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Candidatos a prefeito de Manaus mostram dificuldades em formalizar propostas para a cidade após a Copa de 2014

Sete dos nove candidatos à Prefeitura de Manaus optaram por apresentar as propostas de campanha no primeiro evento aberto para a discussão do legado físico e social da Copa do Mundo de 2014 em Manaus 21/07/2012 às 09:51
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Os prefeituráveis posam com o ex-jogador Raí (centro), da Ong Atletas pela Cidadania, após evento, na ALE-AM
Mariana Lima Manaus

Sete dos nove candidatos à Prefeitura de Manaus optaram por apresentar as propostas de campanha no primeiro evento aberto para a discussão do legado físico e social da Copa do Mundo de 2014 em Manaus. A reunião ocorreu nesta sexta-feira (20), no auditório da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM). A expressão “sustentabilidade” foi a mais citada pelos candidatos nas falas feitas na tribuna da Assembleia.

Os candidatos Sabino Castelo Branco (PTB) e Jerônimo Maranhão (PNM), embora convidados, não compareceram nem enviaram representantes. A reunião dos prefeituráveis foi organizada pela Ong Atletas pela Cidadania, o Instituto Ethos e a Rede social Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis. O encontro faz parte da campanha “Copa, Olimpíadas e eleições: qual é o legado para a sua cidade?” que tem por objetivo a assinatura de um termo de responsabilidade. Cada candidato teve três minutos para expor propostas sobre o que fará com as obras pós-Copa do Mundo.

Quatro deles, o vereador e candidato a vice-prefeito da coligação “A Esperança é Agora”, Hissa Abrahão (PPS) que representou o candidato Artur Neto (PSDB), Serafim Corrêa (PSB), e Vanessa Grazziotin (PCdoB) abordaram assuntos como sustentabilidade, distribuição e tratamento de água, políticas de resíduos sólidos e a importância do esporte na formação de crianças e jovens.

Herbert Amazonas (PSTU) preferiu homenagear o ex-jogador Sócrates, morto em 4 de dezembro de 2011, irmão mais velho do ex-jogador Raí. “Quero fazer uma homenagem a uma pessoa que deu uma grande contribuição à luta política neste País”, disse Herbert. Raí é um dos organizadores do encontro e representou a “Atletas pela Cidadania”. Pauderney Avelino (DEM) defendeu a implantação de projetos para a utilização dos espaços físicos que a Copa deixará para a cidade, mas não apresentou nenhum.

O candidato pelo PR, Henrique Oliveira, falou da necessidade de criar eventos para “aproveitar os milhões de reais gastos com estádio, monotrilho e BRT” como forma de aumentar o turismo na cidade. Não especificou como faria isso. O projeto do Monotrilho, apresentado em 2009 pelo prefeito Amazonino Mendes (PDT), previa um trem que percorresse 13 quilômetros entre a Zona Norte e o Centro da cidade em apenas 15 minutos. À época, o então governador Eduardo Braga (PMDB) tentava emplacar a ideia do VLT (Veículo Leve sobre Trilho) que foi descartada. O atual custo do monotrilho é estimado em R$ 1,55 bilhão, valor ora questionado pelo Ministério Público Federal (MPF). Todo os sete candidatos participantes do encontro assinaram uma carta na qual se comprometem com a transparência de suas atividades.

Dentre os itens da Carta está o compromisso do/a futuro/a prefeito/a em produzir, um documento em que apresente o diagnóstico do município, publicar e divulgar a prestação de contas do município e publicar um balanço de governo em audiência pública no prazo máximo de cinco meses após o fim do mandato.

Em números: 900 milhões de reais é o valor do empréstimo a ser feito pelo Governo Estadual e já aprovado pelos deputados estaduais antes do recesso. A verba deverá ser utilizada nas obras de implantação do monotrilho e na construção da cobertura da Arena da Amazônia, onde deverão acontecer quatro jogos da Copa de 2014 em Manaus. 1,55 bilhão De reais é quanto custa, atualmente o valor da obra do monotrilho que promete ligar a Zona Norte ao Centro da cidade . O valor tem sido contestado pelo Ministério Público Federal. O MPF tenta barrar a concessão de empréstimo de R$ 660 milhões que o governo pretende solicitar da Caixa Econômica Federal.

As propostas apresentadas

Os sete candidatos à Prefeitura de Manaus que estiveram presentes no evento que discutiu o que será feito com o legado social deixado pela Copa do Mundo de 2014 tiveram três minutos para apresentar as propostas que defendem nessa área.

Confira o que disseram os candidatos durante encontro:

Vanessa Grazziotin (PCdoB) 51 anos Senadora: “Os municípios têm a responsabilidade de cuidar da educação básica e acreditamos que o esporte deve começar a ser tratado na infância”.

Herbert Amazonas (PSTU) 51 anos Servidor Público: “Nesse momento, em que o Brasil discute a Copa do Mundo, quem está mandando em nosso País é a Fifa. É a Fifa quem diz o que muda até na Constituição Federal.”

Hissa Abrahão (PPS) 31 anos vereador: “Transformar Manaus na capital verde é a obrigação de qualquer governo e isso começa com uma nova forma de governar” (o candidato representou Artur Neto).

Luiz Navarro (PCB) 69 anos Comerciante: “Pretendemos tratar nossos esgotos, hoje jogados nos rios, além de implantar o transporte hidroviário que é uma indicação para melhorar a mobilidade urbana.”

Pauderney Avelino (DEM) 57 anos Deputado Federal: “Vamos fazer com que essa Copa deixe um legado para a sociedade. Não apenas as obras que estão atrasadas e que não saberemos se serão concluídos a tempo.”

Serafim Corrêa (PSB) 65 anos Servidor Público: “Nós queremos um esporte não no sentido de competição, mas um esporte que agregue e atenda com eficiência à população.”

Henrique Oliveira (PR) 51 anos. Deputado Federal: “Nós precisamos criar eventos para aproveitar os milhões de reais com estádio, monotrilho e BRT para deixar como legado para as novas gerações”.