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Cotidiano
DISPUTA

Amazonas tem mais de 60 conflitos de terra envolvendo 11,8 mil famílias, alerta Atlas

Publicação também apontou Boca do Acre como o município com mais disputas de campo. Em toda a Amazônia, o número chega a 980 conflitos 30/11/2017 às 15:40 - Atualizado em 30/11/2017 às 16:00
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Foto: Arquivo A Crítica/Luís Vasconcelos
Silane Souza Manaus (AM)

O Atlas de Conflitos na Amazônia, divulgado na manhã desta quinta-feira (30) pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), aponta a ocorrência de 66 conflitos no campo, envolvendo 11.806 famílias, no Amazonas. Em todo o território da Amazônia Legal, o número de conflitos chega a 980 e envolve 98,4 mil famílias.

O lançamento da publicação aconteceu na sede da CPT, na rua Silva Ramos, Centro de Manaus, e contou com a presença de trabalhadores, movimentos sociais, pastorais, entidades e instituições públicas envolvidos na temática.


Foto: Winnetou Almeida

O articulador das CPTs da Amazônia, Gilson Rêgo, explicou que este atlas tem uma proposta metodológica diferente por mostrar os conflitos que permaneceram vigentes nos últimos anos em cada estado da Amazônia Legal. “Diferente do Caderno de Conflito, que mostra os embates num determinado ano, o Atlas apresenta os conflitos que estão ativos até hoje, alguns inclusive são bem antigos”, destacou.

Boca do Acre lidera

No Amazonas, o município com o maior número de conflitos é Boca do Acre, distante 1.028 quilômetros de Manaus. Na região, foram registrados 24 conflitos, com 2.095 famílias envolvidas. Uma das principais causa para os embates no município é a expansão agropecuária, de acordo com o Atlas de Conflitos na Amazônia.

Segundo Gilson Rêgo, no Estado do Amazonas, assim como na parte oeste do Pará, no Amapá e Roraima, ocorre muita violência contra populações tradicionais, sejam elas quilombolas ou indígenas. “Essas populações estão sofrendo violência dentro dos seus territórios com a ocupação pelo capital, que avança, a grilagem de terra e o desmatamento”, afirmou.

Estados em alerta

Os estados da Amazônia Legal com o maior número de conflitos no campo são Maranhão, com 197 conflitos, seguido de Rondônia, com 191, e Pará, com 142. Já as regiões com o maior número de famílias envolvidas a posição se inverte, com o Pará na frente, com 20.498 famílias, seguido de Rondônia, com 17.099, e Maranhão, com 16.252.


Foto: Winnetou Almeida

O articulador das CPTs da Amazônia ressaltou que os números podem ser ainda mais elevados, uma vez que os conflitos registrados no Atlas são aqueles que as equipes das CPTs tiveram conhecimento. “Evidentemente isso não revela aquilo que concretamente tem nos estados, pois muitos conflitos não chegam ao nosso conhecimento. Há muito mais conflito do que estes que estão registrados no Atlas”, afirmou.

Mortes por conflito

O Atlas também trouxe o número de mortes provocadas pelos conflitos de terra no período de 2015 a 2017. No Amazonas, foram registradas três mortes, sendo uma em Iranduba, em 2015, e duas em Presidente Figueiredo, em 2016.