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Casai de Maués está em situação crítica de abandono

A Casa de Saúde Indígena de Maués (Casai-Maués), localizada no município, a 257 quilômetros de Manaus, está em situação crítica de abandono e falta de estrutura adequada ao atendimento, há vários meses. O local é destinado à recuperação de pacientes indígenas da região e acomodação de acompanhantes. 02/05/2012 às 19:39
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O Casai é destinado à recuperação de pacientes indígenas da região e acomodação de acompanhantes.
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O deputado estadual Sidney Leite (DEM), que é vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Assuntos Indígenas da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALEAM), denunciou o caso na tribuna, nesta quarta-feira (2), e vai entrar com uma ação no Ministério Público Federal (MPF), para que a situação seja apurada.

Ele esteve esse fim de semana na Casai-Maués, após receber denúncia de lideranças indígenas, e encontrou em torno de 40 pacientes com diversos tipos de doenças, aglomerados junto com os acompanhantes, em um pequeno espaço físico, com redes armadas de forma improvisada, banheiros sem condições de higiene e alimentação inadequada.

Os alimentos são comprados pelo Departamento de Saúde Indígena de Parintins (a 369 quilômetros de Manaus) e encaminhados para Maués. O que acontece, segundo relata o deputado, é que não há critério no envio desses produtos. “A Casai-Maués, muitas vezes, recebe produtos perecíveis, como cebola, por exemplo, em quantidade para ser usada o mês inteiro e, é claro, acaba estragando. Outros produtos essenciais não são enviados. É também comum receberem frango industrializado, congelado, para ser oferecido às mulheres em período de resguardo, o que vai de encontro às tradições indígenas”, observou.

Segundo o Ministério da Saúde, a Casai-Maués atende em torno de 60 indígenas por dia, com uma média de permanência de 13 dias. O município de Maués possui cerca de 4 mil índios da etnia Saterê-Mawé, distribuídos em 33 comunidades ao longo do Rio Marau.

RANI

Sidney Leite também recebeu denúncias de que os indígenas da região não estão conseguindo tirar o Registro de Nascimento Indígena (RANI), por falta de material de expediente.

Segundo o conselheiro e gestor da Fundação Nacional do Índio (Funai), Samuel Lopes, a Coordenadoria Técnica Local de Maués está sem material de expediente. Ele afirma que cerca de 2 mil indígenas estão sem conseguir retirar o registro, atualmente.

“Já cobramos a Coordenadoria Regional da Funai, mas alegaram falta de recursos, pois ainda não houve repasses após a posse da nova presidente do órgão”, afirma. Lopes destaca, ainda, a falta de combustível e de recursos humanos para o deslocamento dos funcionários que visitam as comunidades indígenas.