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Cotidiano
Saúde

Amazonas registrou 30 casos de meningite em 2016, diz Fundação de Vigilância em Saúde

Nos últimos dois anos, de 2014 pra cá, foram 276 casos no Estado. Mesmo com todas opções de antibióticos para tratamento, a doença ainda causa morte em 10% dos casos 13/05/2016 às 05:00
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O infectologista Antônio Magela, da Fundação de Medicina Tropical, alerta para a importância de ficar atento aos sintomas (Foto: Aguilar Abecassis)
Luana Carvalho Manaus

A meningite é uma doença infecciosa que acomete a membrana que envolve o cérebro e a medula espinhal, cujo líquido que circula mantém a nutrição e equilíbrio do sistema nervoso central. No Amazonas, só neste ano, 30 casos foram registrados. Nos dois últimos anos foram 276. E, mesmo com todas as opções de antibióticos para tratamento, a doença ainda causa morte em 10% dos casos.

O infectologista Antônio Magela, da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT), explica que existem variados tipos de bactérias, vírus e fungos que podem causar meningite. “O líquido cefalorraquidiano (que circula na medula espinhal) é totalmente separado do sistema sanguíneo. Mas, quando uma bactéria que está no sangue consegue se alojar dentro do ‘espaço subaracnóideo’ (que existe entre as camadas da meninge) causa a meningite”.

Os casos de meningite menigocócica, uma infecção bacteriana aguda e agressiva, são mais comuns. “Um processo inflamatório agudo no corpo pode causar a meningite. Já as virais podem ser contraídas por uma infinidade de vírus, o mais comum deles é o que chamamos de vírus da cachumba”, completa.

Meningite por repetição

Existem casos de pessoas que tiveram meningite mais de uma vez, como o paciente João Vileno Pantoja da Silva, 34, que está internado no Hospital Pronto Socorro 28 de Agosto após o terceiro diagnóstico em menos de cinco anos.  “Quem sofreu acidentes, teve um traumatismo craniano ou tem alguma má formação central, pode ter uma fístula liquórica, que é um vazamento do liquor para o meio externo, geralmente através do nariz ou ouvido. Nesses casos, o risco de a pessoa contrair meningite por streptococcus repetidas vezes é maior”, explica Magela.

 A mãe do paciente, Maria Elizete Pantoja, 54, conta que o filho teve a doença pela primeira vez em 2011. “Primeiro ele teve uma meningite viral e as outras duas foram bacterianas. Graças a Deus ele não teve nenhuma sequela e agora está fazendo tratamento pela terceira vez”.

Sintomas

O especialista explica que a doença é fácil de ser identificada. “Diante do caso clínico, o médico já consegue perceber que se trata de meningite antes mesmo do diagnóstico laboratorial”, diz Magela. 

A doença inicia com uma síndrome infecciosa, febre, mal-estar, fraqueza, seguida de uma síndrome neurológica, com forte dor de cabeça, náusea e vômito com característica de jato. Em casos de meningite meningococica, manchas roxas surgem na pele e progridem rapidamente. “Com estes sintomas, o paciente deve imediatamente procurar a unidade de saúde mais próxima. Se o médico suspeitar de meningite, encaminhará para hospitais de referência”, orienta.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por meio de um exame de punção lombar, que consiste na coleta do líquido cefalorraquidiano na medula espinhal. “O resultado sai em torno de duas horas, mas mesmo que não seja uma meningite viral, o paciente deve ficar em enfermaria isolada nas primeiras 48 horas de tratamento, com antibiótico, obrigatoriamente”.

O tipo de meningite que mais deixa sequela é o causado pelo streptococcus por repetição, que pode causar surdez, distúrbio visual, convulsão, entre outros sintomas.

Total desde 2014

O número de casos de meningite registrados no Amazonas desde 2014 até abril deste ano é 306, segundo a Fundação de Vigilância em Saúde. Os casos mais comuns são de meningite meningococica. No Brasil, foram notificados mais de mil casos da doença em 2015.