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Cotidiano
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Amazoneidade: A identidade amazonense no exterior

Amazonenses que vivem fora do país falam como mantêm  a ligação com a terra natal 15/01/2012 às 10:40
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Ana Elisa Audun na Dinamarca
Júlio Pedrosa Manaus

Abdicar da cultura e dos costumes de seu país para passar a viver em outro. Esse desafio, que a princípio parece fácil, haja visto o grande número de brasileiros que hoje vivem no Exterior, é para um grupo em especial - os amazonenses - uma tarefa mais que difícil. A CRÍTICA partiu para verificar, na prática, como é para  pessoas, nascidas amazonenses, viver a experiência de morar no Exterior, longe do calor, da farinha do uarini, do tucumã, do tambaqui. A reportagem entrou em contato com manauaras que se encontram hoje espalhados pelos quatro cantos do mundo. Dinamarca, Estados Unidos, Inglaterra, Itália, Patagônia, Japão, onde quer que estejam todos  são unânimes em reafirmar a necessidade de manter viva a ligação com as raízes.

X-Caboquinho

É o caso de Ana Elisa Audun, 32. Ela é enfática ao assegurar que sua referência será sempre Manaus. Ana mora há quatro anos e meio na cidade de Copenhague, na Dinamarca. Aprendeu a conviver com as baixas temperaturas e a dificuldade da língua - o dinamarquês. “A comida que eu gosto está aí, sonho com o x-caboquinho”, brinca ela, lembrando que para lidar com a saudade utiliza sempre o telefone e o Facebook. “Foto de comida amazonense eu nem olho”, diz Ana, que é casada com um dinamarquês.

Outra forma de compensar a ausência é voltar. Pelo menos uma vez por ano, Ana, que é gerente de uma empresa de consultoria em RH, e o marido, escolhem o Brasil para o roteiro de férias. Atualmente, o casal se encontra no Rio de Janeiro. “Já sabendo que eu estava vindo, minha melhor amiga veio de Manaus para o Rio e trouxe tudo que eu gosto, tambaqui, tucumã, pirarucu, comi de tudo”, comenta, satisfeita. Na Dinamarca, ela chega a enfrentar temperaturas de 18 graus negativos.

Paisagem Diferente

O frio também é uma barreira para a arquiteta Suellen Rodrigues, 28, que mora com o marido e os três filhos na Província de Terra do Fogo, na Patagônia, Sul da Argentina. “Vim porque meu marido é engenheiro de produção elétrica e foi transferido pra cá, mas é muito diferente”, conta ela, que também sente saudade do peixe de água doce e agora convive com paisagens geladas, repleta de pinguins e animais marinhos. “O peixe do mar não tem o sabor igual ao nosso. Temos condição de fazer duas viagens por ano e é a única maneira de nos reabastecermos”, admite.

A relações públicas Carla Conte, 31, se queixa de que nunca encontra os produtos amazonenses nas lojas especializadas em artigos brasileiros na cidade de Alessandria, no Norte da Italia, onde vive há cinco anos. “Frutas do Brasil a gente encontra aqui, mas nunca as de Manaus”, lamenta.