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Após empresas de ônibus retomarem trajeto na BR-319, via se tornou fonte de esperança

Luta pela restauração: desde que os ônibus começaram a trafegar pela rodovia federal BR-319, moradores da estrada começam a ter perspectiva de desenvolvimento 18/01/2016 às 10:30
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Moradores acreditam que a abertura da rodovia, o desenvolvimento chegará às comunidades que ficam à beira da estrada
Kelly Melo Manaus (AM)

O agricultor Manoel Gomes da Silva, 70, e a esposa dele, Maria Luana da Silva, 26, moram em um pequeno sítio no quilômetro 200, da BR-319. Desde que os ônibus de viagem começaram a trafegar pela rodovia, em outubro do ano passado, os moradores das comunidades ao longo da estrada começam a ter mais esperança com a possibilidade de desenvolvimento que ela pode trazer.

Além da agricultura, seu Manoel vive da criação de peixes. Mas a falta de estrutura da BR-319 dificulta o escoamento dos produtos para os municípios próximos e impede que ela faça novos investimentos no setor.

“Se a BR 319 for totalmente revitalizada, isso vai no ajudar bastante, porque os veículos vão ter mais condições de trafegar por aqui. Do jeito que está, ninguém quer vir de Manaus comprar produto aqui, porque vai ser muito caro e não vai compensar nem para mim, nem para eles”, reclamou o homem de vida simples.

Outros fatores críticos que também  incomodam quem mora no local é a ausência de hospitais e escolas na região. Essa deficiência fez com que a dona de casa Maria  Luana levasse a filha mais velha dela, Maria Adriana, de apenas 12 anos, para o município de Lábrea, no sul do Amazonas.

“Ela pensa alto e quer ter chance de estudar em lugar melhor, então não adianta ficar por aqui, porque aqui não temos nada. No ano passado, ela tinha que andar 17 quilômetros para chegar na escola mais próxima, porque tudo fica distante. Lá em Lábrea, a minha filha vai ficar com o pai dela e acredito que vai ser o melhor, nesse momento”, contou a dona de casa enquanto aguardava pelo transporte na beira da estrada, em meio ao barro e poeira.

A líder comunitária da comunidade Igapó-Açu, localizada entre os municípios de Careiro Castanho e Manicoré,  Sônia Corrêa de Assunção, 28, falou sobre a dificuldade de transporte terrestre. Ela que nasceu e foi criada na comunidade, disse que há mais de 20 anos não via ônibus passar pelo local.

Desde que a estrada começou a ser trafegada por veículos de pequeno e grande porte, ela conta que o deslocamento ficou mais fácil. “Nós também defendemos a BR-319 porque ela é fundamental para a nossa gente. Antigamente, a prefeitura tinha que pagar um caminhão ou barco para ir até Manaus, mas tudo era muito difícil. Mas se essa obra sair do papel, tudo pode melhorar, até para o comércio”, destacou a líder comunitária.

Fluxo aumentou em 3 meses

Mesmo com todos os percalços, o número de veículos seguindo nos dois sentidos da via (Manaus-Porto Velho-Manaus) aumentou nos últimos três meses. 

“Essa foi a vantagem desde que começamos a operar o transporte de passageiros até Lábrea e Humaitá. Antes até tinha tráfego, mas era bastante tímido. E, quando começamos a operar o transporte de passageiros, o movimento só aumentou e agora é muito comum cruzarmos com os carros de passeios, não somente de amazonenses, mas também de pessoas de outros estados”, afirmou o diretor administrativo da Aruanã Transportes, Eduardo Machado. 

De acordo com ele, atualmente, aproximadamente 200 pessoas fazem o trajeto até o Sul do Amazonas, através dos  ônibus.

Por conta própria

Contrariando a suspensão das obras de manutenção e revitalização da BR-319, na última semana, um grupo de pessoas que defende a liberação do tráfego de veículos pela rodovia decidiu, por conta própria, restaurar pontes e desvios ao longo da estrada, a partir do quilômetro 350, que apresenta condições precárias de trafegabilidade.

Impasse

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) informou que aguarda a emissão da licença ambiental pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) para  iniciar os serviços de manutenção ao longo da rodovia. O órgão acrescentou ainda que aguarda a licença de pavimentação  do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para dar continuidade aos trabalhos.

No início do mês, o Estado do Amazonas informou que propôs a formalização de um termo de cooperação com o Ministério do Meio Ambiente e Ibama  afim de assegurar o licenciamento ambiental das obras de recuperação da BR 319.  O processo está em curso.

Estrutura precária: Embora os moradores defendam a revitalização da rodovia, a estrutura da BR-319 não é das melhores, a partir do município do Careiro Castanho (a 102 km de Manaus). Como a estrada ficou intrafegável por mais de 25 anos, boa parte do asfalto que revestia a pista, se deteriorou em alguns pontos e a estrada segue no barro e piçarra em outros.

Sem fiscalização: A rodovia  não possui acostamento, nem mesmo sinalização de trânsito, o que faz com que os motoristas dirijam em baixa velocidade e com  atenção redobrada, principalmente a noite. E a falta de fiscalização dos órgãos de segurança também está ausente, o que facilita a extração  irregular de madeira e o descaminho de veículos roubados e o tráfico de drogas.