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'Amazonino é o maior dos apoiadores do Artur', diz Vanessa

Segunda colocada no segundo turno da eleição em Manaus, a senadora Vanessa Grazziotin quer vencer a disputa mostrando que o adversário tucano é aliado do atual prefeito da cidade   14/10/2012 às 15:12
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Sabino Castelo Branco declarou apoio a candidatura de Vanessa Grazziotin na tarde desta sexta-feira (12)
Kleiton Renzo Acrítica ---

A senadora Vanessa Grazziotion (PCdoB) inaugurou a fase decisiva  da campanha eleitoral em Manaus com uma estratégia para superar os quase 200 mil votos que a distanciaram de Artur Neto no primeiro turno: colar  a candidatura do ex-senador  à gestão mal avaliada do prefeito Amazonino Mendes (PDT). 

Na entrevista concedida para A CRÍTICA, Vanessa, que já anunciou a vinda da presidente Dilma a Manaus, daqui a uma semana, critica a adesão dos três candidatos a prefeito que não passaram para o segundo turno à campanha do candidato tucano. Fala também das propostas de um eventual governo do PCdoB e do projeto político do grupo do qual faz parte.

O comício com a presidente Dilma Rousseff na próxima sexta-feira  está confirmado?

Estava confirmado para o dia 18 de outubro. Ela está disposta a nos ajudar pela questão do projeto político. Só que dia 18 fui informada que irei participar do debate na Band Amazonas, e a presidenta irá passar o feriado com a família. Ela só volta a atender telefone e essas coisas na segunda-feira (15), e então vamos confirmar com ela que possivelmente será no dia 19, na sexta-feira o comício e depois vamos marcar uma outra data com o presidente Lula.

Como a senhora vai reverter a diferença de 20% da votação do primeiro turno em relação ao candidato Artur Neto?

Primeiro, vamos continuar falando do nosso plano de governo e não só das propostas, mas vamos falar em como viabilizaremos as nossas propostas. Porque o prefeito anterior ao atual falou de uma proposta interessante: construir 100 creches. Mas o Serafim (Corrêa) construiu uma. O atual prefeito falou de mil creches e não fez nenhuma. Eu visitei alguns esqueletos de creche dele. Nenhum candidato pode dizer que vai fazer tudo com os recursos que a prefeitura tem. É uma campanha diferente porque só tem dois candidatos. E no nosso caso são candidatos tipo água e vinho. Somos antagônicos. No primeiro turno, nós tínhamos nove candidatos, mas somente eu recebi ataques. Qualquer pessoa sabe disso e partiram de todos os lados.

A senhora já esperava a união dos outros candidatos no segundo turno?

Principalmente daqueles que foram para o outro lado. A nossa campanha teve que tirar a propaganda do Henrique Oliveira do ar. Porque era ofensiva não só à condição de candidata mais à mulher. Nos debates a mesma coisa. O Serafim Corrêa fez a mesma coisa. Ele sabe que o candidato apoiado pelo Amazonino não sou eu, mas ele batia em mim. E depois dos anúncios de ontem ficou muito claro que isso já era um jogo montado no primeiro turno. Isso ficou claro ontem. O Henrique foi para o lado do Artur a mando do Amazonino. Eu já disse e o jornal A CRÍTICA publico hoje (ontem).

A senhora acredita que não foi o senador Alfredo Nascimento quem determinou o apoio do Henrique Oliveira?

Eu falo Henrique, mas é o mesmo que falar Alfredo. O Alfredo está junto. O Serafim já vem com uma proximidade com o Artur. Ele não tem projetos. Não tem ideologias. O projeto do Serafim se chama Serafim. Por isso ele foi um péssimo prefeito. Ele é membro do PSB, mas a aliança dele com o PSDB aqui já vem de 2008, quando deram apoio pra ele. Então, o Serafim não tem projeto e é contra qualquer pessoa que tem projeto. O Serafim é uma pessoa vingativa. Se ele fosse olhar projeto ele estaria aqui conosco, mas não está. Eu faço parte de um bloco no Senado de apoio ao governo com o PT, PCdoB, PSB, PP, PMDB.

Serafim Correa justificou o apoio ao ex-senador  para dar equilíbrio a hegemonia política, no Amazonas, do grupo da qual a senhora faz parte.

Mas que hegemonia? Então ele quer dar parte do poder ao PSDB. O PSDB que um dia desses ingressou com ação na justiça contestando todos os incentivos da Zona Franca de Manaus. Aliás, são muitas ações, mas nenhum tão violento quanto este último. Eu não sei de que hegemonia ele está falando. Eu não sou do PSD. O governador é. Não sou do PMDB. Eu sou do PCdoB. Agora, estamos dentro de um time político, inclusive o dele, o PSB. Eu não represento hegemonia. O que ele quer na verdade é espaço para um partido político que é oposição ao nosso projeto político.

A senhora pensa em reconsiderar, no segundo turno, alguma estratégia usada no primeiro turno da disputa?

A diferença nessa eleição de segundo turno é que no primeiro tínhamos nove candidatos e era muito pulverizado. E agora sou eu e meu adversário. Aglutinou em torno dele todos os ex-prefeitos que tiveram a oportunidade de ser prefeito e não melhoraram a cidade. Quem é Serafim? Quem é Henrique? O próprio Artur foi prefeito dessa cidade e o Amazonino, o maior dos apoiadores dele, que ele esconde. Todo mundo sabe que ele tem esse apoio, mas ele usa essa tática porque sabe que o Amazonino é um prefeito mal avaliado. E nós temos a obrigação e o dever de mostrar isso à sociedade.

