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Caso Wallace: Raphael Souza recebe pena de 9 anos de prisão

Moacir Jorge Pessoa da Costa, o ‘Moa’ e Mario Rubens Nunes da Silva, o ‘Mario Pequeno’ foram absolvidos 29/06/2012 às 02:19
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Raphael Souza recebeu a pena de 9 anos pelo homicídio de Cleomir Pereira Bernardino
Camila Pereira Manaus

Nove anos de prisão por homicídio simples. Este foi o veredito final do Júri Popular formado para julgar o homicídio de Cleomir Pereira Bernardino, conhecido como 'Caçula', em 2007. Moacir Jorge Pessoa da Costa, o ‘Moa’ e Mario Rubens Nunes da Silva, o ‘Mario Pequeno’, foram absolvidos. Durante toda a quinta-feira (28), cerca de 220 pessoas estiveram acompanhando o caso no Fórum Henoch Reis, localizado na Avenida André Araújo, Aleixo, Zona Centro-Sul de Manaus.

A mãe de Raphael Souza, Ana Júlia Souza, diz que irá recorrer da decisão. “Eu nem sei o que declarar a vocês, mas meu filho é inocente e não tirou a vida de ninguém, não sabemos o que se passa pela cabeça do júri. Este resultado só aconteceu por ele ser filho de um político, porque os outros foram inocentados”, disse a imprensa.

O advogado de Raphael, Cléber Lopes de Oliveira, afirmou que estes nove anos se somarão a outros que o filho de Wallace Souza já está pagando, assim como ‘Moa’ que paga por crimes federais. “Inicialmente o regime será fechado, mas cumprido um sexto dos 18 anos, poderá pagar em regime semi aberto”, ressaltou.

Acusação x Defesa

Em reta final do julgamento do Caso Wallace, advogados de acusação e de defesa fizeram suas últimas explanações ao Júri Popular.

O procurador André Vírgilio Belota Seffair, responsável pela acusação, foi o primeiro a se pronunciar e orientou ao júri que levasse em consideração todas as provas e fatos que foram expostos durante o dia, inclusive as contradições de depoimento de ‘Moa’. “Tudo o que é apresentado pela acusação, há provas”, disse. E comentou ainda que não houve surpresas para ele, quando ‘Moa’ desmentiu depoimentos antigos.

A defesa de ‘Moa’ feita pelo promotor Antônio Ederval de Lima defendeu que foram feitas várias violações aos direito, na hora da prisão e  caminho para prestar depoimentos. “Houve invasão de domicílio, abuso de autoridade. Também houve armação política contra Wallace e Carlos Souza”.

O próximo foi o advogado Cléber Lopes de Oliveira, defensor de Raphael Souza. Ele foi conciso e objetivo, tentando mostrar que não havia o que revelasse a autoria do homícidio pelo filho do deputado Wallace e que as acusações de porte de armas é falso; a associação para o tráfico não procede, já que não há diálogos entre Raphael e ‘Moa’; e questionou as denúncias sobre a Organização Criminosa e investigações omitidas, como possíveis grampos que nunca vieram à tona.

Carlos Henrique Souza, advogado de Mário Rubens pediu ao júri que fosse esquecido o que foi posto na imprensa e que se ligassem aos fatos expostos. Ele temia que se houvesse a absolvição, o crime fosse esquecido. “A polícia simplesmente parou de investigar o caso, colocando todo o peso nas costas dos três”, temeu, ressaltando que há diversas contradições no caso.

A promotoria do caso não decidiu pela réplica.

Dia de julgamento

Raphael Souza, filho do deputado morto Wallace Souza, foi o primeiro réu a ser ouvido na manhã desta quinta-feira (28). Ele iniciou o depoimento dizendo que sua relação com o “Moa” não era de tanta intimidade, a ponto de os mesmo estarem juntos no mesmo carro no dia do assassinato do ‘Caçula’, ele também negou ser o proprietário das armas (com numerações raspadas) encontradas pela polícia na residência do pai, durante as investigações.

‘Moa’, contradisse a versão contada à Justiça em 2008, quando acusava o deputado morto Wallace Souza e seu filho Raphael Souza de serem os ‘cabeças’ de uma organização criminosa que comandava o extermínio de traficantes, além de participação em tráfico de entorpecentes. Segundo o ex-policial militar, ele teria sido coagido e que estava sobre pressão.