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Cotidiano
Aldemir UEA

Atual reitor da Universidade do Estado do Amazonas descarta permanecer no cargo depois de período de transição

José Aldemir afirma que ao fim do acordo de transição, feito com o governador Omar Aziz, deixará a direção da universidade 19/01/2012 às 07:52
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O reitor da UEA, José Aldemir de Oliveira, afirma que seu compromisso hoje é consolidar a instituição, depois sairá
Kleiton Renzo Manaus

Após um ano turbulento vivido pela Universidade Estadual do Amazonas (UEA), com manifestações estudantis, exigência do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM) pela demissão de professores terceirizados, além de problemas financeiros, o reitor da instituição, o geógrafo José Aldemir de Oliveira, afirma que em 2012 as ações são para superar a crise. E garante: cumprido o “acordo de transição” assumido por ele com o governador Omar Aziz (PSD), não pretende mais permanecer reitor da universidade.

“Nosso compromisso é fazer um trabalho que consolide a UEA”, disse José Aldemir, nessa quarta-feira (18), em entrevista a A CRÍTICA. E acrescentou, “eu sou um cargo de confiança. O meu trabalho com o governador é fazer essa transição: ou nomeando outro para meu lugar, se achar necessário. O que ele vai fazer, é com ele, e não comigo. E eu não corro nenhum risco de concorrer a nada. Nem ao cargo de reitor, nem a nada. Eu não tenho o menor perfil”, resumiu Aldemir.

Com orçamento previsto de R$ 284,7 milhões para tocar a UEA em 2012, José Aldemir terá o primeiro semestre para resolver a pendência com o TCE-AM e o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), que no ano passado exigiram a demissão de 97 professores contratados precariamente pormeio de terceirização e exigiram a realização de concurso público.

Na terça-feira (17), o reitor reuniu com os diretores das unidades da UEA , tanto da capital quanto do interior para definir as datas e vagas dos concursos.

 “Nós vamos fazer um concurso para 236 vagas. E lançaremos o primeiro edital até o dia 31 de janeiro e assim faremos em fevereiro e em março, com o último. Faremos um grande esforço para que até 30 de junho essas vagas tenham sido preenchidas”, indicou José Aldemir.

O reitor explicou que não tinha como cumprir a decisão do TJ-AM pela demissão sumária dos professores, sem comprometer o ano letivo. “Fizemos um acordo com o Tribunal (de Justiça) com o demonstrativo da necessidade, e eles nos permitiramem”. Por meio do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), a UEA se comprometeu a ter todo seu quadro efetivo de concursados até 31 de dezembro de 2012.

 “Há uma perspectiva muito forte (pelo concurso público). Primeiro, pelo patamar do nosso salário, que é um dos maiores do País. E segundo, não haverá em 2012, tantos concursos para outras universidades públicas como tivemos em 2011”, justifica o reitor. No ano passado a UEA conseguiu 8% de reajuste no salário para os servidores.

Outros pontos defendidos pelo reitor da UEA como prioridade para este ano são a melhoria das condições de estrutura e de atendimento aos alunos e professores, aumento da banda de Internet das unidades do interior, e a abertura de mais dois Centros de Ensino Superior.

Unidades do interior serão prioridade


Até a primeira quinzena de fevereiro deste ano os Centros de Ensino (CE) da UEA nos municípios de Parintins, Itacoatiara, Tefé e Tabatinga, terão aumento na banda de Internet, que hoje é de 256kbps (que é a taxa de transferência em comunicações em série).

 “Acabamos de fazer uma licitação e vamos colocar no interior 2MB. A empresa terá 30 dias para colocar nos quatro campis. As demais unidades nós iremos tratar direto com a Prodam. Isso representará um investimento só de Internet na ordem de R$ 2 milhões por ano”, explica Aldemir.

Os alunos vindos do interior para Manaus deverão ser beneficiados com novos projetos a partir deste ano. De acordo com José Aldemir, hoje a UEA ajuda com vale-alimentação e vale-transporte mais de 200 alunos que comprovam baixa renda. A estrutura física de mais dois CEs já estão prontas.

 “Nós já estamos utilizando como núcleos os centro de Lábrea e São Gabriel da Cachoeira. Então temos leste, oeste, sul e norte (do Estado) atendidas pela universidade”, disse.

Cabo de guerra para aprovar o PCCR

Após uma exaustiva negociação entre representantes de sindicatos de professores e técnicos administrativos ligados à Universidade Estadual do Amazonas (UEA), em setembro de 2011, a Assembleia Legislativa (ALE-AM), aprovou a mensagem do governador Omar Aziz (PSD), que instituiu o Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) da Universidade.

 Por meio de uma emenda do deputado estadual, Chico Preto (PSD), ficou definido que a escolha do reitor da instituição deverá ocorrer por votação direta da comunidade acadêmica. Porém, a elaboração do Estatuto que regulamenta essa escolha ainda não está pronta. Além disso o PCCR concedeu 8% de reajuste salarial retroativo à 1º de agosto daquele ano aos servidores da instituição.

 “É o processo natural que a universidade escolha seu reitor e seus dirigentes. Como vai ser e quando vai ser, é com ele. Ele verá o melhor momento. O meu trabalho com o governador é fazer essa transição”, disse Aldemir.