Publicidade
Cotidiano
Notícias

Catedral Metropolitana sofre os efeitos de abandono no AM

Símbolo do Centro histórico e da fé do povo amazonense é esquecido pelo poder público e acaba sendo usado como ponto de prostituição em pleno dia 31/12/2012 às 10:53
Show 1
A Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição não vem recebendo manutenção por parte do porder público, apesar de ser considerado patrimônio cultural do Amazonas
Ana Celia Ossame ---

Quem sobe ou desce as escadarias da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, situada no Centro, não pode deixar de olhar os quadros retratando a via sacra de Jesus Cristo, pintados em ferro fundido no muro lateral. As manchas deixadas pelas infiltrações e o mofo que cercam os quadros dão apenas um sinal do quadro geral do abandono em que se encontra aquele espaço que, pelo que representa para a história da cidade, teria outro tratamento numa cidade que valorizasse sua vocação turística.   

“Não temos nada ainda, estamos na dependência do próximo prefeito”, afirmou o padre José Albuquerque, pároco da Matriz, ao comentar que não tem havido manutenção no prédio, apesar dele ser considerado patrimônio cultural do Estado. “A última obra de restauração e reforma na igreja aconteceu em 2002, daí nada mais foi feito”, acrescentou.

Na expectativa de que o novo prefeito, Artur Neto, possa retomar o projeto existente de revitalizar aquele espaço, o padre vai esperar uma decisão do poder público. “Já é tempo de fazerem algo por aquele local”, afirmou.

Segundo ele, foi iniciada a cobrança do estacionamento pela Arquidiocese de Manaus, proprietária do local, como tentativa de obter recursos para algumas obras e também para garantir segurança. A cobrança é autorizada pela Arquidiocese, que contratou uma empresa para fazer o serviço, observou. 

Medo

Para chegar à Igreja da Matriz, é preciso vencer uma quantidade enorme de camelôs que ocuparam todos os lados do cercado construído para proteger o patrimônio. Além dos camelôs, a poluição visual, com placas e outdoors, impede as pessoas de prestar atenção nos monumentos e esculturas existentes no local.

A prostituição, que acontece à luz do dia, é outro problema apontado pela paróquia

Com a chegada do período de Natal e Ano Novo, a quantidade de camelôs e objetos aumenta muito, o que só piora a situação. “Não gosto mais de vir assistir a missa aqui porque tenho medo”, disse a aposentada Irinéia Carvalho, 67, que por estar no Centro resolveu entrar na igreja para fazer uma oração. Houve um tempo em que ela costumava frequentar a missa de domingo na Matriz, mas a quantidade de pessoas “estranhas” circulando por ali, a desencorajou a seguir o costume. “Sei que todos têm direito de frequentar a área, mas não deviam deixar tão escancarada a prostituição nas proximidades da igreja”, citou ela, criticando ainda os “pés inchados”, que vivem por ali e lá mesmo fazem suas necessidades básicas, deixando um odor desagradável.

Para ela, por ser o espaço da primeira igreja da cidade, a área da Matriz  merecia um cuidado especial. “Eu só sei que para vir aqui rezar, antes de ter fé, é preciso ter coragem”, finalizou.