluiu o Ensino Médio, também foi uma das escolas  a registrar contingente expressivo de aprovados na UEA.  A gestora Ana Goreti Guimarães, atribui a conquista alcançada ao resultado de um trabalho focado da escola. “Colocamos em prática uma série de projetos que motivam os estudantes para os estudos levando-os a um engajamento em prol de um projeto de futuro”.

A Escola Estadual Professor Francisco das Chagas Albuquerque , onde Júnior estudou, aprovou, no SIS, pelo menos 20 alunos.