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Cotidiano
Banco de Sangue

Amazonas vai ter primeiro banco de sangue de tipos considerados raros

Iniciativa tem apoio do Ministério da Saúde e funcionará na Fundação Hemoam com apoio de unidades do Rio e Santa Catarina 18/01/2012 às 11:20
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O pesquisador e bioquímico Sérgio Albuquerque e sua equipe, da Fundação Hemoam, estão preparando o primeiro banco de sangues raros da Região Norte
Milton de Oliveira Manaus

Com a previsão de atender transfusões de sangue em pacientes com o tipo considerado raro, na Copa 2014, o pesquisador e bioquímico Sérgio Albuquerque e sua equipe estão preparando o primeiro banco de sangues raros da Região Norte, que funcionará na Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (FHemoam). A iniciativa tem o apoio do Ministério da Saúde e fará parte do primeiro banco de sangue de doadores raros do Brasil, que conta com unidades do Rio de Janeiro e Santa Catarina.

O pesquisador afirmou que a criação do banco vai agilizar as operações de pacientes com o tipo raro de sangue. “Em 2008, uma paciente do Pará com um tipo raro de sangue, que morava em Manaus, precisou de uma transfusão e não encontramos bolsas de sangue compatíveis. Depois de muito procurar, entrei em contato com uma central de doares de tipo raro de sangue, na Inglaterra. Eles responderam que somente havia duas bolsas na Cruz Vermelha de Osaka, Japão”, contou. A paciente tinha câncer de útero.

O projeto, disse o bioquímico, consiste em tipar (determinar os grupos sanguíneos) por meio de testes de biologia molecular, doadores que sejam compatíveis com os pacientes que realizam transfusões com frequência.

 “Com a tipagem, vamos montar o banco de sangue de doadores raros e melhorar significativamente o futuro das transfusões. Os dados serão armazenados na FHemoam”. O pesquisador afirmou, também, que no Brasil somente três hemocentros públicos serão pioneiros nesse assunto. “Nesse primeiro momento, a FHemoam faz o trabalho com recursos de pesquisas da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado do Amazonas (Fapeam) e, depois, contará com o apoio do Ministério da Saúde e passará a congelar as bolsas de sangue.”

 Segundo o bioquímico, os tipos de sangue mais conhecidos são os sistemas ABO e Rh, porém existem mais 28, sendo 30 ao todo, presentes nas células vermelhas humanas.

Conforme o Ministério da Saúde, após a doação o sangue é submetido a nove tipos de exames, capazes de identificar doenças como a Aids, sífilis, Doença de Chagas e hepatites. O doador também passa por um exame clínico que inclui uma entrevista. Nela, é verificado se o paciente não apresentou algum comportamento de risco, como ser usuário de drogas ou ter praticado sexo sem proteção. Se isso aconteceu, ele é automaticamente descartado como doador. Nos hemocentros, as pessoas recebem orientações sobre os cuidados que devem tomar antes da doação.

80% do coletado é das capitais

O Brasil conta com quase 2,5 mil serviços de hemoterapia, diz a página eletrônica do Ministério da Saúde. Desses, 2 mil realizam transfusão de sangue.

 Ao todo, 500 coletam sangue e 250 fazem triagem laboratorial para verificar a qualidade dele. Oitenta por cento do que é coletado em todo o País vêm das capitais.

 O ministério lembra, também, que a doação de sangue é um gesto solidário que ajuda a salvar a vida de milhões de brasileiros todos os anos. E não só por meio da transfusão.

Além das vítimas de graves acidentes, dos pacientes que irão se submeter a cirurgias delicadas ou que estão com alguma deficiência momentânea no organismo, por exemplo, milhares de cidadãos dependem de medicamentos que são produzidos a partir de um dos componentes do próprio sangue.

 Uma das preocupações das autoridades da Saúde nacional é a reposição de estoque neste período de Carnaval.