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Cotidiano
ALERTA

Amazonas é o estado com o 4º maior número de gestantes detectadas com HIV

Com média de 3,2 casos para cada mil nascidos vivos, Estado fica atrás apenas do Rio Grande do Sul (8,8), Santa Catarina (5,7) e Amapá (4,4) 11/12/2017 às 21:27 - Atualizado em 12/12/2017 às 06:56
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Este ano, em todo o Estado, de janeiro a junho, 157 gestantes foram diagnosticadas com o vírus. Na capital amazonense, o índice também é alto: 5,1 a cada mil casos. Foto: Aguilar Abecassis/ Arquivo AC
Silane Souza Manaus (AM)

O Amazonas está entre os oito estados brasileiros que, em 2016, apresentaram taxa de detecção de HIV em gestantes superior a média nacional, que é de 2,6 casos a cada mil nascidos vivos. Com 259 casos (3,2/mil nascidos vivos), no ano passado, o Estado ficou atrás apenas do Rio Grande do Sul (8,8), Santa Catarina (5,7) e Amapá (4,4). Todavia, comparando com o ano anterior, quando foram notificados 323 casos, quatro a cada mil nascidos vivos, houve redução de 19,8%. Este ano, de janeiro a junho, 157 gestantes haviam sido infectadas pelo vírus.

A taxa de detecção de Aids em crianças menores de cinco anos, ou seja, que foram contaminadas pela mãe durante a gravidez, a chamada transmissão vertical, também aumentou, no mesmo período, de 3,2 para 3,5 casos por mil habitantes. Em 2016, foram detectados 14 casos, contra 13 em 2015. O crescimento observado foi de 7,6%. Este ano, a tendência é haver uma redução. De acordo com o último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, de janeiro a junho, foram detectados apenas cinco casos da doença no Amazonas.

A capital Manaus também ocupa o 4º lugar entre as capitais brasileiras com a maior taxa de detecção de gestantes com HIV, 5,1 casos a cada mil nascidos vivos. Contudo, o índice de 2016 é inferior ao registrado em 2015, de  6,3. Quanto à transmissão vertical, a cidade vem registrando, desde 2014, uma queda no número de notificações de casos de Aids em menores de cinco anos. Naquele ano foram registrados 21 casos. No ano seguinte, esse número caiu para 11. Em 2016 foram seis casos e este ano, até o mês de novembro, quatro casos.

A dona de casa Cristiane*, 45, teve três filhos, um menino e duas meninas, depois que foi diagnosticada com HIV/Aids. Só a do meio, hoje com 18 anos, foi infectada pelo vírus. Ela acredita que foi por causa da negligência no parto.

“Entrei 1h da manhã na extinta Santa Casa e só fizeram o meu parto 17h30 porque a minha tia chegou para visitar minha filha e fez um escândalo ao saber que eu ainda estava no pré-parto. Ninguém queria fazer o meu parto. Os médicos de plantão ficaram jogando um para o outro. Passei horrores no pré-parto”, contou.

A autônoma Mariane*, 43, também teve uma filha infectada pelo vírus por transmissão vertical. Isso aconteceu há 14 anos. Mas, no seu caso, ela não sabia que tinha HIV/Aids na época.

“Quando engravidei dela eu fiz todos os exames que uma gestante faz no pré-natal, mas não deu nada. Cinco anos depois fiquei muito doente e quando fiz o teste de HIV deu positivo. Meus quatro filhos fizeram o exame também e só a caçula estava com o vírus. Naquele tempo eu ainda dava de mamar a ela e o vírus foi transmitido pela amamentação”, afirmou.

Redução graças à atenção básica

Para o secretário municipal de Saúde, Marcelo Magaldi, a redução dos casos de transmissão vertical em Manaus é resultado de uma ação que começa na Atenção Primária.

 “Desde que as gestantes iniciam o acompanhamento pré-natal em nossas UBS’s, realizam, entre os exames de rotina, a testagem rápida para HIV. Os casos positivos são encaminhados para um dos nossos quatro serviços de acompanhamento especializado em IST/Aids, onde começam a receber o tratamento antirretroviral conforme estabelece o protocolo do Ministério da Saúde, que se estende até após o parto”, disse.

Atualmente é ofertado o teste rápido de HIV em 147 unidades  da Semsa. Em 2016, essas unidades realizaram 48.837 testes rápidos para HIV. Esse número representou um aumento de 171,6% em relação a 2015 (com 28.466 testes) e representou também 32% do total de testagem para HIV (sorologia + teste rápido) realizada em todos os estabelecimentos de saúde do município.

Diagnóstico deve ser precoce

A coordenadora estadual de IST/Aids e Hepatites Virais, Cristiane Benevides Mota, atribui a redução dos casos de transmissão vertical este ano ao trabalho que tem sido realizado em parceria com as secretarias municipais de saúde e organizações não governamentais para que as grávidas realizem o teste de HIV e sejam diagnosticadas precocemente para que o vírus não seja transmitido.

“Temos reforçado a importância do exame durante o pré-natal para o diagnóstico. Para aquelas mulheres que já têm a doença, orientamos que façam o acompanhamento correto com a equipe de saúde para que o bebê nasça saudável”, disse. 

Além disso, a descentralização dos serviços de diagnóstico e tratamento dos pacientes com HIV também contribuiu para que o Estado alcançasse esse resultado.

“Hoje, o teste rápido para HIV e também outras doenças sexualmente transmissíveis como Sífilis e Hepatites Virais estão disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde, onde as mulheres realizam o pré-natal e também nas maternidades”, destacou.

*Nome fictício para preservar a identidade da personagem

 

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