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Centro de resgate de peixe-boi no Amazonas amplia espaço para realizar solturas

O "Centrinho", desenvolvido pelo Instituto Mamirauá, que funciona no lago Amanã, no município de Maraã, completa neste mês quatro anos de atividade 16/01/2012 às 16:09
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Piti foi o primeiro peixe-boi encaminhado para o "Centrinho", em 2008
Elaíze Farias Manaus

Os filhotes de peixe-boi resgatados pelo Centro de Reabilitação de Peixe-Boi Amazônico de Base Comunitária (Centrinho), desenvolvido pelo Instituto Mamirauá com patrocínio da Petrobras, ganharão um reforço no processo de reabilitação à natureza.

Daqui a dois meses, o Centrinho, como é mais conhecido, será ampliado e receberá um curral próximo à foz do lago Amanã, no município de Maraã (a 650 quilômetros de Manaus). Quando for concluído, dois dos quatro filhotes que ainda vivem em tanques serão transportados para o curral.

A coordenadora do projeto Conservação de Vertebrados Aquáticos Amazônicos (Aquavert), Miriam Marmontel, explica que o curral, que medirá aproximadamente cinco metros quadrados, terá mais influência de água branca e, portanto, maior produção de plantas aquáticas. O Aquavert é o projeto do Mamirauá responsável pela Centrinho.

Ela explica que o uso do curral flutuante já é uma preparação à soltura, colocando o animal em contato direto com a água corrente e outros animais aquáticos.

“O recinto será construído de forma a permitir aos animais contato direto com o fundo do lago, e também acesso direto a vegetação aquática  Não será instalado em comunidade, mas em local de pouco trânsito de embarcações, próximo à margem, contando com um declive desde a região mais rasa até um ponto um pouco mais fundo do lago”, disse Miriam, ao portal acritica.com.br.

Miriam esclarece que um tanque é algo totalmente fechado, construído em cimento, fibra de vidro ou plástico. No caso do Centrinho, há três tanques plásticos, de 4. 500 litros.

Piti

Neste mês, o Aquarvert faz quatro anos de atividades. O projeto é especialista em receber filhotes de peixes-bois apreendidos em municípios da região do Médio Solimões, no Amazonas, onde a caça para subsistência ainda é uma ameaça à espécie.

O primeiro filhote resgatado foi Piti Aranapu (o nome foi dado devido à seu comportamento arredio), um macho que tinha aproximadamente seis meses quando ficou preso em uma rede de pesca em maio de 208, no setor Aranapu da Reserva Mamirauá. O animal apresentava arranhões por todo o corpo e uma ferida profunda por golpe de arpão.

O filhote foi transferido em janeiro de 2008. Conforme Miriam, a iniciativa do Centrinho foi bem aceita pelos comunitários e o Instituto Mamirauá foi crendenciado pelo Ibama como criatório conservacionista. Quando foi criado o Centro de Reabilitacao de Peixe-Boi na Reserva Amanhã, Piti foi transferido para o local.

Tratamento

Miriam conta que antes da antes da inauguração do Centrinho, o Instituto Mamirauá recebeu um peixe-boi, que foi tratado e devolvido à natureza.

Em 2002, o Instituto realizou a primeira devolução monitorada de filhote de peixe-boi amazônico ao ambiente natural no país.

Na cauda do filhote, batizado como "Mixirinha", os pesquisadores instalaram um cinto equipado com um transmissor de sinal de rádio. O peixe-boi foi acompanhado por vários meses enquanto desempenhava deslocamentos típicos dos animais nativos da região.

Reabilitação

No Aquaverti, o peixe-boi é primeiramente resgatado de sua situação crítica: em poder de pescador, em cativeiro inadequado, sob cuidados inadequados.

Miriam explica que o passo seguinte é a reabilitação. Se ferido, o animal é tratado e medicado. Ele precisa ser amamentado durante um ou dois anos, como no caso de um animal de vida livre, com fórmula láctea individualizada, ofertada em mamadeira subaquática para reduzirmos o contato com os humanos e evitar domesticação.

Ela conta que durante todos os procedimentos, procura-se manter baixo nível de ruído e conversas e contatos diretos com os animais, para evitar domesticação. 

Desde o início, além da fórmula láctea, são oferecidas plantas aquáticas como alimento, alimento natural retirado do próprio lago, em grande quantidade e variedade, para permitir a escolha do animal pelo alimento que prefere.

Soltura

A construção do recinto pré-soltura, com contato com o solo e acesso a plantas aquáticas é outra medida para aproximar mais os animais do ambiente natural, de modo que ele se familiarize com o sedimento e substrato do lago - que contém matéria orgânica da qual eles também fazem uso, naturalmente - e passe a buscar, por si próprio, o alimento nas margens. 

“Ainda antes da soltura é feita uma série de exames para garantir a saúde do animal antes do contato com os animais nativos. Acompanharemos a readaptação plena do animal através da adaptação de cintos contendo rádio-transmissores VHF, que nos permitirão seguir os animais diariamente e verificar seus deslocamentos, áreas de alimentação, realização ou não de migração, etc”, explicou a coordenadora.