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Aventura na vida fronteiriça no pelotão de Cucuí, na região da tríplice fronteira

Jovens casais, experientes militares e indígenas se ajudam na missão de guarnecer uma das regiões mais remotas do País 12/05/2012 às 19:43
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Pelotão Especial de Fronteira de Cucuí
Antonio Ximenes ---

O tenente Ricardo Brasil, 27, casou com Karine,22, e passou a lua de mel em uma humilde casa do Pelotão Especial de Fronteira de Cucuí, na tríplice fronteira de Brasil/Venezuela/Colômbia, na “Cabeça do Cachorro”, no Município de São Gabriel da Cachoeira (a 858 quilômetros de Manaus). “Casamos e disse para a minha mulher vamos viver no lugar mais longe do Brasil e defender a pátria. Ela me olhou nos olhos e disse: estou contigo”.

Karine, em seus poucos mais de 50 quilos, olhos verdes, pele clara e uma fibra de guerreira de selva viu na atitude do marido uma consequência natural da sua profissão. “Vou para onde ele for, aqui na floresta como em qualquer outro lugar”, disse. Disposta a preencher os dias da melhor forma possível, ela assumiu a liderança de um grupo de 14 famílias de militares que forma o núcleo do Exército brasileiro nesta unidade militar, subordinada à 2ª Brigada de Infantaria de Selva, comandada pelo general-de-brigada Sergio Luiz Goulart Duarte.

Cucuí tem 46 militares e aproximadamente 800 indígenas, a maioria da etnia baré, espalhados por mais de 13 aldeias, há menos de dez anos eles eram 6 mil habitantes, mas as dificuldades enfrentadas pela ausência de trabalho e de infraestrutura levaram a maioria da população a se mudar para São Gabriel da Cachoeira, Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e para Manaus.

Combate

 “Eu nasci aqui e tenho orgulho de ser sargento, mas as dificuldades são muitas, porque não há trabalho”, disse Gregório, militar que em 2006 foi considerado herói na região ao impedir que narcotraficantes entrassem no País em um combate que resultou na morte de um dos criminosos pelo seu fuzil. “Quando lembro que já entrei em combate na fronteira, valorizo ainda mais a minha profissão”, comentou.

Para o soldado Alzimiro da etnia baré, a região é perigosa, porque os narcotraficantes não respeitam os limites da fronteira. “A gente vivia tranquilo, agora, as coisas estão mais agitadas, porque os bandidos estão cada vez mais ousados”, disse momentos antes de partir para uma missão de dois dias, no âmbito da Operação Ágata 4, junto com outros oito militares, pelo rio Tiquié, bem na fronteira do Brasil com a Colômbia e Venezuela.

Com a ampla falta dos gêneros alimentícios típicos das cidades, como feijão, arroz, enlatados, macarrão, carne bovina entre outros, a população de Cucuí costuma se alimentar de caça e pesca. Mas, com a cheia recorde do rio Negro, os cardumes diminuiram e os animais praticamente sumiram. A fome não domina as famílias locais, porque todos se ajudam. Quando falta comida em uma famíia, o vizinho partilha o que tem. A solidariedade é uma das mais fortes características no Pelotão Especial de Fronteira de Cucuí.

Comandante valoriza o grupamento

O Comandante Militar da Amazônia, general Eduardo Villas Bôas, que supervisiona diretamente a Operação Ágata 4, fez questão de ir ao pelotão especial de fronteira de Cucuí para valorizar a tropa e o comandante Brasil e sua esposa. “É pela coragem deles terem assumido a responsabilidade de comandar uma área com população predominantemente de indígenas e com todas as dificuldades de quem está em uma das regiões mais isoladas do Brasil”, destaca o comandante Militar da Amazônia.

Outro destaque desta unidade militar é que se de um lado há a juventude e a cultura destemida do casal Brasil e Karine, de outro percebe-se que eles estão seguindo os exemplos dos pais, ambos coroneis do Exército (Chacon, do lado dela) e (Brasil, do lado dele).

Cida, esposa do general Villas Bôas, disse que sempre se emociona ao visitar um pelotão de fronteira. “Esses jovens são motivo de orgulho nacional”.

Tríplice fronteira

Do helicópetro Blackhawk, integrante da Operação Ágata 4, observa-se a imensidão da floresta cortada por rios e igarapés. Do lado venezuelano uma montanha conhecida como “Cara de índio” se destaca na planície. Nas terras da Colômbia pequenas clareiras camufladas pela densa vegetação apontam para atividades suspeitas próximas do pelotão de fronteira de Cucuí.