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Cotidiano
HIV/Aids

Amazonas é o terceiro Estado do Brasil com maior taxa de mortalidade por Aids

Pacientes falam sobre a expectativa de vida embora a dispensação de medicamentos ainda seja deficiente 10/12/2017 às 13:09
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Com tratamento adequado, pacientes conseguem ter qualidade de vida e reduzir o risco de transmissão do vírus. Foto: Winnetou Almeida
Silane Souza Manaus (AM)

O número de óbitos por causa de Aids, doença adquirida pelo vírus HIV, mais do que dobrou nos últimos dez anos no Amazonas. Em 2006, a infecção provocou a morte de 167 pessoas, enquanto no passado, de 340. O Estado é o 3º do País com o maior coeficiente de mortalidade: 8,7 óbitos por 100 mil habitantes, ficando atrás do Rio Grande do Sul (9,6) e Rio de Janeiro (8,8). Todos estes apresentaram taxa superior a nacional, que foi de 5,2.

Todavia, foi-se o tempo que a Aids era considerada sentença de morte e o paciente podia ser reconhecido pela aparência magra e deprimida. Pessoas que vivem com HIV/Aids, hoje, no Amazonas, contam que a chegada de novos medicamentos proporcionou mais tempo e qualidade de vida, embora a dispensação desses remédios ainda seja um problema, assim como o preconceito e a discriminação. O estigma dos anos 1980 segue enraizado.

O ativista Almir Filho, 57, que vive há 26 anos com HIV/Aids, ressalta que uma das vantagens das novas medicações é a redução para quase zero de a pessoa soropositiva transmitir o vírus para outra pessoa, especialmente numa relação sexual. “Quem adere ao tratamento direitinho fica com a carga viral indetectável e tem uma vida normal. Mas ainda somos tratados como bicho e, pior, muitas vezes pelos próprios profissionais de saúde”, disse.

Marlúcia Leite, 54, outra ativista soropositiva, conta que sua carga viral zerou um ano após o tratamento e nestes 14 anos vivendo com o vírus, foi internada apenas uma vez, em 2010, por causa de uma pneumonia. “Houve outra internação, mas foi em virtude de um AVC (acidente vascular cerebral) que sofri”, afirmou. “Há três anos vivo com uma pessoa que não tem o vírus, levo uma vida normal graças a Deus”, afirma.

Mas nem todas as pessoas que convivem com HIV/Aids tem essa oportunidade. A ativista Disney Diniz, 43, afirma que muitos soropositivos enfrentam dificuldades para fazer o tratamento. Entres os motivos estão os efeitos colaterais e a falta de atenção do médico, além do preconceito e discriminação. “Tem casos de pessoas com HIV/Aids que quando a família descobre, a expulsa de casa ou passa a discriminar separando talher, prato, toalha. É um absurdo, mas existe”, salienta ela.

Notificações

Desde o início da epidemia de Aids (1980) até 31 de dezembro de 2016, foram notificados no Brasil 316.088 óbitos tendo a HIV/aids como causa básica. A maior proporção ocorreu na região Sudeste (59,6%), seguida das regiões Sul (17,6%), Nordeste (13,0%), Centro-Oeste (5,1%) e Norte (4,7%).

A meta é a redução da mortalidade

A coordenadora estadual de IST/Aids e Hepatites Virais, Cristianne Benevides Mota,  explica que ao receber o medicamento a cada 30 dias, o paciente com HIV/Aids tem o contato com o médico facilitado. “É dispendioso financeiramente para o paciente vir do interior e receber o medicamento em Manaus, mas, por outro lado, esse paciente é visto, pois na farmácia de dispensação ele recebe os remédios e faz a consulta”, destaca.

Ela ressaltou que a capacitação e humanização é uma meta da nova gestão. “Isso é um trabalho em longo prazo e que precisa ser feito por todas as esferas (municipal, estadual e federal) porque lidar com uma doença crônica já é difícil, mas quando você fala em Aids ainda tem sim a discriminação”, afirma.

Cristianne reconhece que o tratamento ainda é deficiente, mas salienta que o Estado avançou ao ter a testagem rápida nos 62 municípios. “Isso é primordial para reduzir a taxa de mortalidade”, explica.

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