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Cotidiano
DADOS

AM é o terceiro no ranking de violência contra LGBT no Brasil, aponta relatório

No Amazonas, foram registradas 28 mortes, o que configura o Estado como o maior número de crimes da região. Desse total, só em Manaus foram 25 mortes, conforme o relatório 29/06/2017 às 07:06 - Atualizado em 29/06/2017 às 08:19
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Segundo a representante da Sejusc, Sebastina Silva, apesar do dado negativo, a luta contra a violência e discriminação têm avançado no AM
Isabelle Valois Manaus

O Amazonas continua entre os primeiros estados do País que lideram o ranking de violência contra Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (LGBT), assim nos aponta o relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB), que realiza o levantamento de todo o País anualmente. O Estado só fica atrás de São Paulo, Bahia e do Rio De Janeiro, mas lidera com o maior registro da região Norte.

Segundo o relatório do Grupo Gay da Bahia, somente em 2016, o ano considerado como o mais violento desde 1970 para LGBT’s, 343 pessoas foram mortas em todo o Brasil, 32 delas na Bahia. Em 2017, até 22 de janeiro, já foram documentados 23 assassinatos de LGBT’s.

No Amazonas, foram registradas 28 mortes, o que configura o Estado como o maior número de crimes da região. Desse total, só em Manaus foram 25 mortes. De acordo com o relatório, a capital foi a que registrou o maior número de assassinatos em termos absolutos, seguida de Salvador (17) e São Paulo (13).

Mesmo com esses dados, a gerente de diversidade e gênero da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), Sebastiana Silva, afirmou que o Amazonas tem avançado em melhoria em outros campos. “O Amazonas realizou três casamentos coletivos homoafetivos, isso é um total avanço. Nós agora estamos na fase de implementação do Conselho Estadual de Combate a Discriminação, onde a própria sociedade civil terá um assento, assim como o próprio poder público e a academia. Juntos poderão traçar metas e diretrizes de um plano estadual de políticas públicas para a comunidade LGBT e isso demonstra o quanto temos avançados”, completou.

Sebastiana acredita que com a vinda do conselho e as novas diretrizes será possível banir a discriminação, a violência e de outros meios de ações preconceituosas. “A gente sabe que isso é questões de médio e longo prazo. Temos muito que avançar, principalmente dentro da própria legislação, pois não temos lei que puna agressores de LGBTfobia”, comentou.

Conforme a gerente, as pessoas LGBT’s sofrem de um tipo de violência específico, que é sempre relacionado com a sexualidade do indivíduo. Nesse caso, a pessoa é agredida pelo simples fato da sua escolha sexual.  “Nós ainda temos um campo imenso para trabalhar, para pensar e conseguir garantir a cidadania plena desta comunidade e esse é o nosso desafio. Estamos na luta para que mais dias do orgulho venham tirar o Amazonas desse ranking”, disse.

Dia do Orgulho LGBT​

Para celebrar o Dia do Orgulho LGBT, ontem, foi realizada no Parque dos Bilhares uma ação para marcar este dia em Manaus. “Hoje (ontem) é um dia reflexão. Um dia de falar sobre o orgulho de quem somos, na nossa individualidade, na nossa condição a qual nós viemos nos constituir socialmente, mas também fazer essa reflexão dessa luta que ainda temos que passar por enfrentar uma sociedade muito conservadora e por conta disso há ainda muita violação dos direitos das pessoas LGBT’s e esse dia é dia lutar contra qualquer tipo de preconceito e por isso estamos apoiando essa ação”, completou Sebastiana.

Origem da comemoração

O Dia do Orgulho LGBT foi criado em homenagem a um dos episódios mais marcantes na luta da comunidade gay pelos seus direitos: a Rebelião de Stonewall Inn em 1969, quando bares de Nova York frequentados por homossexuais foram invadidos e pessoas foram presas.