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Amazonas comemora elevação à categoria de província, mas muitos desconhecem história

Desinformação sobre o contexto em que se deu o desligamento do Amazonas do Pará agrava rivalidades entre os dois Estados 03/09/2012 às 09:51
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Historiadora Etelvina Garcia explica que a criação da província do Amazonas permitiu ao imperador Dom Pedro II ter uma estrutura administrativa na parte ocidental da região
Milton de Oliveira ---

Os amazonenses comemoram, na próxima quarta-feira (05), a elevação do Amazonas à categoria de província, mas, segundo os historiadores, poucas pessoas conhecem os motivos pelos quais houve o acontecimento e a situação em que vivia a população local. O desconhecimento dos fatos históricos pode servir de argumento para agravar rivalidades entre amazonenses e paraenses, historicamente mais próximos que a própria geografia entre os dois Estados.

Conforme a historiadora Etelvina Garcia, o argumento de que a Amazônia era “patrimônio da humanidade” é antigo e havia campanhas externas por parte de estrangeiros para subir o rio de Belém a Manaus. Mas autoridades, no Pará, temiam perder o controle sobre a região. “Os nossos vizinhos amazônicos entenderam que eles tinham direito de utilizar o rio Amazonas. Por isso, o imperador D. Pedro II sancionou duas leis. Uma permitia a navegação a vapor e a outra criando a província do Amazonas”, contou.

A historiadora contou que as únicas embarcações estrangeiras que navegavam pelo Amazonas, além das brasileiras, eram as dos colombianos, venezuelanos e peruanos porque o imperador tinha medo de que “nos tomassem a Amazônia e colocou limites”.

“Em 1825, já houve sinais de ameaça quando um navio a vapor estrangeiro tentou subir o rio desde Belém. Naquela época nossas embarcações eram movidas a remo ou a velas. De repente, aparece um enorme navio, as autoridades disseram ‘vão acabar conosco’”, relatou a historiadora.

A criação da província do Amazonas, disse Etelvina, permitiu ao imperador Dom Pedro II ter uma estrutura administrativa na parte ocidental da região, com cobrança de impostos, estrutura judiciária, policiamento de rios, governador que chamava-se presidente da província, entre outros. “A lei que criou a província do Amazonas é de 5 de setembro de 1850. E a lei que abriu o rio Amazonas à navegação a vapor é de 6 de setembro de 1850. Elas estão casadas”, afirmou, lembrando que o primeiro presidente da província nomeado foi o deputado paraense João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha.

A viagem de Belém a Manaus durava três meses porque era feita a remo. Com os navios a vapor durava 10 dias, contou Etelvina Garcia.