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Apesar da relevância, igapó e várzea são vulneráveis às mudanças climáticas

Áreas úmidas da Amazônia têm alto valor para produção de pesca, pecuária, agricultura e silvicultura. 17/02/2012 às 19:26
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Áreas de várzea no Amazonas são periodicamente atingidas pela cheia no Estado
acritica.com Manaus

As áreas úmidas (várzea e igapós) ocupam 25% da Amazônia, mas são altamente vulneráveis às mudanças hidrológicas provocadas pelo homem e às mudanças climáticas.

O alerta é da cientista Maria Teresa Piedade, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), que coordenou uma grande expedição iniciada em 2007 e encerrada em 2011. O resultado da pesquisa foi divulgadoi nesta quinta-feira (16) pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam).

“Os dados do trabalho podem ajudar a planejar e orientar as políticas públicas de manejo sustentável do Estado”, destacou a pesquisadora.

Foram realizadas 11 grandes expedições que cobriram municípios do Amazonas, como Tabatinga, Tefé e Santa Isabel do Rio Negro, distantes, respectivamente, 1.105 km, 575 km, e 846 km, além de outros pontos. Os pesquisadores cobriram os rios Japurá, Juruá, Negro e Tapajós.

A pesquisadora salientou que as áreas úmidas da Amazônia têm alto valor em comparação a outros ecossistemas como áreas para produção de pesca, pecuária, agricultura e silvicultura.

Esses ambientes atuam como tampões no ciclo hidrológico da região, uma vez que atuam como barreiras contra incêndios, estocam carbono (CO2), limpam a água e ajudam a preservar a biodiversidade – são habitats para plantas e animais.

Tipologia

Os resultados indicam que, como as áreas úmidas são ambientes onde as águas predominam um período longo do ano, essa característica ajuda a conter comunidades de plantas e animais específicos do local.

Mas a pesquisadora alertou que esses lugares não podem ser confundidos com locais onde chove com frequência.

Com a pesquisa também foi possível refazer a tipologia das áreas úmidas e alagáveis e refinar a classificação dentro de vários parâmetros, como físico químico, condutividade e pH, além de identificar os tipos de coberturas vegetais desses ambientes.

“Atualmente, estamos elaborando uma tipologia para igapós e várzeas para poder destacar as diferenças dentro do mesmo de áreas úmidas. Pretendemos indicar as diferentes formas de uso pelo homem para cada uma delas”, informou.

Inundações

As áreas marginais ao longo dos grandes rios da Amazônia, conforme a pesquisadora, recebem um volume enorme de água durante o período de enchente. São mais de dez metros de altura em média entre o pico de seca e de cheia.

Significa que a expansão lateral das águas durante as cheias atinge vários quilômetros de extensão em diferentes ambientes, como savanas e interflúvios.

Todas essas áreas alagadas, periodicamente, são classificadas como áreas úmidas. Ela explicou que se essas áreas estiverem situadas ao longo dos grandes rios são chamadas de áreas alagáveis, ou seja, submetidas a grandes pulsos de inundação.