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Cotidiano
Desaparecidos, Polícia, DEPCA, jovens, Delegacia

Cerca de 328 casos de fuga e sumiço foram registrado este ano, em Manaus

Os dados são da Delegacia Especializada de Assistência e Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA). O número é considerado alto, segundo a delegada Linda Gláucia. De janeiro a dezembro de 2011 foram 827 casos registrados, segundo a delegada 20/05/2012 às 17:14
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Orientação é pelo registro, imediato, do sumiço da pessoa, assim que a família perceber a ausência demorada dela. Nunca deixar passar 24h para comunicar.
Ana Paula Sena Manaus

Dados levantados da Delegacia Especializada de Assistência e Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) revelam que já foram registrados, somente nos primeiros quatro meses deste ano, 328 casos de fuga e desaparecimento de crianças e jovens em Manaus, um número considerado alto, segundo a delegada Linda Gláucia. De janeiro a dezembro de 2011 foram 827 casos registrados, segundo a delegada.

A maioria das ocorrências é de fugas de jovens que querem a liberdade, por influência de namorados ou amigos. “O que é preciso enfatizar é que quando a criança ou um jovem desaparece, a família deve ir imediatamente à delegacia e não esperar 24 horas, como muitas pessoas pensam, pois as primeiras horas são essenciais para solucionar o caso”, afirmou Gláucia.

Um caso que comprova essa estatística é o da menina Luana*, 10, que saiu da escola por volta das 11h da última quinta-feira e não voltou pra casa. A mãe dela, Valquíria* afirmou que a filha não tem o costume de sair sem a presença dos pais. “Algumas amigas da escola dela me contaram que ela tinha ido para o ramal do Brasileirinho e outras que ela estava na casa de um namorado. Descobrimos que ela estava na casa de um namorado, um menino de 13 anos. Os pais deles ainda a esconderam lá”, relatou a mãe. A criança ficou desaparecida por dois dias.

A família registrou um Boletim de Ocorrência (B.O) e a menina realizou um exame de conjunção carnal. Foi constatado que ela foi abusada sexualmente pelo adolescente. Sem solução De março de 2004 até abril de 2012, quatro ocorrências continuam sem solução de crianças desaparecidas na cidade de Manaus. Dos quatro casos registrados na DEPCA o que ficou mais conhecido é o da pequena Shara Ruana. A menina tinha sete anos quando saiu na manhã do dia 28 de outubro de 2007 para comprar pão e não retornou. O caso de desaparecimento comoveu toda a cidade, na época. Para a Delegada Linda Glaúcia, o caso “Shara Ruana” ainda é significado de mistério, pois ninguém viu o que realmente aconteceu com a menina. “Foi feita uma divulgação nacional sobre o desaparecimento dela. Fiscalizamos todo o Estado em busca de pistas que justificassem o fato, mas infelizmente nada de concreto foi encontrado”, disse. *Nome fictício para preservar a integridade da criança

Busca continua após cinco anos
Para o pai de Shara, Pedro Lourenço Reis, o sumiço da filha ainda é uma dor muito presente. Entretanto, ele afirma que entregou a filha nas mãos de Deus. “Eu já procurei minha filha em todos os lugares possíveis, agora só Deus pode fazer o impossível e se for da vontade dele, trazer ela de volta pra nós. Sempre fico na expectativa de receber notícias sobre o paradeiro da Shara. Fico na esperança de que ela esteja viva em algum lugar por aí”, conta o pai. A Polícia Civil fez um envelhecimento fotográfico da menor por meio de computação gráfica, pelo Instituto de Identificação Anderson Conceição de Melo, da Polícia Civil, quee mostra como Shara estaria, com dez anos de idade. A delegada Linda Gláucia afirma que a busca continua. “A busca pela Shara é constante. Todas as vezes que recebemos uma denúncia sobre uma possível pista sobre seu paradeiro, a DEPCA cuida de checar com urgência”, afirmo

Casos ainda sem solução em Manaus
Os outros casos não solucionados são os da Sarah Letícia Maricaua Pena, de nove anos, que fugiu de casa levando uma mochila com roupas e deixou um bilhete dizendo que iria pra São Paulo com uma tia. A mãe da criança disse que não tem nenhum parente naquele Estado. Sarah está desaparecida desde o dia 3 de dezembro. A delegada Linda Gláucia disse que já tem um registro de que a menor foi vítima de abuso sexual. No dia 2 de novembro de 2005, Karla Victória Alves Ferreira, 5 anos, brincava com outras crianças em frente à casa de uma vizinha. As outras crianças entraram na residência e Karla ficou para trás. Depois de algumas horas, a mãe, Francinete Alves Ferreira, notou que a menina havia sumido. O quarto caso é o de uma adolescente de 15 anos, chamado apenas de “Adriano”, que fugiu em 2008 após ser acusado de participação em um homicídio de um policial civil.