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Cotidiano
ALIENAÇÃO PARENTAL

Brigas durante o divórcio refletem em casos de traumas e transtornos nos filhos

Atitudes dos pais podem causar sérios prejuízos à saúde mental dos filhos e deixar traumas para o resto da vida 20/10/2017 às 21:38 - Atualizado em 21/10/2017 às 11:40
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Melhor saída é buscar o diálogo. Arte: Thiago Rocha
Álik Menezes Manaus (AM)

Após o fim de relacionamentos, atitudes dos pais podem causar sérios prejuízos à saúde mental dos filhos e deixar traumas para o resto da vida. Segundo a psicopedagoga Ivone dos Reis Tifone, o índice de crianças que sofrem alienação parental é alto e a prática, que muitas vezes passa despercebida, pode até desenvolver transtornos como déficit de atenção, transtornos de aprendizado e, em casos mais graves, até esquizofrenia. 

Conforme a especialista, que atua na área há mais de 11 anos,  pais que falam mal do ex-companheiro ou companheira para o filho como forma de vingança ou mesmo de crítica, é mais comum do que se imagina. Cerca de 80% dos atendimentos no consultório de Ivone são referentes aos casos de alienação parental. “Todos os dias atendemos famílias com esse tipo de problema, os casos são assustadores”, disse.

Maridos que não aceitam o fim dos relacionamentos tendem a influenciar os filhos de forma negativa para atingir as ex-esposas e vice-versa, conta ela. “O que não aceita o fim do casamento começa a falar mal do ex para a criança e não sabe o quão danosa é essa atitude na vida dessas crianças”.  

Os divórcios, disputas da guarda de filhos e pensão respondem por 80% a 90% dos casos na Defensoria Pública do Estado do Amazonas, revelou o defensor público Helom Nunes. “A separação não é o fim da família, as pessoas se separam, divorciam, mas se tiver filhos a relação vai durar para o resto da vida, a gente percebe que isso às vezes não é tão compreendido e ocasionam em processos e até casos de alienação parental”. 


Influência negativa

Essa influência dos pais ou mães, segundo a especialista, pode causar depressão, angustia e outros problemas no sistema nervoso das crianças e contribuir para criar um adulto problemático. Em casos mais extremos, as crianças desenvolvem transtornos e até esquizofrenia. “Você percebe que são crianças depressivas, angustiadas, são irritadas porque sofrem esse abalo em casa, elas são o produto do meio que estão inseridas. Os problemas começam na infância, passam pela pré-adolescência e chegam até a fase adulta. São adultos inseguros, sem referência. De tanta angustia, chegam até a casos de esquizofrenia”, disse. 

A especialista alertou que familiares devem ficar atentos e orientar os pais a buscarem ajuda de profissionais. “Os pais devem entender que o fim do casamento não elimina os filhos, os filhos são para sempre. É preciso investir em diálogo, nem sempre o fim do casamento é o melhor, às vezes falta conversar”, orientou.

Jovem foi vítima de alienação

O estudante de Direito Ítalo Motta*, 22, sofreu com a separação dos pais ao longo de vários anos. Segundo o jovem, a mãe não aceitava o fim do relacionamento e buscava formas de fazer com que o garoto não gostasse da companhia do pai, afastando-os. 

“Eu tinha 14 anos, mas lembro de vários fatos. Eles se separaram, ela ficou com a minha guarda e eu passava o fim de semana com o pai. Ela fala que ele não gostava mais de mim, que preferiu outra família e ia ter novos filhos, ia me esquecer. Chegou um tempo que eu não quis mais ir para a casa dele”, lembra o jovem. 

O sofrimento teve um fim quando a avó materna de Ítalo interveio e ele amadureceu, entendendo o que acontecia.

Mãe relata sofrimento após separação

A dona de casa Maria José da Silva*, 33, sofreu com a rejeição do filho, de 11 anos, por mais de três anos. O sofrimento começou quando ela decidiu se separar do marido. Ele, na tentativa de atacar a ex-esposa, inventava história sobre ela e buscava “comprar” o filho com presentes ou deixando o menino fazer coisas que a mãe não deixaria. 

“Foram anos de sofrimento, o meu filho olhava para mim e não demonstrava carinho, era como se eu fosse uma desconhecida ou quisesse o mal dele, como se não fosse mãe”, relatou a dona de casa. 

O sofrimento amenizou quando a dona de casa foi à Justiça para tentar resolver o caso e ficar com a guarda do filho. “Hoje melhorou, mas ainda estamos com processo na Justiça”, relatou.