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Camelôs do Centro de Manaus continuam sem ter para onde ir depois de reabilitação do Centro Histórico

Reabilitação do Centro Histórico, já iniciada, não prevê espaço para camelôs.  Prefeitura não se posiciona 17/01/2012 às 12:27
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Em dezembro de 2011, governador disse que camelôs não poderiam ser retirados do local sem uma alternativa, que deveria ser encontrada pela prefeitura
Florêncio Mesquita Manaus

Um mês depois do início da obras do programa de reabilitação do Centro Histórico de Manaus, os camelôs continuam sem saber para onde serão realocados e se, de fato, isso ocorrerá. O programa “Cartão Postal”, realizado pelo Governo do Estado, não prevê a presença de camelôs na avenida Eduardo Ribeiro onde, atualmente, estão concentradas cerca de 200 bancas de ambulantes, conforme o sindicato da categoria.

A via tem um quilômetro de extensão, que vai do porto de Manaus até a praça do Congresso. O programa “Cartão Postal” pretende fazer o resgate total dos aspectos originais da avenida Eduardo Ribeiro, porto da cidade e da praça do Congresso.

Embora a obra da primeira etapa do programa tenha começado, até agora nada foi conversado com a categoria que permanece com destino incerto segundo afirma o presidente do Sindicato dos Vendedores Ambulantes, Raimundo Sena.

Necessidade
Em dezembro de 2010, quando o programa foi anunciado, o governador Omar Aziz disse que apesar da necessidade de revitalizar o Centro, os camelôs não poderiam ser retirados do local sem uma alternativa.

Ele também garantiu que o diálogo seria estabelecido com os camelôs, mas esclareceu que, se tratando de uma obra na cidade, a comunicação e o dever de encontrar uma alternativa para os ambulantes é um trabalho específico da Prefeitura Municipal de Manaus.

Segundo ele, a obra começou sem que o Estado e o Município tivessem uma alternativa para retirar os vendedores ambulantes. Ele ressalta que a categoria é a favor da revitalização do Centro e concorda com a saída. Mas observa que os gestores públicos deveriam ter se reunido com os ambulantes ou, pelo menos, comunicado as obras antes de iniciá-las.

 “Estamos preocupados porque ninguém fala nada. Apesar de sermos bem recebidos pelo Governo do Estado, quando chegamos lá passam a bola para a prefeitura dizendo que é ela que deve resolver a situação com a a gente. Quando procuramos o Implurb (Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano) dizem que o Manuel Ribeiro está viajando”, disse.

Apoio de lojistas
Conforme Sena, os ambulantes que eram mal vistos por lojistas agora contam com o apoio das entidades que representam o comércio para encontrar uma alternativa de saída do Centro. Segundo ele, a última reunião dos ambulantes ocorreu na Associação Comercial do Amazonas (ACA), com a participação de representantes da entidade e da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL-Manaus).

“Essas entidades no apóiam e compartilham do nosso pensamento de que precisamos sair, mas desde que seja com a garantia de ir para um lugar onde possamos trabalhar”, explicou.

Programa tem cinco etapas
O programa de revitalização do Centro Histórico de Manaus começou pela Praça do Congresso e deve ser totalmente concluído num prazo de dois anos. A obra, que está orçada em exatos R$ 11.495.311,80, está dividida em cinco etapas.

 A proposta do Estado é transformar por completo a fachada dos prédios comerciais da avenida Eduardo Ribeiro, além de tornar a rede de energia elétrica, telefonia e TV a cabo, atualmente aéreas, subterrânea por meio de tubulações. A medida visa dar mais visibilidade à arquitetura dos prédios históricos.

O programa também reativará a linha de bonde elétrico que existia na cidade há 111 anos e que era um dos seus principais meios de transporte. Os trilhos do equipamento devem passar pelas ruas Costa Azevedo, 10 de Julho e avenida Eduardo Ribeiro. O equipamento não substituirá o transporte coletivo no Centro da cidade - apenas será usado como atração turística para transportar turistas do porto de Manaus ao tradicional Teatro Amazonas.