A senhora  priorizará a campanha em alguma zona da cidade?

Na Zona Leste a diferença (de votos) foi menor. Na Zona Oeste foi maior, e claro que a gente vai fazer um trabalho direcionado onde ocorreram os maiores problemas. Mas eles fizeram uma campanha muito forte contra mim, e chegaram ao cúmulo de transformar uma agressão que eu sofri em uma farsa. E fizeram isso tudo de forma ilegal.

A senhora usou muitos programas para explicar esse episódio do ovo. Essa situação em algum momento não pôde ter-lhe tirado votos?

Não fui eu só que usei. Ele também usou na propaganda dele e acho que até mais do que a gente. Uma das propagandas dele, que a justiça proibiu, ficou cinco dias no ar.

A sua coligação entrou com processo contra essa veiculação que a justiça proibiu?

Tem processo pra todo lado. Na justiça comum e na eleitoral. O que não vai faltar nessa campanha são processos. O fato é que houve uma ocorrência. Ficou comprovado que foi pessoal ligado à campanha dele que fez a agressão, não só física, mas moral. Com pessoas segurando bruxas, bonecas de vudú. Você viu essas fotos?

Vi sim.

Pois é. Nenhum jornal publicou. Nenhum jornal publicou o boletim de ocorrência do menino que foi pego no dia e deu nome falso, mas no dia seguinte teve que ir lá e dar o nome verdadeiro. Nenhum jornal publicou isso. Nenhuma rádio de Manaus falou disso. Mas isso é passado.

Mas a senhora então acha que a imprensa foi conivente ao não publicar?

Não diria conivente. Eu acho que a imprensa tentou virar a página, como eu queria também. Mas ele (Artur) até o dia das eleições, não virou. Se fores no TRE-AM, irás comprovar que vários panfletos desses foram apreendidos sendo distribuídos no dia da eleição.

Nesse segundo turno, o seu candidato a vice-prefeito estará mais à frente da campanha?

Nós definimos no início da campanha qual seria o papel do vice. Ele está em todos os cartazes. Não em todos, em alguns estou sozinha, em outros com o senador Eduardo Braga, outros com o governador Omar Aziz, então eu não escondi vice nenhum. Ele desempenhou papel relevante na campanha.

O fato dele ser ex-secretário do prefeito não prejudicou sua campanha?

Eu acredito que não. Ele foi apenas um secretário do Amazonino, mas não tem ligação com ele e muito menos qualquer compromisso. Se tem alguém que pode dizer que nunca teve ligação com Amazonino, sou eu. Esse partido é o PCdoB.


Curiosidades

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A senadora Vanessa Grazziotin revela que aumentou os comprimidos de vitaminas para diminuir o desgaste físico e que mantém a agenda de senadora em dia

Como a senhora está conciliando a agenda de candidata e de senadora?

Essa semana, eu ainda irei definir se eu vou para Brasília ou não. Eu fui a todas as reuniões extraordinárias, e como eu perdi o avião na conversa com a presidenta Dilma, eu fui trabalhar no Senado. Passei a tarde no meu mandato, respondendo documentos e lendo pareceres de projetos que eu tenho que relatar.

No segundo turno, a senhora vai aumentar o ritmo de campanha na rua?

Eu acredito que não. Não vou poder aumentar. Estou conversando com você, mas dormi apenas três horas depois de 38 horas acordada. Eu saí na madrugada de quarta-feira e voltei ontem a noite às 23h e vim gravar programa na produtora. Saí daqui às 3h da manhã, fiz uma caminhada e estou em reuniões sucessivas. Não parei um minuto.

A senhora está dormindo quantas horas por noite?

Em média eu estou conseguindo dormir cinco horas. O que pra mim já é suficiente, mas eu gostaria de pelo menos uma hora a mais (risos).

E como fica a família nesse período?

A minha filha está em Manaus. Ela está fazendo especialização fora em Nutrologia. Ela é médica. Ela está fazendo um esforço para ficar aqui e me ajudar a cuidar da casa. Minha família é meu marido e minha filha. E ela cuida de tudo pra mim, da minha roupa, da minha comida. Ela que cuida de separar minhas vitaminas. Por falar nisso deixa eu tomar as vitaminas que já passou da hora.

A vitamina, que a senhora toma, é para ajudar no ritmo da campanha?

É. Eu tomo muitas vitaminas. E agora a ordem do médico foi de aumentar nesse período de campanha. Eu não tenho tempo de pegar cada potinho de vitamina. Tem que estar tudo pronto. E ela me ajuda muito nisso. Ela separa tudo pra mim, deixa minha roupa toda bonitinha. É uma graça.

Este mês a vida da senhora vai ser corrida.

Não, não. Na campanha nem tanto. Eu fui ontem para Brasília para essa reunião com a presidenta, devo ir nessa semana mais uma vez. No primeiro turno a gente tinha programa um dia sim outro não. Agora no segundo turno é diário. Então a exigência é maior. Eu tenho gravações todos os dias. Vou ter que me dividir entre as atividades de campanha nas ruas  e as gravações dos programas.