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Cotidiano
Inclusão Braille

Amazonas comemora iniciativas em prol da inclusão de pessoas com deficiência física

Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento a Pessoas com Deficiência Visual formou alunos no Ensino Médio em 2011 04/01/2012 às 09:07
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O CAP, que funciona na Escola Estadual Mayara Redman Abdel Aziz, conta com o apoio da Escola Estadual Joana Rodrigues Vieira
Júlio Pedrosa Manaus

No Dia Mundial do Braille, o Amazonas tem motivos de sobra para comemorar as melhorias obtidas no tocante à inclusão social das pessoas portadoras de deficiência visual no Estado. Somente em 2011, o Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual, que funciona por meio de parceria entre o Ministério da Educação (MEC) e a Secretaria de Estado da Educação (Seduc), formou 93 alunos cegos, no Ensino Médio. Um trabalho feito de forma contínua desde 2003, quando o CAP foi criado no Amazonas com o objetivo de dar suporte ao processo de inclusão da pessoa cega ou com baixa visão. Hoje, existem 41 centros em todo o País.

A coordenadora do CAP Amazonas, Rosana Mendes Duarte, explica que o trabalho de inclusão não está apenas voltado para o deficiente que é aluno da rede estadual. “É aberto a todos porque visa dar oportunidade para todos no aprendizado do Braille e no acesso às obras literárias transcritas para a escrita Braille, entre outros benefícios”, afirma. Rosana explica que o centro funciona com quatro núcleos: o de Produção Acessível, que visa transcrever para o Braille os livros recomendados pelo Ministério da Educação para a formação básica e do ensino médio e fazer a ampliação para os alunos de baixa visão.

Outro núcleo é o de Apoio Pedagógico, que trabalha fazendo o acompanhamento periódico nas escolas estaduais onde existem alunos com deficiência visual em sala de aula e a formação de professores. Os demais são o Núcleo de Tecnologia, que é voltado para o oferecimento da informática adaptada, e o Núcleo de Convivência, que busca a interação da família com a sociedade por meio de atividades culturais. “É onde procuramos fazer a interação do deficiente visual com a família, através do teclado, violão, jogos, canto e eventos culturais em geral”, afirmou Rosana, adiantando que este ano será criado o primeiro grupo coral da instituição.

Estimulação precoce

O trabalho do CAP, que funciona na Escola Estadual Mayara Redman Abdel Aziz, conta com o apoio de outro estabelecimento de ensino da rede estadual: a Escola Estadual Joana Rodrigues Vieira, voltada exclusivamente para o atendimento a crianças deficientes visuais. “Aqui fazemos o trabalho de estimulação precoce, destinado ao desenvolvimento da sensibilidade da criança, até 3 anos, que ainda não teve contato com o braille, e o de estimulação especial, para crianças acima de três anos que já começam a ter contato com a técnica”, explica a diretora da escola, Cláudia Patrícia Guedes de Souza.

Fundada em 1982, junto com outras duas escolas direcionadas a deficientes auditivos e mentais, a Joana Rodrigues foi pioneira na Região Norte na estimulação e no ensino do Braille para cegos. “Até hoje nós temos esse papel de preparar o indivíduo para que possa ser incluído socialmente e se desenvolver”, explica. 

Atendimento exclusivo às crianças

A Escola Estadual Joana Rodrigues já tem 71 crianças deficientes visuais matriculadas para 2012. A diretora do estabelecimento, Cláudia Patrícia Guedes de Souza, explica que o número é alto, e reflete as estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), segundo as quais 1% da população mundial tem problema de deficiência visual. “Nós demos o pontapé inicial ao trabalho que hoje está difundido em toda a rede”, explica a diretora. Ela lembra que há casos em que o aluno precisa de atendimentos especializado. “Dependendo da condição nem sempre o aluno vem só com a deficiência visual”, afirma. O ensino na escola equivale ao ciclo inicial (alfabetização, primeira e segunda séries). Ela observa que a maioria das crianças atendidas na estimulação precoce são prematuros, que têm a probabilidade de deficiência visual.

 O Braille chegou ao Brasil em 1850, pelas mãos do jovem cego José Álvares de Azevedo, mas foi a partir de 1940, com a criação da Fundação para o Livro do Cego (hoje, Fundação Dorina Nowill para Cegos), que o sistema se difundiu.