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Cotidiano
Fornecimento água

Arsam constata que parte das falhas no abastecimento de água em Manaus é causada por problemas no fornecimento de energia

Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Amazonas constatou problema e enviou relatório à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) 16/01/2012 às 07:33
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Moradores do Jorge Teixeira são abastecidos por meio de poços, cujas bombas desligam com a falta de energia elétrica
Florêncio Mesquita Manaus

Parte dos problemas de falta de água nos bairros das zonas Norte e Leste de Manaus são causados por falhas no serviço de abastecimento de energia elétrica. A situação, confirmada pela Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Amazonas (Arsam), ocorre porque o abastecimento de água, em alguns bairros dessas zonas, é feito por meio de poços tubulares, também conhecidos como poços artesianos, que param de funcionar quando há queda de energia, falha ou corte no sistema elétrico.

Com a interrupção, os equipamentos que dependem de energia elétrica para que as bombas possam captar água e distribuir, levam, em média, de 20h a 24 horas para serem restabelecidos. Durante esse período, o consumidor acaba ficando sem água.

 Atualmente existem 205 poços artesianos em Manaus. Destes, 125 estão em operação, 47 estão desativados, 19 são poços reservas e outros dois, com menor capacidade de abastecimento, são acionados para dar suporte aos que apresentam falhas. Os poços fazem parte do sistema isolado de distribuição e correspondem a 18% do volume de água gerado na cidade.

 Bairros

Entre os bairros da Zona Norte abastecidos por poços estão Santa Etelvina, Nova Cidade, Colônia Terra Nova, Cidade Nova, Cidade de Deus, Novo Aleixo, Novo Israel entres outros. Já na Zona Leste estão Jorge Teixeira, Tancredo Neves, São José Operário, Armando Mendes, Gilberto Mestrinho e Zumbi dos Palmares.

De acordo com o diretor-presidente da Arsam, Fábio Alho, a concessionária Águas do Amazonas tem razão quando diz que não consegue regular o abastecimento de água nas áreas que dependem de poços por conta da energia elétrica. Em contrapartida, ele esclarece que a mesma justificativa não se aplica às demais zonas da cidade, onde também falta água só que na rede de distribuição, feita por meio de tubulações.

Segundo Fábio, os poços param imediatamente quando a rede elétrica oscila e, em alguns casos, as bombas d'água e outros equipamentos queimam, devido a inconstância da carga elétrica. Alho também esclarece que o restabelecimento do sistema do poço é lento porque precisa captar a água, gerar pressão e só então distribuir e enviar à casa do consumidor. A demora é agravada nos bairros que concentram morros e áreas de desnível, uma vez que, o poço tem que gerar uma pressão maior ainda para distribuir a água, completa Alho.

 Ação judicial

O prejuízo com a perda de equipamentos, segundo Alho, levou a Águas do Amazonas a mover uma ação contra a Amazonas Energia no ano passado. Segundo ele, a partir do momento em que há denúncia, a Arsam aciona a concessionária para saber os motivos e cobrar soluções.

Em março do ano passado, a diretoria técnica da Arsam elaborou um relatório com mais de 300 páginas no qual aponta uma série de registros de falta d’água cuja causa foi a deficiência na rede de energia elétrica. O documento foi entregue a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), responsável por fiscalizar os serviços da Amazonas Energia.

 Prefeito ameaçou substituição

 O prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, chegou a afirmar que iria rescindir o contrato do município com a concessionária Águas do Amazonas e substituir empresa. A declaração foi feita no final de novembro de 2011, durante a visita ao parque “Cidade da Criança”, no Aleixo, Zona Centro-Sul. No mesmo período, a empresa, por sua vez, preferiu não se pronunciar sobre o assunto. O prefeito ressaltou que estava trabalhando na mudança há seis meses, de modo silencioso. No mês seguinte, Amazonino voltou a dizer que substituiria a empresa por conta da má prestação de serviço, porém, até este mês, nada foi feito.

Nas duas situações, o prefeito justificou que pretendia solucionar os problemas no fornecimento de água da capital. Ele classificou a mudança da prestadora de serviço de águas como “grande briga com a água”.

Conforme a Arsam, a quebra é prevista no contrato e pode ser realizada pela má prestação de serviço público, descumprimento de normas de contrato, advertências, multa e sugestões de multa que a empresa tenha sofrido. A rescisão também deve ser acompanhada por órgãos que atestem o desserviço, tais como, a própria Arsam, Procuradoria Geral do Município (PGM) e Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf).

 

Regularização tem prazo de duas semanas

A concessionária de água tem prazo de duas semanas para resolver o problema de interrupção do serviço nas ruas 39 e 38 do bairro Amazonino Mendes I, Zona Norte, e suspender a cobrança indevida das tarifas, no período em que a área ficou sem água. A medida foi determinada pela Arsam, que pediu a normalização imediata do serviço.

A interrupção foi constatada pelo Departamento de Fiscalização de Saneamento da Arsam nas duas ruas, bem como, a denúncia de que a empresa não disponibilizou qualquer explicação aos moradores.

Embora o prazo de regularização do serviço seja de duas semanas, a diretoria da concessionária prometeu que começará os trabalhos para resolver o problema a partir das 9h de hoje, 16.

Depois que o serviço for normalizado, a Águas do Amazonas deve convocar os usuários para fazer um acordo. Segundo Fábio Alho, a interrupção na nessa área não se justifica pela falha no abastecimento de energia, porque não conta com poço tubulado.

 Campeã

Até dezembro de 2011, a Águas do Amazonas liderava o número de reclamações e processos no Programa Estadual de Proteção e Orientação ao Consumidor (Procon - AM): nos últimos quatro anos, acumulou R$ 1,265 milhão em multas e autos de infração. Já a Amazonas Energia é a segunda no ranking das reclamações com o total de R$ 975 mil em multas. Pela Arsam, que sugere multas, a Águas do Amazonas somou R$ 2.677.659,89 em 2011.